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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Água da garrafa para a jarra. Uma troca sustentável.

Você sabe a diferença entre a água mineral e a água da torneira? Se a sua caixa d’água estiver sendo regularmente limpa, não há diferenças no gosto, mas os impactos socioambientais que a água engarrafada tem fazem toda a diferença.

Foi essa noção dos impactos que fez com que a economista Letycia Janot levasse adiante o projeto Água na Jarra, cuja proposta é incentivar a troca da água engarrafada pela água purificada. “Nós sugerimos o uso do purificador, por que aqui no Brasil temos uma questão diferente de países da América do Norte e Europa que é a caixa d’água e se esta não tiver a limpeza adequada feita com periodicidade, corremos o risco da contaminação. Além disso, como existe um residual de cloro na água que vem tratada, pessoas com paladar mais sensível podem se incomodar com essa substância e o purificador retira isso”, explica ela durante a entrevista que concedeu à IHU On-Line, por telefone.

Letycia Janot é formada em economia pela Universidade Federal de Minas Gerais e possui MBA em Gestão de Negócios Internacionais pela Thunderbird – School of Global Management e especialização em Gestão Ambiental. Junto com a administradora Maria Fernanda Franco fundou o projeto Água na Jarra.

IHU On-Line – Quando e como começou o Água na jarra?

Letycia Janot – O Água na Jarra começou há um ano. Minha sócia trabalha na área de consultoria financeira estratégica e eu estava terminando um curso de gestão ambiental e estava começando a pesquisar o que iria fazer nessa área, por que decidi mudar da economia para trabalhar a questão da sustentabilidade. Então, nós sentamos e conversamos, afinal, nós duas tínhamos muita vontade de trabalhar a questão do consumo da água sem garrafa por que não víamos sentido das pessoas consumirem água em garrafas se tínhamos uma água de qualidade para consumir. Desta forma, surgiu a ideia do Água na Jarra. O projeto foi viabilizado no fim de 2009 quando nós abrimos uma Ong e resolvemos trabalhar na difusão desse conceito e, com isso, oferecer um meio prático das pessoas fazerem uma mudança. Então, mais do que falar que o consumo da água em garrafa não era o ideal, nós criamos uma iniciativa que incentiva essa troca.

IHU On-Line – Que ações o Água na Jarra faz para conscientização?

Letycia Janot – Nossa principal ação é o site que foi construído para que as pessoas tenham acesso à proposta, conheçam os impactos da água engarrafada, por que a troca é importante. O site é um instrumento para que as pessoas saibam que a água da torneira que elas consomem é segura, quais os cuidados que elas precisam ter para passar a consumir água tratada, como limpar a caixa d’água. Além disso, publicamos artigos e entrevistas. E mais, em todos os locais em que o Água na Jarra é implantado, nós levamos um treinamento. É necessário, num restaurante que vai fazer a troca, explicar aos funcionários o motivo pelo qual isso está sendo, por que uma atividade como essa é importante e como se responde aos clientes em relação às dúvidas deles. As pessoas desconfiam, de uma maneira geral, da água tratada por que não têm informação. Elas desconfiam, mas esquecem que já consomem essa água no dia a dia, no gelo, no café do bar, no suco da lancheria.

IHU On-Line – Como funciona o teste “cego” de água filtrada versus a água em garrafa?

Letycia Janot – Em julho, participamos da Feira Internacional para o Intercâmbio das Boas Práticas Socioambientais – Fibops que aconteceu em São Paulo. Participamos dele de duas formas: fizemos uma parceria com a Brastemp que instalou um purificador no nosso estande e nós organizamos a logística dos vasilhames. A Água na Jarra não é um movimento para deixar de beber água em garrafa, mas sim que se use recipientes recicláveis para armazenar a água. Toda a água servida para os participantes do congresso era a água tratada e purificada servida em recipientes de vidro. Além disso, no nosso estande falávamos da nossa iniciativa e ali fizemos o teste cego.
Algumas pessoas que passavam pelo estande eram convidadas a participar desse teste. Nós tínhamos duas jarras iguais, uma cheia de água purificada e outra engarrafada que compramos no supermercado. E as pessoas degustavam a água e respondiam se conseguiam identificar a origem ou não. Nós tabulamos esses resultados e metade das pessoas conseguiu identificar a origem da água e a outra metade ou não acertou ou não conseguiu identificar. O mais importante desse teste era fazer com que as pessoas pensassem em como a água chega até elas, ou seja, qual é a opção de consumo que vai causar menos impacto socioambiental. O teste foi um convite à reflexão.

IHU On-Line – A ideia, então, é beber a água da torneira mesmo?

Letycia Janot – Isso. As pessoas precisam adotar o consumo da água tratada. Nós sugerimos o uso do purificador, por que aqui no Brasil temos uma questão diferente de países da América do Norte e Europa que é a caixa d’água e se esta não tiver a limpeza adequada feita com periodicidade, corremos o risco da contaminação. Além disso, como existe um residual de cloro na água que vem tratada, pessoas com paladar mais sensível podem se incomodar com essa substância e o purificador retira isso.

IHU On-Line – E como você avalia o tratamento da água feito pelas concessionárias públicas?

Letycia Janot – Eu conheço apenas o trabalho da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) por que moro na cidade de São Paulo. Na minha casa eu consumo a água dessa forma, tenho certeza que a água é de boa qualidade. Sei que na maior parte do Brasil ocorre o mesmo. Então, cabe a cada um, dentro da sua cidade, passe a conhecer de onde vem a água, busque saber qual é o trabalho que a concessionária faz.

IHU On-Line – Você sugere que se use purificadores em casa. Qual a relação custo x benefício dessa opção?

Letycia Janot – Nós entendemos que isto é muito importante e, por isso, fizemos uma conta, que também está disponível em nosso site, de qual o ganho que uma pessoa tem quando, ao invés de comprar uma pet de um litro e meio de água, instala um purificador em casa. No caso de uma pessoa que vive sozinha, nós vimos que ela pode poupar cerca de R$ 490 por ano. Se moram duas pessoas na mesma casa, pode-se poupar, com essa troca, R$ 1.226 por ano. Você pode comparar o custo da água de litro comprado e do litro de água purificada e verá que a diferença é muito grande.
“Se moram duas pessoas na mesma casa, pode-se poupar, com essa troca, R$ 1.226 por ano”

IHU On-Line – Quais são os principais impactos ambientais das embalagens plásticas?

Letycia Janot – Há os impactos diretos que estão ligados à produção, principalmente da garrafa pet que já causa impactos quando há a extração de petróleo. Esses impactos se traduzem numa geração de resíduos que são os efluentes líquidos e sólidos e as emissões atmosféricas. Depois, há os impactos os indiretos que é o transporte até o consumidor final. Por fim, há o pós-consumo que inclui o descarte da água. Hoje, a atividade de coleta de lixo nas grandes cidades é cara e poluente. Então, o descarte também é um problema. Às vezes, as pessoas nos perguntam: e se essa garrafa for reciclada? Bom, ela continua tendo um impacto ambiental considerável. A melhor opção, portanto, é sempre aquela em que você investe no reduzir e reutilizar.

IHU On-Line – Quais as diferenças entre uma água mineral e a água que sai das torneiras das nossas casas?

Letycia Janot – Na realidade, é o mesmo produto. Qualquer água possui componentes que vão dar a ela características diferentes, como o cloro ou o flúor. Os dois produtos têm boa qualidade. Precisamos desmistificar isso. Muitas pessoas gostam de consumir água com gás, mas tem purificadores que fazem isso. Nós não queremos dizer que as pessoas não devem consumir água em garrafa, mas sim fazer com que elas reflitam em relação aos impactos do consumo, ou seja, elas precisam entender que a água engarrafada tem mais impactos do que a água tratada.

IHU On-Line – Como você vê esses projetos que envolvem a questão da água, como a transposição do São Francisco e as hidrelétricas na Amazônia?

Letycia Janot – Não sou especialista nesse assunto, mas tenho pesquisado e lido muito sobre isso. Dessa forma, posso dizer que essas grandes obras aqui no Brasil, principalmente as hidrelétricas, estão sendo feitas sem que haja transparência para que a sociedade se sinta confortável em relação a isso. Precisamos saber se é realmente necessário fazer essa grande obra que gerará um forte impacto ambiental na Amazônia para que se garanta energia? Não existem outras alternativas? Antes de fazer essas grandes obras, precisamos de um projeto que estimule a eficiência energética e fontes alternativas. Eu não sou contra a construção de hidrelétricas, mas penso que falta uma discussão sobre as alternativas a elas. Com base nisso, aí sim é possível fazer uma decisão.
(Ecodebate, 12/08/2010) publicado pelo IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.

Algas e plantas aquáticas são fontes promissoras de biocombustíveis e ainda limpam a água

Foto: Eric Lam
Geradoras de energia e de limpeza – Elas têm estruturas mais simples e se reproduzem em velocidades muito maiores do que as dos outros vegetais. Essas características colocam as microalgas e as pequenas plantas aquáticas da família das Lemnaceaes na fronteira das pesquisas sobre novas fontes de biocombustíveis.

Especialistas nessas duas matérias-primas apresentaram resultados de seus estudos no 2º Congresso Pan-Americano sobre Plantas e Bioenergia, que termina nesta quarta-feira (11/8), em São Pedro (SP).
O caráter sustentável da produção de algas, que têm grande capacidade de aborver dióxido de carbono (CO2), foi ressaltado por Richard Sayre, diretor do Instituto Erac para Combustíveis Renováveis, em Saint Louis, Estados Unidos. Mantido pela iniciativa privada, o Erac é um dos maiores centros mundiais de pesquisas em plantas, reunindo 170 pesquisadores e 95 PhDs.
Sayre apontou a importância de se investir em fontes renováveis de energia que forneçam combustível em forma de óleo, como é o caso das algas. “A gasolina pode ser substituída por etanol, porém outros combustíveis e produtos derivados de petróleo dependem de matérias-primas baseadas em óleo”, afirmou.
Por esse motivo, somente metade do petróleo usado no mundo poderia ser substituído por etanol. Além disso, o óleo, segundo o pesquisador, contém o dobro da densidade energética do etanol.
Ao se comparar fontes de biodiesel, as algas também apresentam uma produtividade muito superior às das demais matérias-primas, segundo Sayre. No estudo do Erac, as algas produziram 58.700 litros de óleo por hectare de cultivo, contra 5.950 litros de óleo de palma, a segunda colocada.
“Essa é uma estimativa modesta, que considera a extração de 30% de óleo da biomassa, mas podemos extrair até 70% elevando a produtividade para 136.900 litros de óleo por hectare”, afirmou.
Além disso, as algas não possuem tecidos heterogêneos, como folhas, galhos e raízes, o que facilita um dos maiores obstáculos da obtenção dos biocombustíveis de plantas: a quebra da parede celular.
Outra vantagem apontada pelo pesquisador é o alto teor de óleo das células das algas, que podem apresentar até 50% de lipídios não polares, mais fáceis de serem quebrados, e possuem de 10% a 45% mais energia do que as matérias-primas obtidas de carboidratos.
O especialista norte-americano propõe também que as algas sejam aplicadas na solução de outro problema das grandes cidades: o tratamento de esgoto. Algas capazes de decompor matéria orgânica poderiam ser cultivadas em estações de tratamento. Além da limpeza da água, o cultivo produziria biodiesel e absorveria uma boa parte do CO2 da atmosfera.
No exemplo de Sayre, o tratamento de esgoto de uma cidade como Nova York produziria 10 milhões de litros de biodiesel de algas por ano e absorveria 40% do CO2 emitido por uma termelétrica de 200 MWh movida a carvão. “Também haveria ganhos adicionais com a produção de metano e de produtos para ração animal”, completou.
O desafio da equipe do Erac está em desenvolver melhorias genéticas a fim de aprimorar a conversão de energia solar no interior das células. Essa conversão depende do tamanho de estruturas chamadas de complexo LHCII. Por serem muito grandes, essas estruturas recebem mais energia do que conseguem processar e o excedente (cerca de 60%) acaba sendo desperdiçado.
A viabilidade econômica da produção de biodiesel de algas foi conquistada ao longo dos anos graças aos avanços obtidos em pesquisa. “Hoje, conseguimos produzir biodiesel de algas ao custo de US$ 2 por galão, sem subsídio algum do governo. Há três anos, esse mesmo galão custava US$ 100”, comparou.
Lentilhas d’água
A menor planta do mundo capaz de produzir flores é outra fonte promissora de biocombustível, de acordo com o professor Eric Lam, do Departamento de Biologia e Patologia Vegetal da Universidade do Estado de New Jersey – Rutgers, nos Estados Unidos.
Conhecidas no Brasil como lentilhas d’água, as plantas da família Lemnaceae são capazes de se reproduzir sobre água doce ou salobra. São cinco gêneros e 40 espécies conhecidas que se espalham em regime perene por praticamente todo o planeta, com exceção das regiões desérticas e polares.
Nos Estados Unidos, elas são chamadas de duckweeds (“erva de pato”), por servirem de alimento às aves aquáticas que aproveitam as estruturas ricas em gordura, proteínas e amido da planta.
Assim como as algas, as lentilhas d’água se reproduzem com velocidade muito maior que a dos demais vegetais. “Os exemplares da espécie Wolffia microscopica dobram de quantidade a cada 30 horas”, disse Lam.
Essa proliferação se deve ao fato de as Lemnaceaes se propagarem principalmente de maneira assexuada, produzindo clones genéticos. Outra diferença é que essas plantas aquáticas são extremamente pobres em lignina, macromolécula responsável pela defesa imunológica, pelo transporte de água e nutrientes e, especialmente, pela estrutura física da planta, conferindo-lhe suporte mecânico.
Lam especula que a pouca concentração de lignina nas lentilhas d’água seria um fruto da adaptação desses vegetais ao habitat aquático, no qual não seria necessária igual rigidez.
A baixa presença de lignina é uma considerável vantagem na fabricação de biocombustível, pois quebrar essa molécula tem sido um dos maiores desafios da pesquisa em combustíveis de origem vegetal.
De maneira similar às algas, as Lemnaceaes têm a capacidade de recuperar águas contaminadas, uma vez que reduzem coliformes, absorvem metais pesados e consomem parcelas consideráveis de nitrogênio e fósforo. Elas também têm um papel importante no ecossistema ao estimular a presença de anfíbios e de outros animais aquáticos.
Em uma experiência realizada em uma fazenda de porcos nos Estados Unidos, o professor Jay Cheng, da Universidade do Estado da Carolina do Norte, conseguiu em 12 dias eliminar completamente altas concentrações de nitrogênio e potássio que a criação emitia no lago da fazenda apenas com aplicação de lentilhas d’água.
O mesmo experimento utilizou as plantas na produção de combustível e obteve uma produtividade cinco vezes maior por unidade de área cultivada em comparação com o etanol obtido do milho.
A planta ainda pode ser obtida em regiões em que ela se prolifera como invasora. Lam apresentou dois exemplos, um no lago Maracaibo, na Venezuela, e outro em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Em ambos, as Lemnaceaes ocuparam quase toda a superfície dos lagos, prejudicando o ecossistema.
“As autoridades locais vão adorar se você se dispuser a retirar essas plantas dos lagos. É uma fonte abundante e gratuita para o produtor de biocombustível”, disse Lam.
Segundo ele, algas e Lemnaceaes são fontes por excelência de biocombustível, pois, além de recuperar águas contaminadas e absorver CO2, elas não competem por terras agriculturáveis nem com a produção de alimentos como milho e soja.
Reportagem de Fabio Reynol, na Agência FAPESP, publicada pelo EcoDebate, 12/08/2010

Os municípios e a Política Nacional de Resíduos Sólidos


Lei 12.305/2010
Atualmente, 63,6% dos municípios brasileiros encaminham seus resíduos sólidos para lixões, 18,4% para aterros controlados, 13,8% para aterros sanitários e 4,2% utilizam queima controlada e mecanismos de triagem e reciclagem. A gestão dos resíduos sólidos é um dos grandes desafios da sustentabilidade e do desenvolvimento: somente os EUA descartam mais de 217 milhões de toneladas anuais de resíduos sólidos (594.520 mil toneladas/dia); no Brasil são 87,6 milhões de toneladas/ano ou 240 mil toneladas/dia.

A maioria dos municípios brasileiros tem dificuldades de gerenciar seus resíduos principalmente pela falta de recursos e pouca capacidade técnica na gestão de seus serviços de limpeza pública, coleta seletiva, organização e tratamento adequados. A formação de consórcios municipais ou inter federativos facilitará a sustentabilidade ambiental e econômica, financiamento adequado e capacitação técnica e gerencial dos recursos humanos envolvidos, possibilitando a inclusão social em nível regional através da formação de cooperativas e associações de trabalhadores em reciclagem, indispensáveis na implantação da logística reversa e da responsabilidade compartilhada prevista pela Lei 12.305/2010.
Podem ser feitos acordos setoriais entre as esferas de governos e os setores empresariais para facilitar a gestão, principalmente da logística reversa. O Ministério do Meio Ambiente através da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano é o principal articulador institucional da Política Nacional de Resíduos Sólidos.

A grande dimensão territorial do Brasil com realidades distintas e problemas diferenciados de acordo com o desenvolvimento econômico das regiões e municípios, torna indispensável elaborarem-se planos regionais e municipais integrados de gestão dos resíduos sólidos, inclusive como condição básica para acesso aos recursos disponibilizados pela União e Estados ou por estes gerenciados e/ou financiados.
A garantia de participação, informação e controle social também são grandes contribuições que os municípios poderão realizar, organizando os cidadãos para a responsabilidade compartilhada e incentivando a inserção econômica e produtiva dos trabalhadores cooperativados, dinamizando as economias locais através da geração de renda e melhoria da qualidade de vida dos munícipes.

Certamente a lei 12.305/2010 vai incentivar as pessoas a se envolverem mais na questão da destinação dos resíduos, aumentando a necessidade de atenção que os municípios deverão ter nesta atividade, sendo indispensáveis departamentos e secretarias capacitadas, com recursos humanos, logística, equipamentos e financiamento adequados, integradas com o conjunto de serviços municipais e com as atividades econômicas desenvolvidas em suas áreas de ação.
Antonio Silvio Hendges, articulista do EcoDebate, é Professor de biologia e agente educacional no RS, e-mail as.hendges{at}gmail.com
EcoDebate, 12/08/2010

Brasileiro está adoecendo por falta de vitaminas, diz OMS


Um país anêmico – O brasileiro consome apenas um terço de frutas, legumes e verduras do que recomenda a OMS. Especialistas mostram quais as principais doenças relacionadas à ausência de vitaminas.

Clima ameno, terra abundante, solo fértil, muita água e uma incrível variedade de frutas, verduras, legumes, cereais, peixes e carne vermelha. As feiras e supermercados de norte a sul do Brasil estão repletos de vitaminas à disposição durante os 365 dias do ano.
O cardápio da população, no entanto, está cada dia menos nutritivo. Independentemente da classe social, crianças, adultos e idosos nem sempre ingerem a quantidade mínima desses micronutrientes — indispensáveis para garantir uma vida saudável.

O resultado preocupa especialistas: o brasileiro está adoecendo por falta de vitaminas. A Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo diário por pessoa de, no mínimo, 400 gramas de frutas, legumes e verduras, mas no país campeão de produção de grãos a ingestão desses produtos representa apenas um terço do total preconizado pela OMS. Pesquisa do IBGE mostra também que no total de calorias diário ingerido pelo brasileiro, apenas 2,3% vêm do consumo de frutas e verduras. Reportagem de Márcia Neri, no Correio Braziliense.

Pequenas no tamanho, mas gigantes no propósito de garantir o bom funcionamento do organismo, elas previnem males e podem garantir a longevidade. A falta de vitaminas causa estragos porque desequilibra a máquina humana. O corpo passa a sofrer com problemas que variam da falta de apetite e indisposição à cegueira noturna, retardo no crescimento, infertilidade, anemia, alteração no sistema nervoso central, osteoporose e muitos outros.

De acordo com o médico José Humberto Gebrin, nutrólogo da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), a desinformação e o estilo de vida adotado nos últimos anos condicionam a população à ingestão de refeições rápidas, de alimentos industrializados e sem nutrientes. “Por isso, doenças como o escorbuto(1) — decorrente da falta de vitamina C — e o raquitismo, desencadeado pela escassez de vitamina D, ainda atingem a população, até em regiões privilegiadas, como o Distrito Federal”, lamenta o especialista.

Cores indispensáveisO médico observa que a dieta equilibrada deve ser praticada da infância à velhice e explica que as vitaminas são elementos nutritivos encontrados nos vegetais, legumes, frutas e carnes (veja quadro). Um cardápio balanceado que contempla tais alimentos é suficiente para abastecer o corpo desses nutrientes sem a necessidade de suplementos vitamínicos.
“Para manter a saúde em dia precisamos de combinações que garantam um prato colorido. Simplificando, cores diferentes oferecem a vasta gama de vitaminas, minerais, fibras e substâncias fitoquímicas que o corpo demanda para manter a energia, se proteger contra os efeitos da idade e reduzir o risco de câncer e doenças cardíacas”, garente Gebrin.

O nutrólogo Leandro Vaz explica que as vitaminas são divididas em dois tipos. As liposolúveis — A, D, E e K — estão relacionadas com a manutenção da estrutura das membranas celulares. “Elas são encontradas em alimentos gordurosos, como azeites e castanhas, elas permanecem mais tempo no organismo do que as solúveis em água, que fornecem o que precisam ao corpo e são eliminadas pela urina”, diz Leandro.

Os suplementos vitamínicos são indicados somente para suprir uma falta emergencial. Eles estimulam o metabolismo a voltar a funcionar bem e quando cumprem sua função devem ser substituídos pela dieta saudável. É ela que proporciona a interação das vitaminas com outros nutrientes necessários ao organismo. A associação gera melhor absorção. Legumes verdes são fontes do complexo B; laranja, cenoura e frutas vermelhas, têm vitamina A; as cítricas são ricas em vitamina C; e os óleos vegetais, ovos, cereais integrais e peixes garantem vitaminas D e E.

EscorbutoDurante as grandes navegações dos séculos 15 e 16, um dos maiores flagelos dos marinheiros era uma estranha doença que atingia a tripulação. Provocava queda de dentes e cabelo, hemorragias generalizadas, anemia e intensa fraqueza. Não eram poucos os que acabavam morrendo, em absoluta prostração. Essa doença, hoje conhecida como escorbuto, surge no organismo em consequência da alimentação deficitária em vitamina C.

O sol no cardápioA servidora pública Adriana Alves, 33 anos, sentiu na pele o efeito da carência de vitaminas. Há um ano, a indisposição e a insônia deram o sinal de alerta. “A falta de energia estava estampada na minha pele, completamente sem viço. Procurei um médico e os exames não deixaram dúvidas quanto a ausência de vitamina B12 e B9 (ácido fólico)”, conta. Adriana confessa que não se alimentava corretamente e que a correria do dia a dia fazia com que a saúde fosse deixada em segundo plano.

O problema foi contornado com alimentação balanceada. “Agora, aprendi a apreciar verduras, principalmente as folhas verdes, como o espinafre, e a dar valor ao prato colorido e variado. Também não abro mão da carne. Em um mês, minha vida mudou. Durmo bem e estou muito disposta, animada”, comemora.

Os ossos também dependem das vitaminas para se fortalecerem, principalmente da D. Obtida por meio de vegetais verdes, peixes e carnes, ela se transforma em um hormônio essencial para a estrutura óssea, mas depende do sol para ser sintetizada. “Tudo começa com a ingestão dos alimentos fontes, seguida da exposição solar que ativa a vitamina D no organismo e um rim saudável para transformá-la em hormônio e garantir que o intestino permita a absorção do cálcio. De nada adianta tomar leite e derivados, se essa sequência for quebrada em algum momento”, explica a endocrinologista Luciana Naves.

OsteoporoseA médica alerta que o brasileiro tem sofrido com a falta da vitamina D porque o cardápio está rico em macarrão, arroz, batata frita e industrializados e a população tem se protegido do sol com os filtros solares. “A radiação que ativa a vitamina D é a ultra-violeta, justamente a bloqueada pelos filtros. Eles são importantes, não restam dúvidas, mas precisamos de alguns minutinhos de exposição para ativar a vitamina. A falta dela tem favorecido a osteoporose precoce”, diz.

A administradora de empresas Juliene Alcântara Quintão, 26 anos, se assustou quando os exames de sangue acusaram carência de vitamina D. “Sou uma pessoa disposta, mas o cansaço estava me consumindo. Passei a ir dormir diariamente às oito da noite e sentia um sono incontrolável no meio do dia. Acho que a falta de esclarecimento sobre a importância das vitaminas faz com que não se comer verduras e frutas seja um traço cultural”, observa.

A indisposição de Juliene também foi contornada com dieta balanceada. “Confesso que não sou disciplinada, mas agora tomo e valorizo um solzinho. O cardápio está mais colorido também. Refiz os exames e o médico verificou que a taxa de vitamina D está quase normalizada”, diz aliviada.
Saiba maisO que são vitaminas?As vitaminas são um grupo de nutrientes orgânicos, essenciais para regular o processamento químico do corpo humano. São elas as responsáveis por ativar a oxidação dos alimentos, as reações metabólicas do organismo e facilitar a libertação e a utilização de energia

ProduçãoAs vitaminas são obtidas de alimentos ou de suplementos vitamínicos.No organismo, em reações químicas aceleradas por elas, proteínas, carboidratos e gorduras se combinam para produzir energia e compor os tecidos e os ossos

TiposVitaminas hidrossolúveis – não são armazenadas no corpo e devem ser tomadas diariamente para prevenir sua deficiência

Vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K) – podem ser armazenadas. O intestino as absorve e o sistema linfático as transporta para diferentes partes do corpo
Benefícios das mais conhecidas:

AAnticarcinogênica, previne o envelhecimento da pele e a cegueira noturna, aumenta a capacidade de cura do organismo, promove o crescimento e a saúde dos ossos, cabelos, dentes, pele e gengiva, ajuda no tratamento do hipertireoidismoFontes: Cenoura, leite e seus derivados, ovos, fígado, couve, mamão, laranja, manga, melão, melancia, pêssego, espinafre, couve de Bruxelas, brócolis, batata-doce, inhame, abóbora

B1Ajuda a transformar açúcar em energia nos músculos e ossos, protege contra desequilíbrios causados pelo consumo de álcool, pode ajudar no tratamento de doenças neurológicas, anemia, pode aumentar a agilidade mentalFontes: Arroz integral, gérmen de trigo, espinafre, couve-flor, nozes, sementes de girassol, amendoim, feijões, abacate, carne de porco

B2Ajuda a metabolizar gorduras, proteínas e carboidratos, melhora a visão, estimula funções reprodutoras saudáveis, aumenta o desempenho atlético, protege contra a anemiaFontes:
Levedo de cerveja, fígado, língua e outras vísceras, leite, queijos duros, peixes, algas marinhas, repolho, ovos, sementes de girassol, arroz selvagem, aspargo, brócolis, espinafre, cogumelos
B3Estimula a digestão, reduz a hipertensão arterial, previne a enxaqueca, ajuda na respiração celular, pode baixar o colesterol e proteger contra doenças cardíacasFontes: Fígado e outras vísceras, galinha, ervilha, tâmara, figo, cereais integrais, ameixa, abacate, peixes, amendoim, trigo integral, leite, ovos

B5Melhora o sistema imunológico, previne a fadiga, reduz os níveis de colesterol, protege contra as doenças cardíacas e previne a artrite. Tem sido indicada para tratar asma, herpes simplex, alcoolismo e bruxismoFontes: Carne, cereais integrais, nozes, frango, melado, gema de ovos, peixe, queijo, amendoim, feijões, batata doce, couve-flor, ervilhas, abacate

B6Ajuda a controlar o diabetes, trata sintomas da TPM, reduz câimbras e espasmos musculares, atua como diurético natural, protege contra o câncer. Tem sido utilizada para tratar a displasia mamáriaFontes: Levedo de cerveja, fígado, coração, melão, repolho, melado, ovos

B9Melhora a lactação, a pele, é um analgésico natural, dá resistência à infecção em crianças, é essencial à transmissão do código genético (DNA), previne a espinha bífidaFontes: Vegetais de folhas verde-escuras, cenoura, fígado, cereais, abacate, gema do ovo, melão e damasco

B12Aumenta a memória e a concentração, protege contra elementos alérgenos e tóxicos, previne a esclerose múltipla, neuropatia diabética, herpes zoster e depressão em idososFontes: Fígado, carne vermelha, carne de porco, ovos, queijos e leite

CAntioxidante, acelera a cura de ferimentos, mantém a saúde de ossos, dentes e órgãos sexuais, atua como anti-histamínico natural, reduz a duração de resfriados e outras viroses, auxilia no tratamento do estresse.Fontes: Todas as frutas cítricas, especialmente laranja, limão, acerola, kiwi, frutas silvestres (fruto da roseira, groselha preta), brócolis, batata-inglesa, batata-doce, couve-flor, tomate, fígado e todos os vegetais

DProtege contra a osteoporose, ajuda no tratamento da psoríase, melhora o sistema imune, é necessária para se ter ossos e dentes fortesFontes: É encontrada na cavala, sardinha, bacalhau e todos os óleos de peixe

EAntioxidante, anticoagulante, protege contra distúrbios neurológicos, trata problemas de pele, auxilia na prevenção do aborto, previne câimbras musculares e espasmos, estimula o sistema imunológicoFontes: Germe de trigo, soja, óleos vegetais, brócolis, verduras, cereais integrais e ovos
EcoDebate, 10/08/2010

Detectada nos EUA a maior contaminação de transgênicos


Canola. Foto do physicalgeography.net
O mais provável é que tenham sido sementes que caíram de um caminhão, ainda que não se possa descartar que tenha sido uma simples polinização. O caso é que o campo de Dakota do Norte está repleto de canola transgênica, segundo acaba de descobrir uma equipe da Universidade do Arkansas.
Ao todo, 80% das plantas analisadas tinham genes introduzidos artificialmente. O tamanho da fuga “não tem precedentes”, disse Cynthia Sagers, ecóloga da Universidade que dirigiu o trabalho. Reportagem no El País.

Em 20 anos de cultivos transgênicos – sempre muito regulados – houve alguns casos desse tipo de contaminação no meio ambiente no Reino Unido, Japão e Canadá, mas sempre em pequena quantidade e normalmente próximo de portos ou estradas por onde passaram as sementes modificadas geneticamente. Mas esta é a primeira vez que isso acontece nos Estados Unidos (o principal produtor deste tipo de cultivos, com quase 50% da safra mundial), e sobretudo, de uma forma tão ampla.

A prova definitiva de que este tipo de fuga não é recente é que existem dois tipos de canola transgênica, uma da Monsanto resistente a um herbicida (glifosfato) e outra da Bayer resistente a outro (glufosinato). Mas, além disso, foram encontradas duas plantas com ambos os genes, o que indica que houve tempo para que as plantas dos dois tipos cruzassem.

Reações

A descoberta reabriu o debate entre os defensores e os críticos da tecnologia de transgênicos, que é muito criticada na Europa. Para os primeiros, o fato de que estas plantas tenham convivido com as naturais por bastante tempo no meio ambiente e não tenham sido detectadas por produzir algum tipo de efeito no entorno é uma prova de que são cultivos que não apresentam nenhum perigo.

Mas os ecologistas dizem que esta descoberta é uma mostra de que, por mais restrições que se coloquem, não há como evitar que um erro facilite a mistura desses cultivos com os naturais, e sua abundância mostra que elas têm vantagens ao competir com as plantas silvestres. Além disso, afirmam que a canola capaz de sobreviver a dois dos herbicidas mais conhecidos é um risco para outros cultivos.
Tradução: Eloise De Vylder

SAQUINHOS DE JORNAL


Matéria enviada por: Rosangela Martins Siqueira

Olha que ótima ideia!!!!!!
Saquinho de jornalOnde você põe o seu lixo?

A grande justificativa das pessoas que dizem que "precisam" de sacolinhas plásticas é a embalagem do lixo. Tudo bem, não dá mesmo pra não colocar lixo em saco plástico, mas “Sacos de lixo Biodegradáveis” que são feitos com materiais orgânicos e de fibras vegetais levam bem menos tempo para se degradarem no solo assim causando menos impacto na Natureza.Além disso será que não dá pra diminuir a quantidade de plástico no lixo?
Melhor do que encher diversos saquinhos plásticos ao longo de uma semana é usar um único saco plástico dentro de uma lixeira grande na área de serviço, por exemplo, e ir enchendo-o por alguns dias com os pequenos lixinhos da casa (da pia, do banheiro, do escritório). Se o lixo é limpo, como de escritório (papel de fax, pedaços de durex, etc.), pode ir direto para a lixeira sem proteção. No caso dos lixinhos da pia e do banheiro o melhor substituto da sacolinha é o saquinho de jornal. Ele mantém a lixeira limpa, facilita na hora de retirar o lixo e é facílimo de fazer. Leva 20 segundos. A idéia veio do origami, que ensina essa dobradura como um copo. Em tamanho aumentado, feito de folhas de jornal, o copo cabe perfeitamente na maioria dos lixinhos de pia e banheiro que existem por aí. Veja: Você pode usar uma, duas ou até três folhas de jornal juntas, para que o saquinho fique mais resistente. Tudo no origami começa com um quadrado, então faça uma dobra para marcar, no sentido vertical, a metade da página da direita e dobre a beirada dessa página para dentro até a marca. Você terá dobrado uma aba equivalente a um quarto da página da direita, e assim terá um quadrado.
Dobre a ponta inferior direita sobre a ponta superior esquerda, formando um triângulo, e mantenha sua base para baixo.

Dobre a ponta inferior direita do triângulo até a lateral esquerda. Vire a dobradura "de barriga para baixo", escondendo a aba que você acabou de dobrar.

Novamente dobre a ponta da direita até a lateral esquerda, e você terá a seguinte figura:

Para fazer a boca do saquinho, pegue uma parte da ponta de cima do jornal e enfie para dentro da aba que você dobrou por último, fazendo-a desaparecer lá dentro.


Sobrará a ponta de cima que deve ser enfiada dentro da aba do outro lado, então vire a dobradura para o outro lado e repita a operação.

Se tudo deu certo, essa é a cara final da dobradura:

Abrindo a parte de cima, eis o saquinho!

É só encaixar dentro do seu cestinho e parar pra sempre de jogar mais plástico no lixo!


Que tal?

Pode parecer complicado vendo as fotos e lendo as instruções, mas faça uma vez seguindo o passo a passo e você vai ver que depois de fazer um ou dois você pega o jeito e a coisa fica muito muito simples. video

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

- Árvore - Porque Plantar - Porque Não Plantar Exóticas


- Por não terem predadores naturais, essas espécies podem se multiplicar sem controle, tornando-se assim uma praga, como é o caso do Eucalipto.
- Por não terem uma boa relação com a floresta nativa, podem competir desigualmente pelo espaço, chegando até matar as espécies nativas, como é o caso da Leucena, que em seu habitat natural com pouca água, desenvolveu uma substância que impede o crescimento de outras espécies ao seu redor, para evitar a competição pela água escassa.

- A proliferação pode ser descontrolada. Como é o exemplo também da Leucena. Em seu habitat nativo desenvolveu uma estratégia de produzir milhares de sementes. Isso porque a semente que encontrar apenas um pouco de água já irá germinar. Mas aonde o solo é seco só algumas sementes conseguem sobreviver. Aqui no Brasil, por sser um país tropical úmido, todas as sementes encontrar condições ideais para germinar. O que temos é uma diceminassão tão intensa deste espécie que hoje é considerada uma verdadeira praga em nosso ambiente.

- Algumas espécies exóticas tem as raízes muito bem preparadas para absorver toda a água que conseguirem. Como é o caso do Eucalípto, que absorve tanta água do solo, que este chega a ficar seco. Muitos locais estão com o solo pobre por terem sido invadidos por esta espécie, que muitas vezes é plantada por pessoas que desconhecem este problema.

- O maior erro em se plantar exóticas como Eucalípto e Pinheiros, é que estas espécies crescem muito rápido. Pessoas e empresas que são obrigadas judicialmente a reflorestar, utilizam estas espécies para mostrar o resultado o mais rápido possível. O que muita gente não sabe é que com espécies pioneiras brasileiras, consegue-se este resultado ou mesmo um melhor, tanto em termos de tempo quanto obviamente de qualidade, como é o caso da Embaúba, Monjoleiro e outras.

Não seja você mais um plantador de espécies não brasileiras.

Árvore - Porque Plantar - Porque Plantar Nativas


Primeiro vamos a nomenclatura:
Nativa: Ocorre naturalmente na região que se está tratando.Exótica: Não ocorre naturalmente na região que se está tratando.Endêmica: Espécie que ocorre exclusivamente na região que se está tratando.

Uma espécie que é nativa da Austrália é considerada exótica no Brasil, como é o caso do Eucalipto. Uma espécie pode ser Nativa do Brasil, porém endêmica da Bahia, como é o caso da piaçava. Isso quer dizer que em São Paulo, ou em Amazonas, esta espécie é considerada Exótica.
Os benefícios de se plantar árvores nativas de sua região, além de não ter os problemas das exóticas, estão descritos a baixo:

- O alimento é exatamente os que os animais nativos precisam.
- Fazem parte de uma determinada floresta onde uma espécie ajuda a outra, de diversas formas.
- Dificilmente espécies nativas são exterminadas por pragas, pois já desenvolveram muito bem uma defesa para cada praga da região. Muito indicadas em plantios orgânicos, que desejam não utilizar agrotóxicos.
- A relação entre os nutrientes disponíveis, e os nutrientes necessários para a árvore, é harmoniosa.
- São as árvores nativas que os pássaros nativos procuram para fazer seus ninhos. Você já reparou que em matas de Eucalipto ou Pinus houve-se muito pouco ou quase nenhum som de pássaros e outros animas?
- E por último, se exitem mais de 500 espécies só na Mata Atlântica, das mais variadas formas, das mais lindas flores das mais cobiçadas madeiras do mundo....

- Árvore - Porque Plantar


Aqui estão alguns dos motivos para você plantar não uma, mas várias árvores, e ajudar a natureza!

Uma árvore adulta pode absorver do solo até 250 litros de água por dia. Imagine como elas poderiam ajudar para não ocorrerem tantas enchentes, das quais matam e deixam muitas pessoas sem casas! Junto com toda essa água absorvida, muitos nutrientes de matérias orgânicas (como as fezes dos animais) são absorvidos pelas raízes e transformados através da fotossíntese, em alimento para a toda a planta. Por sua vez, folhas, frutos, madeira e raízes servirão de alimento para diversos seres vivos. Os animais por sua vez, irão defecar o que comeram, e as folhas e frutos que não serviram de alimento caem no solo.Folhas, frutos e fezes de volta ao solo, e todo o ciclo recomeça.

A camada de folhas que se formam a baixo das árvores, servem de berço para as sementes, e para proteger o solo dos pingos da chuva. Cada pingo de chuva que cai diretamente no solo, causa erosão. A erosão do solo pode ser prejudicial em vários casos:

Em rios: A erosão leva terra e areia para o leito (fundo) do rio, fazendo com que o rio fique mais raso, com menor capacidade de guardar água, causando a falta de água nos meses de pouca chuva, além da morte dos peixes.

Para o Solo: A erosão leva embora as sementes que poderiam germinar e recompor a vegetação natural. Ou seja, solo desprotegido tende a continuar desprotegido.
Para os animais: A erosão pode levar embora ninhos de animais que os fazem no chão, e tampar os de diversos outros animais, matando os filhotes que estão dentro. Além do mais, sem vegetação e frutos para alimenta-los, eles vão embora ou morrem de fome.

Para os lençóis freáticos: Os solos sem vegetação, por não terem raízes e minhocas para deixa-lo fofo, não tem uma boa absorção de água. Além do mais, como não há barreiras para a água, ela vai embora rapidamente, não dando tempo para a água da chuva penetrar no solo. Com isso os lençóis freáticos secam, acabando assim com muitos rios e conseqüentemente com nossa água potável.

A copa das árvores também protege o solo da chuva direta, sem contar que suas raízes seguram firmemente o solo. As raízes de árvores que estão nas beira de rios, aparecem as vezes dentro do rio, parecendo cílios. Essas raízes além evitarem a erosão, servem de casa para muitos animais. Por causa destes cílios, a mata próxima aos rios é conhecida pelo nome de Mata Ciliar.

Uma árvore pode transpirar por suas folhas, até 60 litros de água por dia. Este vapor se mistura com as partículas de poluição do ar, e quando se acumulam em nuvens, caem em forma de chuva. Portanto, as árvores ajudam também na retirada de poluentes do ar! Além do mais, este vapor ajuda a equilibrar o clima da região. Isso é facilmente percebido em parques e floretas que tem seu clima mais fresco.

Outro ponto que podemos notar até mesmo em parques no meio de grandes cidades, é o silêncio! As árvores formam uma parede que impede a propagação dos ruídos. Cercas vivas estão sendo muito utilizadas hoje em dia para criar ambientes mais silenciosos e aconchegantes (além de bonitos).

Se ainda assim, você ainda não se convenceu de que deve plantar árvores espere para saber mais...

Sombra: ah que delícia uma boa sombra ! Não é ? Bem, se levarmos em conta a devastação e a não preocupação do reflorestamento, pode se preparar para sair de casa de guarda sol, pois a previsão é de que em 2030 nossas matas vão acabar !

Madeira: Se você não tem nada de madeira na sua casa pode enviar seu nome para colocarmos no livro dos recordes. O mercado madereiro é um dos que mais cresce no Brasil. Muitas empresas são clandestinas, e pouca gente se preocupou em saber se a madeira que está comprando é autorizada ou não. Se você usa madeira, por que não ajudar plantando ?

Papel: Não sei se você sabe, mas não há no mundo país que tenha um substituto para o papel vindo da madeira de árvores, sendo produzido em larga escala ! Preocupante ? Então imagine quantas árvores você já usou e vai usar só com papel !

Oxigênio: Você respira ? Bem, pode não conseguir mais daqui alguns anos. A poluição gerada pelas grande cidades estão desequilibrando a quantidade de oxigênio no mundo ! E uma novidade: Estudiosos afirmam que florestas muito antigas, que já atingiram seu equilíbrio, produzem a mesma quantidade de gás carbônico (liberado a noite) que a de oxigênio. E que florestas jovens, para poder crescer, liberam muito mais oxigênio do que gás carbônico. Isso significa que plantar uma árvore é produzir oxigênio !

Frutas: Quem não gosta de uma boa fruta ? Mas não pense que elas são produzidas em laboratório. Elas chegam à sua mesa, pois árvores às produziram. E se você fizer as contas deve ter gasto com frutas o bastante para ter mais de 100 pés de cada fruta que você gosta. Mesmo porque o gasto em se ter uma árvore é quase zero.

Fauna: Que delícia ouvir o canto dos pássaros logo de manhã ! Pois então ! Plante uma árvore perto de sua casa e ouça o resultado! Se você estiver em zona rural, ou próximo à alguma floresta, ainda poderá receber a visita de diversos animais da fauna brasileira.

Verde: O verde é uma cor que acalma o ser humano. Muitos são os tons de verde que as folhas podem ter, mas todos eles servem de calmante visual. Mais um motivo para você plantar uma árvore dentro ou na frente de sua casa.

Medicina: Muitas são as espécies arbóreas já utilizadas na medicina e muitas outras com grande potencial para este fim. Infelizmente o valor medicinal das plantas está caindo no esquecimento, nos obrigando a pagar caro por remédios. E não se espante, mas a maioria dos remédios tem algum produto extraído da natureza.

Óleos : Diversos óleos para diversos fins, podem ser extraídos de árvores brasileiras !
Um dos óleos mais valiosos que podemos citar é o óleo da Copaíba.
De outras árvores é possível ainda extrair componentes básicos para fazer shampoo, creme e até protetor solar!

Corantes: O mais famoso de todos é o corante extraído da madeira do Pau-Brasil, muito utilizado no passado para tintura de roupas. Outro corante bastante conhecido é o corante alimentício extraído do Urucum,
utilizado para corar carnes.

E aí ? Convencido de que você precisa plantar várias árvores ?

Árvore - Partes da Árvore


No dicionário: do Lat. arbore - grande vegetal lenhoso, cujos ramos saem a certa altura do tronco.

Raiz: Uma vez que a maioria das raízes são subterrâneas e portanto não facilmente visíveis, nossa tendência é ignorá-las e desmerecê-las. A primeira raiz do vegetal vem do embrião, chamada de raiz primaria, ou raiz principal. Ela pode ser pivotante (cresce principalmente para baixo) ou tabular (cresce principalmente lateralmente). A raiz possui órgãos especializados para sustentação, absorção, armazenamento e condução da seiva, e é responsável pela retirada de água e nutrientes do solo.A água e nutrientes absorvidos compõem a seiva bruta. Essa seiva bruta é transportada, da raiz para as folhas pelo xilema (conjunto de vasos encontrados no caule da planta).

Caule: Uma curiosidade é que as plantas primitivas só tinham caule ! Estes são tidos como precursores das folhas e assim ancestrais do próprio sistema caulinar.O caule promove interligação entre raiz e folha, levando a seiva bruta da raiz para as folhas, através de um conjunto de vasos condutores, chamado de xilema, e levando a seiva elaborada das folhas até o restante da planta, por um conjunto de vasos condutores, chamado de flolema.Durante a descida, o floema fornece alimento aos demais órgãos.Os troncos das árvores variam em tamanho, forma, textura e cor.É do tronco de algumas árvores que é extraída a madeira que usamos em nossas casas, em móveis, ferramentas, pisos e até mesmo lápis. É também do tronco de algumas árvores que é extraída a matéria prima para fazer o papel - a celulose.Comece a pensar quantas árvores são derrubadas para satisfazer nossas necessidades do dia-a-dia, só relacionadas ao caule !

Folha: Nas folhas, ocorre a fotossíntese, que é um processo de produção de glicose e oxigênio. Este processo tem como um de seus componentes a luz do sol. A luz é formada por feixes de diferentes comprimentos onda. Cada comprimento é de uma cor. Essas são as cores primárias.Os comprimentos de onda que são absorvidos pelas folhas variam de acordo com as espécies. Em geral o comprimento de onda de cor verde não é absorvido pelas folhas, sendo assim refletido, dando a coloração verde às folhas.A glicose produzida compõe a seiva elaborada conhecida como alimento da planta. A seiva elaborada é transportada, das folhas para toda a planta, pelo floema, como vimos a cima. Também ocorre a transpiração e a perda de água para o meio ambiente na forma de vapor. É possível observar névoas em grandes florestas ao amanhecer. Esta névoa nada mais é que a evaporação da umidade da floresta. Uma parte desta umidade é produzida através desta transpiração que ocorre em cada folha.

Flor: A flor é uma folha modificada do vegetal, de crescimento limitado, contendo as estruturas reprodutivas da planta Giniceu (parte feminina), Androceu (parte masculina).A pétala funciona como atrativo.Cada espécie evoluiu suas flores em tamanho, forma e cor, para se adaptar aos seus determinados polinizadores. Essa evolução garante a perpetuação da espécie, e a biodiversidade através dos polinizadores.Biodiversidade, é a diversidade da vida (bio). Com a flor, as Angiospermas adquiriram a capacidade de se reproduzirem a partir do cruzamento entre dois indivíduos. A grande maioria da flores das Angiospermas é hermafrodita, facilitando a autofecundação. Mas a autofecundação apresenta desvantagem para as espécies, impedindo a variabilidade de caracteres. Para impedir a autofecundação, as flores possuem adaptações que impedem o processo, e facilitam a fecundação cruzada (entre flores de indivíduos diferentes), tais como:- Hercogamia = alturas diferentes da antera (androceu) e o estigma (giniceu).- Protandria = o androceu amadurece antes do gineceu. - Protaginia = giniceu amadurece antes do androceu.
Fruto: Ocorrendo a fecundação, o óvulo origina a semente, e o ovário, o fruto. O fruto protege as sementes e prepara o solo, facilitando a germinação, os frutos podem ser verdadeiros (quando se formarem a partir do ovário, como o abacate); ou falsos (quando se formam de outras partes da planta como o caju, maçã, figo, abacaxi e framboesa).

Sementes: A semente é uma estrutura de propagação da planta; é a unidade reprodutiva que dá início a uma nova geração da espécie. Esta estrutura contém o embrião e protege-o contra a dessecação, danos mecânicos e ataques de organismos diversos. - Dormência

Fotossíntese: Os seres fotossintetizantes, que não são apenas as plantas, são autótrofos, isto é, produzem seu próprio alimento.A fotossíntese é o processo pelo qual a planta transforma a seiva bruta em seiva elaborada - seu alimento!.Ela ocorre na folha, utilizando gás carbono (CO2), água (H2O) e luz, transforma-os em carboidratos (C6H12O6) e oxigênio (O2), que é liberado na atmosfera. Apesar da glicose ser representada como carboidrato nas células fotossintetizantes, o produto mais imediato são carboidratos com 3 carbonos, conhecidos como trioses.

A perda da cobertura vegetal ameaça reservas de água doce.


A perda da vegetação florestal e a conversão do terreno a outros usos podem repercutir negativamente nas reservas de água doce, colocar em perigo a sobrevivência de milhões de pessoas e prejudicar o meio ambiente, adverte a FAO.
A perda da vegetação florestal e a conversão do terreno a outros usos podem repercutir negativamente nas reservas de água doce, colocar em perigo a sobrevivência de milhões de pessoas e prejudicar o meio ambiente, adverte a FAO.

A XVI Sessão do Comitê de Florestas da FAO (COFO), realizada de 10 a 14 de Março, na sede da FAO, em Roma, sob a presidência do Brasil, focalizou um conjunto de temas que favorecem a intenção de assegurar um tratamento equilibrado e abrangente às questões relacionadas à proteção e ao uso sustentável dos recursos florestais.

Um dos principais foi o tema do financiamento do manejo florestal sustentável e o papel dos programas florestais nacionais na implementação das decisões da Cúpula Mundial da Alimentação+5, realizada em Roma de 10 a 13 de junho de 2002, e da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, celebrada em Johanesburgo de 26 de agosto a 4 de setembro de 2002.O encontro contou com a participação de cerca de 300 delegados procedentes de mais de 100 países. A delegação do Brasil esteve chefiada pelo Representante Permanente junto à FAO, Embaixador Flávio Perri, e integrada pelo Diretor-Geral do DME, Ministro Everton Vieira Vargas, por diplomatas do Itamaraty e funcionários do MMA e do IBAMA.

Numa época em que a escassez de água em muitas regiões representa uma ameaça para a segurança alimentar e para o sustento e saúde dos seres humanos, a situação das bacias hidrográficas melhoraria se as montanhas fossem administradas sob uma ótica hidrológica e sócio-econômica, defendeu a FAO num documento amplamente discutido durante a reunião do Comitê. O COFO é o principal fórum da FAO para os debates internacionais sobre políticas e questões técnicas das regiões altas do Planeta. Durante o encontro do Comitê foi apresentado o informe O Estado das Florestas no Mundo 2003.

Florestas contra inundações:O documento solicita políticas e programas de ação para a ordenação eficaz das bacias hidrográficas e de outras atividades-chave relacionadas com as florestas. Ações para otimizar a economia dos recursos hídricos e ao mesmo tempo prevenir ou mitigar as catástrofes deveriam incluir, por exemplo:

Conservação em boas condições da cobertura florestal nas bacias hidrográficas montanhosas sujeitas a chuvas torrenciais;

Elaboração de programas que combinem a proteção florestal com o zoneamento, ordenação das zonas inundáveis e obras de engenharia para proteger as pessoas dos deslizamentos de terras, dos desmoronamentos de pedras e das inundações;

Sistemas agro-florestais para as bacias hidrográficas das terras altas para aproveitar os benefícios hidrológicos das matas, potencializando ao mesmo tempo a alimentação e a proteção dos recursos naturais para os pobres rurais;

Incentivos para todos que se dediquem à melhoria dos bosques e de outra utilização do terreno que limite perdas dos cursos d'água.

Mais de 3 bilhões de pessoas não têm acesso a água potável sendo o problema particularmente agudo em países em desenvolvimento.Dos mais de 3 milhões de mortes anuais atribuídas à água contaminada e à escassa higiene, mais de 2 milhões correspondem a crianças em países em desenvolvimento. Além disso, todo ano os deslizamentos de terra por causa de chuvas, as inundações e as torrentes produzem grandes perdas de vida e de produtividade econômica, tanto nos países desenvolvidos como naqueles em desenvolvimento.O documento da FAO sobre florestas e recursos hídricos, destaca a necessidade de incentivar a sensibilização nacional e as políticas ambientais como ajuda na ordenação sustentável dos bosques de montanha e das terras altas.
As bacias hidrográficas das florestas de montanha são os receptáculos mais importantes em relação à água doce no mundo, mas também são as áreas mais propensas a sofrer desmoronamentos de terra, aluviões e inundações.Este encontro, que também significou uma continuidade do Ano Internacional das Montanhas celebrado em 2002 e, com motivo da instituição de 2003 pelas Nações Unidas como Ano Internacional da Água Doce, serviu para divulgar o documento no qual se solicita à comunidade internacional a implementação de políticas e programas de ação para uma ordenação eficaz das bacias hidrográficas e de outras atividades-chave vinculadas com as florestas.
Entre outros assuntos foi discutida a relação entre as florestas e a água doce, além de um estudo sobre as florestas da África e uma análise dos programas da FAO no setor florestal. Deseja-se, com isso, que a ordenação florestal passe a ser um componente decisivo nos programas gerais de administração dos recursos hídricos.
Na discussão relativa à importância dos programas nacionais sobre florestas, cabe salientar que o Brasil é um dos países que mais avançaram na formulação e implementação de políticas voltadas à conservação e ao uso sustentável de suas florestas.
A par dos programas de monitoramento por satélite, prevenção de fogo e outros executados pelo IBAMA, o nosso país possui uma estrita legislação para evitar o desmatamento e promover o manejo sustentável de florestas.O Brasil adotou, em Abril de 2000, o Programa Nacional de Florestas. Esse Programa, que abrange ações em diferentes áreas para a conservação e uso sustentável dos recursos florestais, está em consonância com as propostas de ação adotadas no ano de 2000 pelo Foro Intergovernamental de Florestas (IFF) das Nações Unidas.
É importante ainda frisar que as discussões sobre florestas no âmbito da FAO também enfocam a relação entre florestas, combate à fome e promoção da segurança alimentar, atualmente temas prioritários para o Governo brasileiro. O COFO reúne a cada dois anos especialistas em temas florestais com o objetivo de discutir políticas e questões técnicas, propor soluções e subsidiar os Governos, a própria FAO e outros organismos internacionais, na implementação de ações nas áreas de florestas. Embora a principal instância política internacional para a discussão do tema florestal seja, hoje, o Foro das Nações Unidas sobre Florestas (UNFF), que se reunirá em Maio próximo, em Genebra, as discussões no âmbito da FAO deverão contribuir significativamente para o trabalho a ser desenvolvido pelo Foro.
Paralelamente, no período de 17 a 20 de Março de 2003 foi realizada em Viterbo, Itália, a Reunião sobre Monitoramento, Avaliação e Informação no âmbito do Foro das Nações Unidas sobre Florestas (UNFF). O evento é co-patrocinado pelo Brasil, China, Itália, Japão, África do Sul, Suécia, Turquia, Reino Unido e EUA, com o apoio da FAO e do UNFF.O encontro busca propiciar a troca de informações sobre as experiências nacionais de monitoramento e avaliação dos progressos alcançados na implementação das propostas de ação do Painel Intergovernamental sobre Florestas (IPF) e do Foro Intergovernamental sobre Florestas (IFF) e explorar formas para tornar mais efetivas as atividades de monitoramento e avaliação.
A reunião privilegiou o exame de experiências concretas em temas como, por exemplo, o combate ao desmatamento e à degradação florestal. Nesse contexto, o Brasil, tem relevantes experiências a apresentar, pois dispõe de diversos sistemas e programas de monitoramento e avaliação em áreas florestais, entre os quais o Programa de Prevenção e Controle de Queimadas e Incêndios Florestais na Amazônia Legal – PROARCO; o Sistema Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais – PREVFOGO; o Sistema Integrado de Monitoramento e Controle dos Recursos e Produtos Florestais – SISPROF; o Sistema de Proteção da Amazônia/Sistema de Vigilância da Amazônia – SIPAM/SIVAM; os projetos no âmbito do Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais do Brasil-PPG-7; o Apoio ao Manejo Sustentável na Amazônia – PROMANEJO o Monitoramento e Controle de Desmatamentos e Queimadas – PRODESQUE e, o Programa Manejo de Recursos Naturais da Várzea – PROVARZEA.
O Brasil desempenha um papel de grande relevo nas discussões internacionais sobre florestas por ser o detentor da maior área de florestas tropicais do mundo, bem como por dispor de políticas e instituições dedicadas ao tratamento do tema florestal em suas múltiplas dimensões.
Lúcia Chayb Revista Eco 21, Ano XIII, Edição 76, Março 2003. (www.eco21.com.br)

2030: o ano final do Cerrado


Estudos da ONG ambientalista Conservação Internacional Brasil (CI-Brasil) indicam que o Cerrado deverá desaparecer até 2030.

Estudos da ONG ambientalista Conservação Internacional Brasil (CI-Brasil) indicam que o Cerrado deverá desaparecer até 2030. Dos 204 milhões de ha originais, 57% já foram completamente destruídos e a metade das áreas remanescentes estão bastante alteradas, podendo não mais servir à conservação da biodiversidade.
A taxa anual de desmatamento no bioma é alarmante, chegando a 1,5%, ou 3 milhões de ha/ano. As principais pressões sobre o Cerrado são a expansão da fronteira agrícola, as queimadas e o crescimento não planejado das áreas urbanas.
A degradação é maior em Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso, no Triângulo Mineiro e no Oeste da Bahia.O estudo, feito a partir de imagens satélites, é resultado da parceria da CI-Brasil com a ONG Oréades, que tem sede em Mineiros (GO). “O Cerrado perde 2,6 campos de futebol por minuto de sua cobertura vegetal.
Essa taxa de desmatamento é dez vezes maior que a da Mata Atlântica, que é de um campo a cada 4 minutos,” explica Ricardo Machado, diretor da CI-Brasil para o Cerrado e um dos autores do estudo. “Muitos líderes e tomadores de decisão defendem, equivocadamente, o desmatamento do Cerrado só porque não é coberto por densas florestas tropicais, como a Mata Atlântica ou a Amazônia.
Essa posição ignora o fato de o bioma abrigar a mais rica savana do mundo, com grande biodiversidade, e recursos hídricos valiosos para o Brasil. Nas suas chapadas estão as nascentes dos principais rios das bacias Amazônica, do Prata e do São Francisco.”Entre os problemas provocados pelo desmatamento no Cerrado estão a degradação de rios importantes como o São Francisco e o Tocantins, e a destruição de hábitat que compromete a sobrevivência de milhares de espécies, muitas delas endêmicas, ou seja, que só ocorrem ali e em nenhum outro lugar do Planeta, como o papagaio-galego (Amazona xanthops) e a raposa-do-campo (Dusicyon vetulus). Junto com a biodiversidade estão desaparecendo ainda as possibilidades de uso sustentável de muitos recursos, como plantas medicinais e espécies frutíferas que são abundantes no Cerrado.

Segundo a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, já foram catalogadas mais de 330 espécies de uso na medicina popular no Cerrado. A Arnica (Lychnophora ericoides), o Barbatimão (Stryphnodendron adstringens), a Sucupira (Bowdichia sp.), o Mentrasto (Ageratum conyzoide) e o Velame (Macrosiphonia velame) são alguns exemplos.“Além de calcular a velocidade do desmatamento, o estudo da CI-Brasil também mapeou os principais remanescentes desse bioma, analisando a situação de sua cobertura vegetal”, explica Mário Barroso, gerente do programa do Cerrado da Conservação Internacional Brasil e co-autor do estudo. “Esses dados serão incorporados à nossa estratégia de conservação para o bioma, que está baseada na implementação de corredores de biodiversidade.”
Os corredores de biodiversidade evitam o isolamento das áreas protegidas, garantindo o trânsito de espécies por um mosaico de unidades ambientalmente sustentáveis - parques, reservas públicas ou privadas, terras indígenas, além de propriedades rurais que desenvolvem atividades produtivas resguardando áreas naturais. Hoje, a CI-Brasil está implementando seis corredores de biodiversidade em regiões do Cerrado: Emas-Taquari, Araguaia, Paranã, Jalapão, Uruçuí-Mirador e Espinhaço. O IBAMA, a SEMARH - Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado de Goiás, a Universidade de Brasília e ONGs locais estão entre os parceiros da CI-Brasil nesses corredores.

Dados subsidiam ações de conservaçãoOs dados do desmatamento no Cerrado começam a ser apresentados pela CI-Brasil e seus parceiros a tomadores de decisão dos mais diversos níveis. Em reunião do Conselho Nacional de Biodiversidade - CONABIO, no início de Julho, o estudo foi apresentado ao Secretário de Biodiversidade e Florestas, João Paulo Capobianco. Depois da apresentação, o Secretário declarou que o Ministério do Meio Ambiente criará um grupo específico para discussão de medidas emergenciais para o Cerrado, como foi feito para a Amazônia e a Mata Atlântica.
No Estado de Goiás, que possui muitos remanescentes nativos valiosos de Cerrado, a apresentação do estado de conservação do Vale no Paranã ao Conselho Estadual do Meio Ambiente resultou na criação de Câmara Técnica temporária que discutirá e proporá ações de controle sobre o desmatamento na área. O Vale do Paranã, localizado na divisa dos Estados de Goiás e Tocantins, é considerado um centro de endemismo de aves, tem a maior concentração no Cerrado de um tipo de formação vegetal conhecido como floresta seca, e é remanescente de um corredor natural que ligava a Caatinga ao Chaco paraguaio há cerca de 20 mil anos.
O trabalho da CI-Brasil na área é feito em parceria com a Embrapa Recursos Genéticos, a Universidade de Brasília e as organizações não-governamentais Pequi e Funatura.No Corredor de Biodiversidade Emas-Taquari, que compreende áreas no Sudoeste de Goiás, Sudeste de Mato Grosso e Centro-Norte de Mato Grosso do Sul, os dados de desmatamento estão sendo compartilhados com as prefeituras municipais de 17 municípios.
Com o Projeto Municípios do Corredor de Biodiversidade, a CI-Brasil em parceria com as ONGs Oréades e Oikos está fortalecendo órgãos de meio ambiente municipais e estudais em cada cidade.Técnicos e gestores foram capacitados para o levantamento local de dados, confecção de mapas e aplicação da legislação ambiental.
O projeto inclui ainda a criação de núcleos de educação ambiental e o envolvimento de outros atores locais, como lideranças comunitárias e promotores públicos.“Para frear a destruição do Cerrado, os investimentos do Governo Federal na próxima safra agrícola devem incluir ações de conservação, especialmente na proteção de mananciais hídricos, na recuperação de áreas degradadas e na manutenção de unidades de conservação”, defende Machado. “Se o Governo, as empresas e a sociedade civil se mobilizarem para a criação de um fundo para a conservação do Cerrado associado aos investimentos destinados à produção de grãos, aí sim estaremos implementando, de forma justa e efetiva, a transversalidade da política ambiental no Brasil”.
Revista Eco 21, Ano XIV, Edição 92, Julho 2004. (www.eco21.com.br) - Andrea Margit Jornalista




Técnicas modernas revelam a presença de novos contaminantes ambientais


Graças ao desenvolvimento de novas técnicas de análises químicas e biológicas, um mundo pouco conhecido de contaminantes ambientais, alguns deles comprovadamente prejudiciais a seres vivos, está sendo revelado. São substâncias oriundas de produtos de higiene pessoal e cosméticos, fármacos, praguicidas e nanomateriais, por exemplo.
Para a bióloga e especialista em toxicologia, Gisela de Aragão Umbuzeiro, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ainda é cedo, no entanto, para dizer se esses compostos podem causar problemas ao homem. Ela falou sobre o tema em sua conferência Contaminantes emergentes para a zona costeira, proferida na 62ª Reunião Anual da SBPC, que se realizou em Natal.

Segunda Gisela, até há pouco tempo a química estava na era do miligrama, depois passou para a do micrograma e agora chegou a do nanograma – que trabalha com a matéria na escala de moléculas e átomo. Hoje é possível detectar a presença de determinadas substâncias em concentrações ínfimas no ambiente, principalmente na água.

Entre as que mais preocupam estão os chamados interferentes endócrinos, que são hormônios como estrógenos (responsáveis pelo desenvolvimento sexual feminino) e andrógenos (responsáveis pelas características do sexo masculino), além tiroxina e triiodotironina, que estimulam diversas células do corpo e controlam o crescimento, a reprodução, o desenvolvimento e o metabolismo. Livres no ambiente, eles causam problemas nos sistemas reprodutivos de peixes, aves, anfíbios, répteis e até roedores.

O tributilestanho, mais conhecido como TBT, é outro contaminante emergente que vem sendo estudado. “Trata-se um biocida, usado em tintas para cascos de navios, que evitam a incrustação por cracas”, explicou Gisela. “Estudos feitos pelo pesquisador Marcos Antônio Fernandez, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), detectaram, em moluscos, o aparecimento de características sexuais masculinas, como pênis, em indivíduos do sexo feminino.”

Ela citou ainda como contaminante recém detectado, o triclosan, um bactericida de amplo espectro, usado em medicamentos e produtos de higiene pessoal, como pastas de dente, enxágue bucal, cremes para pele, sabonetes desinfetantes, desodorantes, roupas de cama, roupas esportivas, sapatos e carpetes. Na presença de luz solar, ele se transforma em dioxina, que é altamente tóxica.

De acordo com Gisela, há muito meios dos contaminantes emergentes chegarem ao ambiente, como o descarte de medicamentos não utilizados, a urina e as fezes de humanos e animais, além dos efluentes da agricultura e indústria. Um projeto de pesquisa que vem sendo realizado em São Paulo, do qual a professora da Unicamp participa, já analisou mais de 200 amostras de água. “Em mais de 80% delas foi encontrada a presença de contaminantes emergentes”, disse ela.

Apesar disso, por enquanto não há motivo para pânico. “Embora muitas dessas substâncias estejam no ambiente há muito tempo, não há registros de terem causados problemas em humanos”, tranquilizou. “Mesmo assim, é preciso estudá-los para verificar que efeitos podem ter para a saúde e qual a concentração segura para as pessoas.”
Informe da 62ª Reunião Anual da SBPC, publicado pelo EcoDebate, 03/08/2010

O aproveitamento e a reciclagem do lixo.

Muitas pessoas se preocupam com o impacto dos atuais quase 7 bilhões de habitantes do mundo. Evidentemente o elevado número de pessoas no Planeta é um fator de pressão sobre o meio ambiente.
Acontece que a população vai continuar crescendo até algo em torno de 9 bilhões de habitantes, pois o mundo ainda tem uma estrutura etária relativamente jovem. Somente com o aprofundamento da transição demográfica a população vai parar de crescer. Mas o meio ambiente não pode esperar a “inércia demográfica”.

O que fazer então?

Uma alternativa é diminuir o consumo. Mas, isto também não é simples, pois existem bilhões de habitantes que não possuem condições adequadas de sobrevivência e lutam por uma vida com mais conforto, com mais educação e saúde, com melhores condições de habitação e lazer, etc.
A China, por exemplo, é um país que controlou o crescimento da população, mas liberou o crescimento do consumo e já é o maior mercado para alimentos, moradias, eletrodomésticos, motocicletas, automóveis, celulares, etc.

Uma população maior, com um consumo maior, gera uma montanha maior de lixo e resíduos. Desta forma, a produção e o consumo humanos agridem a natureza duplamente: primeiro sugam os recursos naturais, depois devolvem um volume imenso de lixo que volta para a natureza poluindo os rios, os oceanos, o ar, os terrenos e degradando o meio ambiente. Mesmo o lixo recolhido em aterros sanitários é fonte de poluição e ocupa terrenos e áreas cada vez maiores em torno das grandes cidades.

Sem dúvida precisamos reduzir o consumo supérfluo per capita da humanidade, em especial, daqueles e daquelas que tem alto padrão de consumo conspícuo. Também precisa haver uma melhor distruibuição do acesso aos bens materiais entre e intra os países. Mas uma forma de mitigar e reduzir os danos do consumo médio excessivo da humanidade é por meio de um adequado tratamento e aproveitamento do lixo.

As estatísticas mostram que, no Brasil, são gerados 240 mil toneladas de lixo urbano por dia. Pequena parte é reciclada e a maior parte (fora aqueles que são jogados diretamente no mato, rios e oceanos) vai para aterros sanitários ou lixões. São mais de 200 mil toneladas de lixo e resíduos que ocupam espaço, degradam o ambiente, geram doenças. A decomposição do lixo produz metano (CH4), gás carbônico (CO2) e outras gases poluentes que reforçam o aquecimento global. O chorume, por exemplo, se infiltra no solo e contamina os lençóis freáticos, com o seu alto teor de acidez e bactérias.

Em alguns aterros, se implantou um sistema de captação de gás metano para gerar energia. Existem usinas pilotos (Usinaverde) que são capazes de transformar 30 toneladas de lixo, por dia, em energia suficiente para atender 20 mil habitantes. Portanto, se todo o lixo produzido no país fosse transformado em energia poderíamos economizar bilhões na queima de petróleo e carvão vegetal e mineral. Existem também biodigestores anaeróbicos capazes de processar o lixo em sua forma “natural”, tal como é coletado pelos caminhões nas residências, em energia útil para as residências e as comunidades.
Além de gerar energia, o reaproveitamento dos resíduos contribui para mitigar o impacto sobre o meio ambiente, possibilitando reciclar papéis, plásticos, vidros, metais, etc, o que gera empregos e minimiza problemas de saneamento e saúde pública.

Estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA, 2010) mostra que se a sociedade brasileira reciclasse todos os resíduos urbanos que são encaminhados aos lixões e aterros, poderíamos economizar cerca de R$ 8 bilhões ao ano. Hoje, a economia gerada com a atividade de reciclagem varia de R$ 1,3 a 3 bilhões anualmente. Apenas 14% da população brasileira conta com o serviço de coleta seletiva, e somente 3% dos resíduos sólidos urbanos gerados nas cidades são coletados nos municípios. Neste mês de julho, o Congresso aprovou a Política Nacional de Resíduos Sólidos, sendo obrigação da União, Estados e municípios elaborar e executar planos para tratar os resíduos sólidos, com novas regras para o manejo desse tipo de lixo e a fixação de metas.

A própria coleta do lixo requer um investimento adequado. O modelo implementado na cidade de Barcelona tem servido de exemplo para diversas outras cidades. O esquema catalão de coleta de lixo evita as sujeiras das ruas, causadas por latas de lixo, e evita a circulação de caminhões e a queima de óleo diesel, deixando a cidade mais agradável, silenciosa, limpa e até cheirosa. O sistema é simples (mas não barato), a população recolhe o lixo e o coloca em tubos ligados a um sugador subterrâneo, que leva o lixo até um centro de coleta, onde passa por uma triagem e é transportado para uma usina de reciclagem, afastada da cidade.

Desta forma, o aproveitamento e tratamento do lixo, desde as residências até as usinas de reciclagem e produção de energia, são uma forma de mitigar o impacto das atividades humanas sobre o meio ambiente. Sem dúvida, a pegada ecológica humana pode ter uma redução considerável se o lixo deixar de ser tratado na velha acepção da palavra lixo (restos, entulhos, sujeira, imundície, coisa sem valor), e, sim, for tratado como insumo de materiais reciclados e como fonte de energia.

José Eustáquio Diniz Alves - colunista do EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; expressa seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves{at}yahoo.com.brEcoDebate, 15/07/2010

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Aprovada a Política Nacional de Resíduos Sólidos


Depois de tramitar na câmara por mais de duas décadas, o projeto que prevê que as empresas recolham embalagens usadas segue agora para sanção do Presidente da República.
Foi aprovado pelo plenário do Senado, nesta quarta-feira (7/7), o projeto de lei (PLS 354/89), que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Basicamente, a nova lei regula a reciclagem e disciplina o manejo dos resíduos. O projeto segue agora para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a Agência Senado, o principal alvo do projeto é “um dos mais sérios problemas do país, que é a ausência de regras para tratamento das 150 mil toneladas de lixo produzidas diariamente nas cidades brasileiras”.

De acordo com dados que embasaram o projeto, do lixo produzido no Brasil, 59% vão para os "lixões". Apenas 13% do lixo têm destinação correta, em aterros sanitários. Dos 5.564 municípios brasileiros, apenas 405 tinham serviço de coleta seletiva em 2008.

O projeto de lei foi apresentado na Câmara dos Deputados em 1989 e só começou a ser analisado em 1991. Só neste ano, foi aprovado e enviado ao Senado, onde passou pelas comissões de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), Assuntos Econômicos (CAE), Assuntos Sociais (CAS) e Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA), antes da aprovação em plenário.

“Estamos vivendo um momento histórico. Este projeto mostra a importância do meio ambiente e procura resolver o maior problema ambiental do país hoje que é esta questão dos resíduos sólidos”, disse a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que acompanhou a votação.

Para o senador César Borges (PR-BA), relator do projeto no Senado, o objetivo da proposta é reduzir a geração de resíduos, incentivar a reciclagem e determinar o que fazer com o lixo remanescente.

“Hoje você tem legislações diversas nos estados e nos municípios. Agora, teremos diretrizes gerais para disciplinar o manejo”, afirmou.

André Vilhena, diretor executivo do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), declarou que a proposta é um ganho para o país, pois, está de acordo com os anseios da população brasileira.

*O executivo se mostrou otimista em relação à implementação da lei. “Boa parte das medidas já se verificam no Brasil. Existem, por exemplo, empresas proativas que já fazem a logística reversa. A tendência agora é vermos uma massificação dessa tendência”.

O que muda com a nova lei.

*Em geral, o projeto estabelece a “responsabilidade compartilhada” entre governo, indústria, comércio e consumidor final no gerenciamento e na gestão dos resíduos sólidos.

*As normas e sanções previstas em caso do descumprimento da lei aplicam-se às pessoas físicas ou jurídicas, de direito público ou privado, responsáveis, direta ou indiretamente, pela geração de resíduos.

Consumidores

* Pela lógica da “responsabilidade compartilhada”, os consumidores finais estão também responsabilizados e terão de acondicionar de forma adequada seu lixo para a coleta, inclusive fazendo a separação onde houver coleta seletiva;-

*Os consumidores são proibidos de descartar resíduos sólidos em praias, no mar, em rios e em lagos.

Poder público

*Depois de sancionada a lei pelo Presidente da República, os municípios terão um prazo de quatro anos para fazer um plano de manejo dos resíduos sólidos em conformidade com as novas diretrizes;

* Todas as entidades estão proibidas de manter ou criar lixões. As prefeituras deverão construir aterros sanitários adequados ambientalmente, onde só poderão ser depositados os resíduos sem qualquer possibilidade de reaproveitamento ou compostagem;

*A União, os Estados e os municípios são obrigados a elaborar planos para tratar de resíduos sólidos, estabelecendo metas e programas de reciclagem;

*Os municípios só receberão dinheiro do governo federal para projetos de limpeza pública e manejo de resíduos sólidos depois de aprovarem planos de gestão;

*Os consórcios intermunicipais para a área de lixo terão prioridade no financiamento federal;

*O texto trata também da possibilidade de incineração de lixo para evitar o acúmulo de resíduos.

Indústria e comércio

*A nova lei cria a “logística reversa”, que obriga fabricantes, importadores, distribuidores e vendedores a criar mecanismos para recolher as embalagens após o uso. A medida valeria para o setor de agrotóxicos, pilhas e baterias, pneus, óleos lubrificantes, eletroeletrônicos e para todos os tipos de lâmpadas.

*Depois de usados pelo consumidor final, os itens acima mencionados, além dos produtos eletroeletrônicos e seus componentes, deverão retornar para as empresas, que darão a destinação ambiental adequada.

Cooperativas e associações de catadores e de reciclagem

*O projeto prevê que o poder público incentive as atividades de cooperativas e associações de catadores de resíduos recicláveis e entidades de reciclagem, por meio de linhas de financiamento;

*As embalagens de produtos fabricados em território nacional deverão ser confeccionadas a partir de materiais que propiciem sua reutilização ou reciclagem para viabilizar ainda mais os profissionais de coleta seletiva e reciclagem;

*Proibições gerais e sanções
A lei proíbe:

*Importação de resíduos sólidos perigosos e rejeitos;

*Lançamento de resíduos sólidos em praias, no mar, em rios e lagos;

*Lançamento de resíduos in natura a céu aberto;

*A queima de lixo a céu aberto ou em instalações e equipamentos não licenciados para essa finalidade.

*O infrator que desrespeitar a lei cometerá crime federal, que prevê pena máxima de cinco anos de reclusão e multa, de acordo com as sanções previstas para crimes ambientais relacionados à poluição. A pena, no entanto, não se aplica no caso do lixo doméstico.
Fonte Instituto Akatu

TEXTO COMPLETO DA LEI - (CLIK ABAIXO)
http://www.camara.gov.br/sileg/integras/501911.pdf

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