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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Queimadas Causam Ciclo Maléfico Para O Meio Ambiente



queimada
Gabriel Zacharias, chefe do Centro Especializado Pevfogo Ibama, explica que este é um dos períodos mais críticos da história recente do Brasil em relação aos incêndios florestais. De acordo com ele, são 169 mil focos de calor por ano, e “o incêndio florestal emite os gases causadores do efeito estufa, principalmente o gás carbônico, que faz com que fique mais seco, consequentemente, mais incêndios, que aumentam a temperatura, maior exposição do solo ao sol, causa empobrecimento e, na época da chuva, esse solo é carregado para os rios, causando assoreamento, virando um ciclo.”
Produzir queimadas para preparar o solo para plantação é uma técnica ultrapassada. As folhas secas protegem o solo do calor do sol, mantém a umidade, o que é bom para terra. O incêndio florestal pode ser evitado. Existem outras maneiras de produzir sem utilizar o fogo. Vejam o vídeo.


video

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Relatório Mostra Vulnerabilidade Das Cidades Brasileiras Frente Às Mudanças Climáticas

PBMC divulga documento inédito; no contexto das alterações do clima, as cidades são parte do problema e, ao mesmo tempo, o foco das soluções


O Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) divulgará, durante a COP22, no Marrocos, um relatório inédito mostrando os impactos que o Brasil sofrerá por causa das mudanças climáticas e os poucos esforços para a mitigação desses efeitos sobre o meio ambiente. Entre as previsões do documento está a diminuição da potabilidade da água, o aumento do consumo de energia, um maior risco para as áreas urbanas causadas por catástrofes naturais, além do aumento de doenças e, consequentemente, um inchaço do sistema de saúde. O relatório, que será apresentado entre os dias 7 e 18 de novembro, em Marrakesh, traz ainda novas estratégias na criação de soluções necessárias para que o país consiga se adaptar às mudanças climáticas.
Cidades brasileiras não estão preparadas
Segundo estimativas da UN-Habitat – Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos – o Brasil terá 90% de sua população vivendo em áreas urbanas até 2020. Isto significa a criação massiva de infraestrutura urbana com elevado consumo de energia. Dessa forma, pequenos, médios e grandes centros urbanos assumem o protagonismo no combate às intempéries do clima, sendo responsáveis pelo consumo de 70% da energia disponível e por 40% das emissões de gases de efeito estufa. É importante notar que este aumento se dará em quase sua totalidade nos países em desenvolvimento. Dependendo de como a política para o planejamento urbano for implementada, este aspecto poderá tanto ser positivo com modelos de urbanização modernos e sustentáveis ou negativo, com a continuidade do crescimento caótico das cidades dos países mais pobres.
Diante desse cenário, é possível avaliar que poucas cidades brasileiras têm políticas direcionadas para sustentabilidade, e precisam se apressar para se adaptarem às mudanças já sentidas pelos fenômenos climáticos, como aumento de temperatura e nível do mar, ilhas de calor, inundações, escassez de água e alimentos, acidificação dos oceanos e eventos extremos. Como exemplo, o relatório aponta a deficiência e vulnerabilidade das cidades, as situações de emergência e de calamidade pública decorrentes dos desastres naturais.
Para a cientista Suzana Kahn, presidente do Comitê Científico do PBMC, durante anos, o foco mundial em resposta às mudanças climáticas tem sido em torno dos estados nacionais, o que não vem gerando acordos globais satisfatórios ou medidas eficazes de adaptação. Algumas prefeituras já iniciaram a elaboração de inventários de emissões de gases de efeito estufa e assumiram um protagonismo no debate sobreo que pode ser feito para garantir que a qualidade de vida da população não seja sofra impactos com a intensificação dos desastres naturais. No entanto, a pesquisadora lembra que o desafio do aquecimento global é apenas uma das diversas questões na agenda local das cidades. 
– Os governos também são confrontados entre as prioridades atuais e os riscos a longo prazo, sendo essa situação agravada pelas incertezas que podem envolver o cronograma e a gravidade dos impactos relacionados com o clima em uma cidade. É necessário se preparar, pois os problemas causados no âmbito global acontecerão de forma local.
Confira abaixo as principais conclusões do relatório:
Cidades devem sofrer problemas em relação à potabilidade da águaA elevação das temperaturas tem impactado os recursos hídricos. A intensificação dos períodos de secas e as modificações nos regimes de chuvas poderão influenciar a quantidade e a qualidade dos recursos hídricos disponíveis para o abastecimento das cidades. Por outro lado, o relatório mostra que o grande volume de chuva em curto espaço de tempo pode aumentar problemas de vazão, alagamentos e enchentes. O resultado desses eventos é que, como a contaminação fica mais concentrada nos rios, a sujeira é levada para fontes potáveis quando ocorrem chuvas intensas
O descaso das cidades com a qualidade da água de seus rios também é responsável pela escassez em muitos lugares. As situações de maior déficit ocorrem no Semiárido Nordestino e o nível de chuvas no Nordeste poderá diminuir cerca de 22% até 2100.
Problemas de abastecimento também devem estar na agenda das cidades. Um diagnóstico da situação de 5.565 municípios brasileiros sobre a disponibilidade hídrica, demanda urbana e capacidade de produção de água preocupa. Cerca de 55% e 35% das capitais e conglomerados foram classificados como “requer novo manancial” ou “requer novo sistema de produção”, respectivamente. Com aumento de 28% na demanda média do abastecimento urbano de água entre 2005 e 2025, as cidades precisarão investir algo em torno de R$ 22 bilhões para dar aos sistemas de produção a capacidade de 60 metros cúbicos de água por segundo a cada década.
Consumo de energia deve subir 8% acima do projetado para 2030
A geração de energia sofrerá consequências com as alterações do clima. Em 2015, 75,5% da energia elétrica gerada no Brasil foi de origem renovável, sendo 64% hidrelétricas, 8% biomassa, 3,5% eólica e 0,01% solar. A mudança do clima e alterações no regime de chuvas podem provocar menor vazão nas bacias brasileiras. Na região Nordeste, a queda na vazão do rio São Francisco pode chegar a registrar reduções de 24,6% e consequente diminuição de 7% na produção de energia hidráulica. No território nacional, estima-se redução entre 1% a 2,2% na produção de energia hidráulica. Caso as alterações climáticas ganhem as proporções esperadas, haverá perdas na capacidade de geração de energia. 
No caso da energia solar, eólica e biomassa, temperaturas extremas podem impactar desde os padrões dos ventos até o surgimento de mais nuvens, afetando todo o processo de geração de energia. Até o final do século, o potencial eólico no país pode cair até 60% devido à redução na ocorrência de ventos superiores a seis metros por segundo, velocidade mínima necessária para geração eólica. Nas usinas térmicas, a maior vulnerabilidade está na redução de água disponível para resfriamentos das máquinas, levando à queda de produtividade.
Edificações devem sofrer graves danos
Os domicílios brasileiros apresentam grande variação quanto à vulnerabilidade: edificações construídas com materiais inadequados, localizados em áreas de declive, sujeitas à inundações e em encostas estão mais vulneráveis que domicílios em boas condições, situados em áreas não expostas a determinados riscos.
Entre 2008 e 2012, 37,1% dos municípios brasileiros foram atingidos por alagamentos, enquanto que 895 registraram desabamentos no mesmo período. As regiões Sudeste (45,2%) e Sul (43,5%) foram as mais atingidas por alagamentos, com destaques para os estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Santa Catarina. Já a região Nordeste lidera os eventos de deslizamentos e desabamentos, sendo responsável por 50,06%, enquanto que o Sudeste aparece em segundo lugar, com 45,32% dos incidentes. Nessas regiões, destacam-se os estados de Pernambuco, com 5.910 ocorrências; São Paulo, com 4.981 eventos e Rio de Janeiro, com 4.969 incidentes. 
A resistência da infraestrutura urbana também preocupa. Ainda que eventos extremos como furacões sejam raros, o material utilizado na construção civil ainda é sensível às alterações climáticas, que podem causar sérios danos à estrutura das edificações. Para superar esses desafios, é necessário efetividade nas políticas públicas e investimentos e incentivos no setor.
Alterações climáticas devem sobrecarregar o sistema de saúde
Os eventos climáticos não impactam apenas o meio ambiente. Considerando o aumento de 25% no regime de chuvas na região sudeste da América do Sul, cidades situadas no Sul do país poderão registrar crescimento de doenças. O aumento de inundações e secas causará efeito devastador sobre a saúde, especialmente nas pessoas que vivem em comunidades mais sensíveis. Com esse cenário, doenças como malária e dengue, mais incidentes nos países de clima tropical, são alguns dos problemas de saúde pública decorrentes do aquecimento global. As intensas ondas de calor também podem ter impacto nas doenças crônicas, como problemas cardiovasculares. 
Estratégias de adaptação precisam de parceria entre esferas de governo e setor privado
A elaboração das medidas de adaptação e mitigação considerou diversos setores, como recursos hídricos, gestão de risco aos desastres naturais, infraestrutura, indústria, zonas costeiras, saúde, entre outros. Todos os esforços têm como ênfase o cenário nacional, embora o relatório ressalte a necessidade de gestores municipais e do setor privado assumirem as diretrizes para adaptação em nível local. O país possui uma variedade de características ambientais, climáticas e geográficas. Dessa forma, como os municípios brasileiros têm níveis diferentes de desenvolvimento social, urbano e econômico, é necessário conciliar essas diferenças para que as ações de mitigação tenham o resultado pretendido.
Algumas opções de adaptação para cada setor:
Setor
Mudança climática e possíveis impactos
Opções de Adaptação
Transportes
Aumento na frequência de Eventos Extremos; Aumento do nível do mar.
– Realocação de estradas e vias, mudanças nos projetos e substituição e adequação de estruturas, como pontes, estradas e pavimentos.
Energia
Aumento na frequência de eventos extremos; aumento do nível do mar.
– Melhoria da infraestrutura de energia, realocação de linhas de distribuição, mudanças nos projetos e substituição e adequação de estruturas.
– Diversificação das fontes renováveis por conta de riscos na oferta de energia.
Uso do solo
Aumento na frequência de eventos extremos.
– Parques lineares localizados na margem de córregos para minimizar os impactos de cheias.
Recursos Hídricos
Aumento da Temperatura e Redução dos Volumes Pluviométricos.
– Mais eficiência do uso da água (ex. reuso);
– Incentivo econômico (ex. cobrança e regulamentação do uso da água), diminuindo o desperdício e aumentando a eficiência;
– Aumento da capacidade de armazenamento, captações de cursos de água e as transferências de água;
– Recuperação das bacias hidrográficas.
Ecossistemas
Perda de Biodiversidade
– Pagamento de serviços ambientais, REDD+ e manejo comunitário;
Agricultura
Aumento das temperaturas e secas
-Desenvolvimento de novos cultivares (ex. variedade de soja para condições de altas temperaturas e menor disponibilidade de água; espécie de cana‑de‑açúcar que demanda menor quantidade de água) desenvolvidos pela Embrapa.
Colaboração de Pedro Henrique Sant’Anna, in EcoDebate

A Translação Do Oceano No Leblon E A Erosão Do Litoral Brasileiro


calçadão do Leblon após ressaca
  O último fim de semana de outubro de 2016, no Brasil, foi marcado pelo segundo turno das eleições municipais, mas também pela ressaca que atingiu várias cidades e regiões do país. Isto mostra que o aquecimento global e o aumento do nível do mar já são uma realidade inquestionável. Somos a primeira geração a sentir os efeitos do crescente aumento da acumulação de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera e, talvez, a última geração que ainda terá alguma chance de evitar uma catástrofe climática.
O que aconteceu no último fim de semana de outubro foi apenas um alerta. Foi um sinal de que os “céticos do clima” estão equivocados e que o Brasil precisa se preparar para o avanço das águas salgadas sobre as construções humanas. A cidade do Rio de Janeiro é a maior aglomeração urbana do litoral brasileiro e conta com uma população superior a 6 milhões de habitantes. Duas pessoas morreram quando um trecho da ciclovia Tim Maia foi derrubado pela fúria das ondas, no feriado de Tiradentes, no 21 de abril de 2016.
Em 2016 aconteceram diversas translações do mar sobre as praias da cidade, como a invasão do mar na avenida Atlântica, em Copacabana, pouco antes das Olimpíadas. Mas nenhuma translação teve o impacto da ressaca que destruiu um trecho do calçadão do Leblon e invadiu a avenida Delfim Moreira, levando areia e entulho até a calçada dos prédios, gerando prejuízos nas garagens dos edifícios de um dos bairros mais ricos da cidade. A estrutura do Mirante do Leblon foi atingida e danificada, enquanto outros trechos correm o risco de afundar devido à erosão.
Tudo isto aconteceu no sábado (dia 29 de outubro). Mas o mais impressionante é que a vulnerabilidade do litoral carioca sequer foi mencionada por qualquer dos dois candidatos à prefeitura do Rio de Janeiro, que protagonizaram um debate repleto de denúncias e ataques pessoais na sexta-feira (dia 28/10). Ou seja, as praias cariocas estão sendo invadidas pelo mar e a maior parte das construções costeiras podem ficar submersas – gerando enormes prejuízos materiais – porém, a campanha eleitoral esteve dominada pela guerra de desqualificação mútua das candidaturas. Não surpreende, pois, o alto número de votos nulos, brancos e abstenções. Parece que os políticos, quer seja de esquerda ou de direita, não estão preparados para os grandes desafios e riscos pelos quais passam as metrópoles brasileiras diante das mudanças climáticas.

calçadão do Leblon após ressaca

No mesmo dia 29 de outubro, a cidade de Santos, no estado de São Paulo, sofreu mais uma vez os efeitos da ressaca, com ondas de 3 metros avançando sobre a cidade. Na Ponta da Praia cairiam muretas e pedras dos mosaicos portugueses da calçada se soltaram. A travessia de balsas entre Santos e Guarujá chegou a ficar paralisada por duas horas por conta da agitação da maré. A orla da Ponta da Praia ficou cheia d’água e também gerou prejuízos no lado da calçada dos prédios. Segundo o jornal A Tribuna, mais de 20 toneladas de areia e entulho foram removidas. Houve bloqueio de tráfego na avenida da praia (Av. Saldanha da Gama), entre o Canal 6 e Av. Capitão João Salermo. Os desastres estão virando rotina em Santos.
No Rio Grande do Sul, a ressaca causou transtornos para a população que vive no litoral gaúcho. No município de Santa Vitória do Palmar, mais de 100 casas foram atingidas pela força do mar. A cidade ficou sem abastecimento de água e luz. Um vídeo feito por um morador mostra o momento em que uma casa foi destruída (ver no link abaixo). De acordo com a Defesa Civil, dezenas casas foram destruídas, e outras 30 correm risco de desabar.
Estes são alguns exemplos de destruição provocada pelo aumento do nível do mar, em apenas um fim de semana. A tendência é que estes acontecimentos vão se multiplicar nas próximas décadas. Toda a costa brasileira está ameaçada.
O litoral brasileiro foi o ponto de encontro de duas civilizações e se tornou a “cabeça de ponte” fundamental para a colonização portuguesa no continente americano. Como disse frei Vicente de Salvador: “os portugueses arranharam a costa brasileira feito caranguejo”. A maior parte da população e da economia brasileira está localizada nas áreas litorâneas. Durante cinco séculos, o Brasil explorou as riquezas existentes entre as ondas e as baixadas costeiras. Aproveitou a fertilidade do oceano e dos deltas dos rios para construir cidades e para espalhar a presença humana ao longo e às custas da Mata Atlântica. Mas, agora no século XXI, o litoral está submergindo em decorrência do avanço do mar provocado pelo aquecimento global.
Da chegada de Pedro Álvares Cabral até agora, os benefícios dos ecossistemas costeiros superaram os custos do processo civilizatório. Mas as indicações apontam que esta relação está se invertendo e os custos podem superar os benefícios nas próximas décadas. A natureza degradada pode não suportar mais o peso do modelo “extrai recursos, produz bens e serviços e descarta lixo, poluição e resíduos sólidos” (fluxo metabólico entrópico). O aumento da concentração de dióxido de carbono está provocando a acidificação das águas e do solo, o que reduz a vida marinha e terrestre e provoca extinção de espécies. O efeito estufa degela o Ártico, a Groenlândia, a Antártica e os glaciares e os fluxos do derretimento do gelo caem nas águas quentes dos oceanos e eleva o nível dos mares, que, por sua vez, avançam inexoravelmente sobre as áreas mais baixas dos continentes.
O afundamento do litoral brasileiro e a inundação das partes baixas das cidades litorâneas vão gerar um grande dano à economia brasileira e ao padrão de vida da população. O choque climático pode agravar o choque social e gerar uma espiral descendente para o futuro do desenvolvimento brasileiro.
Referências:
G1. Após ressaca, trecho de calçadão no Leblon corre risco de afundar; O Globo, 29/10/2016
A Tribuna. Novo episódio de ressaca é esperado para domingo, Santos, 29/10/2016
G1. Ciclone extratropical se afasta do RS, mas alerta de ressaca segue no litoral, 29/10/2016
Fonte: José Eustáquio Diniz Alves - Colunista Ecodebate

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Aquecimento global: 5 efeitos assustadores que podem impactar sua vida

aquecimento global
O agravamento do aquecimento global é uma realidade que já havia sido prevista anos e anos atrás. Afinal, saber que ele iria acontecer era mais ou menos tão fácil quanto somar dois mais dois. E, mesmo assim, pouco (ou quase nada) se fez e faz para diminuir seu ritmo ou minimizar seus efeitos. E falando em efeitos…
Em resumo, os efeitos assustadores são:

1. A vida ficaria confusa

As mudanças climáticas promovidas pelo agravamento do aquecimento global podem, e provavelmente vão, causar uma confusão gigantesca na organização dos ecossistemas. Várias espécies vão perder seus habitats naturais, muitas delas serão extintas. Muito lugares ficarão alagados e outros irão padecer com a seca – o que nos leva ao segundo efeito assustador do aquecimento global.

2. Redistribuição mundial de fornecimento de água e colheita

“Redistribuição”, na verdade, é um termo bem generoso. Falando assim parece que as plantações de arroz vão gentilmente levantar acampamento e procurar um novo lugar para se desenvolverem. Não é bem assim. O que vai acontecer é que nossos alimentos básicos não terão as condições necessárias para crescer e, portanto, faltará alimento. Então, você pode questionar, comeremos os animais, certo? Mas, se os animais não tiverem o que comer, logo eles serão extintos também. Ninguém se reproduz com fome. Aliás, bem pelo contrário. As espécies morrem quando estão com fome. O mesmo acontecerá com a gente, seres humanos.

3. Espécies serão extintas pelo derretimento do gelo polar

As calotas polares vão derreter, como já estão fazendo. Só que vão derreter de verdade, provocando a extinção não apenas dos animais que vivem no gelo, como também a de animais que vivem em áreas que serão alagadas por todo esse gelo que vai virar água. E, claro, populações inteiras que vivem na costa do mar, ou bem perto dela, também podem começar a se despedir. As Filipinas, a Indonésia e até a rica cidade de Nova York estão entre as regiões ameaçadas.

4. Acidificação dos oceanos

Não que seja possível classificar os efeitos do agravamento do aquecimento global em uma escala de “menos pior” para “muito pior”. Mas se alguém me pedisse para fazer isso, a acidificação dos oceanos com certeza estaria em um lugar perto do topo da minha lista. Isso porque, com o aumento da temperatura do nosso planeta, uma mudança no pH da água é esperada, que por sua vez acaba matando diversas espécies e inclusive tem potencial para acabar com toda a vida marinha. É algo como matar o mar.

5. A Circulação Termoalina seria interrompida

A Circulação Termoalina é a circulação oceânica global, movida pela diferença de densidade entre as águas dos oceanos. Com o agravamento do aquecimento global, essa diferença de densidade pode não ser suficiente para dar força a essa circulação, que pode parar. Com isso, todo o clima do mundo iria mudar. Não sabemos exatamente como, mas coisa boa certamente não seria. O que é mais provável é que as águas do oceano fiquem estagnadas, o que provocaria uma extinção em massa das espécies marinhas. Sem oxigênio, nas águas haveria uma proliferação de bactérias anaeróbias que produzem sulfeto de hidrogênio em grande escala. Esse sulfeto de hidrogênio cheira mais ou menos como ovo MUITO podre.
Resumindo: tudo vai morrer e a Terra vai ficar cheirando como se 20 bilhões de ovos podres estivessem espalhados pela nossa superfície. Não parece bom, não é?

domingo, 23 de outubro de 2016

A Aceleração Da Subida Do Nível Dos Oceanos E As Ressacas Em Santos

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 A emissão de gases de efeito estufa provocam o aquecimento global que, por sua vez, provocam o degelo dos glaciares e acelera o ritmo de aumento do nível dos oceanos. Um artigo recente publicado na revista Nature avaliou a história da elevação do nível do mar e comprovou que o ritmo está se acelerando. Segundo o principal autor, João Fasullo (do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica) a taxa de aumento do nível do mar está aumentando.
Ele diz: “Este artigo mostra que a aceleração do aumento do nível do mar é real e permanente. É também um exemplo de como os modelos climáticos pode desempenhar um papel-chave na interpretação de observações e a previsão de clima futuro próximo”.
Os estudos mostram que entre 1900 e 2000, o nível dos oceanos subiu cerca de 14 centímetros como consequência do degelo das geleiras e glaciares. Artigo de Nicola Jones, no site e360 Yale, coloca com clareza as tendências mais recentes. Ela começa dizendo que 99% do gelo de água doce do planeta está preso nas calotas da Antártica e da Groenlândia e que o degelo, especialmente desta última, poderá fazer o nível do mar aumentar 1,8 metro no século XXI e muito mais no século XXII.
Mas antes mesmo deste cenário catastrófico do avanço inexorável das águas marinhas, a situação já está problemática. São inúmeros os exemplos de partes do litoral brasileiro que sofrem com a erosão e os prejuízos provocados pelas ondas e a invasão do mar.
No dia 27 de abril de 2016, uma forte ressaca atingiu várias cidades da Baixada Santista, no litoral de São Paulo. Parte das tradicionais muretas de contenção da orla da praia de Santos, consideradas um dos cartões-postais da cidade, ficaram destruídas por causa das ondas. A água do mar invadiu a pista sentido Ponta da Praia da avenida Bartolomeu de Gusmão. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de Santos bloqueou diversas vias. Os fortes ventos também provocaram queda de árvores na avenida dos Bancários. O mau tempo paralisou completamente o serviço de transporte de balsas entre Santos e Guarujá por quase três horas. De acordo com a Base Aérea de Santos, os ventos na região chegaram a quase 90 km/h e as ondas provocadas pela ressaca ultrapassaram os 3 metros de altura.
Quatro meses depois, em 21 de agosto de 2016, uma frente fria chegou à Baixada Santista provocando inúmeros estragos na região, segundo o jornal Tribuna. Além da queda na temperatura, a mudança no tempo fez com que uma forte ressaca no mar destruísse novamente o Deck do Pescador na Ponta da Praia. A força do mar fez com que as ondas tomassem a avenida da praia, nos dois sentidos, e invadissem a garagem de diversos prédios no trecho entre os canais 6 e 7. Por segurança, o tráfego na avenida está bloqueado desde o início da tarde. Os fortes ventos também fizeram com que uma embarcação fosse arrastada da Ponta da Praia em direção às muretas de proteção da orla, além de paralisar a travessia das balsas e derrubar diversas árvores. Os prejuízos foram os maiores do ano.

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O jornal A Tribuna mostrou que no dia 15 de setembro de 2016 houve novas inundações em Santos. A elevação da maré e a ressaca causaram alagamentos em vários pontos da cidade. A água do mar invadiu parte da pista José Menino/Ponta da Praia na Avenida Almirante Saldanha da Gama, na altura do Deck do Pescador. Vias do Gonzaga e da Zona Noroeste também ficaram cheias d’água. Os dramas estão se repetindo com maior frequência. O sumiço da areia na Ponta da Praia não é novidade e o desaparecimento na maré alta deve ocorrer em pouco tempo.

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Reportagem de Mariane Rossi mostra que uma pousada foi arrastada e destruída pela água do mar durante uma ressaca que ocorreu durante o fim de semana (18 e 19 de setembro de 2016) em Ilha Comprida, no litoral de São Paulo. A foto abaixo mostra a pousada ‘Filhas do Sol’ que foi destruída pela força das ondas. A água entrou e arrebentou o piso do imóvel, o que fez a pousada tombar para o lado e ficar inclinada. Segundo a Prefeitura de Ilha Comprida, além da Pousada, várias casas foram invadidas pela água, mas ninguém perdeu a vida e houve muitos danos materiais.

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Os desastres de Santos são apenas um pequeno exemplo do que está acontecendo no Brasil e no mundo. A tendência é que estes eventos se multipliquem nos próximos anos e décadas. No fim e ao cabo, todas as áreas litorâneas baixas podem ficar debaixo d’água, gerando grandes danos materiais e humanos, conforme pode ser visto no link do vídeo abaixo.
Resultado do estudo “Uma estrutura integrada para analisar tomada de decisão local e capacidade adaptativa para mudança ambiental de grande escala: estudos de casos de comunidades no Brasil, Reino Unido e Estados Unidos”, apoiado pela FAPESP, estima que o nível do mar na cidade pode aumentar entre 18 e 30 centímetros até 2050 e entre 36 centímetros e 1 metro até 2100. A combinação dessa elevação com uma sobrelevação causada por uma ressaca forte (ondas elevadas e maré meteorológica) e numa fase de maré de sigízia (maré astronômica de maior amplitude, que ocorre durante as luas cheia e nova, quando o Sol e a Lua estão alinhados em relação à Terra e há maior atração gravitacional), pode resultar em grandes inundações e enormes prejuízos, poios a planície costeira de Santos apresenta declividades muito baixas e altimetrias inferiores a 3 metros. Além disso, o nível do lençol freático da cidade é muito raso, o que a torna muito suscetível a inundações provocadas pelo mar e alagamentos devido às chuvas intensas.
As mudanças climáticas fazem crescer os perigos da “sociedade de risco”. Todos os desastres contemporâneos devem ser encarados como um alerta. A humanidade precisa reduzir sua pegada ecológica e respeitar as fronteiras planetárias. Só com decrescimento das atividades antrópicas será possível respeitar a capacidade de carga do Planeta e minimizar os acidentes ecológicos.
Não dá mais para manter o crescimento demoeconômico dos últimos 250 anos. A sociedade deve seguir o caminho da simplicidade voluntária, ampliar as áreas anecúmenas e restaurar a capacidade de recuperação dos ecossistemas.
Referências:
J. T. Fasullo, R. S. Nerem & B. Hamlington. Is the detection of accelerated sea level rise imminent? Nature, 10/08/2016

Nicola Jones. Abrupt Sea Level Rise Looms, e360 Yale, 05 May 2016
Mar avançou em direção a edifícios localizados na avenida da praia. Deck do Pescador também foi destruído, Tribuna On-Line, 21/08/2016
Mariane R. Ressaca destrói pousada e paisagem é modificada em SP, G1 Santos, 19/09/2016
Jose Antonio Marengo Orsin. Uma estrutura integrada para analisar tomada de decisão local e capacidade adaptativa para mudança ambiental de grande escala: estudos de caso de comunidades no Brasil, Reino Unido e Estados Unidos, FAPESP, 2016
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate

Sustentabilidade, Um Novo Paradigma

sustentabilidade

Nem à esquerda, nem à direita, rumo à sustentabilidade. Essa nova teoria política responde às necessidades do século XXI, o da crise climática e das metrópoles urbanas, se distinguindo das receitas do neoliberalismo e do estatismo.
O neoliberalismo, que sacraliza o livre mercado acompanhado de um “Estado mínimo”, não atende às necessidades de preservação nem do patrimônio natural, nem do patrimônio humano, social e econômico das sociedades contemporâneas. Na crise financeira global de 2008, a economia internacional teve de ser salva por intervenções estatais, com destaque para o governo americano que aumentou seu poder de endividamento para socorrer o sistema financeiro.
O estatismo, por outro lado, já evidenciou seus limites nas últimas décadas desde a derrocada da União Soviética, do leste europeu, de Cuba e da tragédia social vivida atualmente na Venezuela. O único regime político estatizado que vingou economicamente foi a China e para isso ela se flexibilizou para o mercado, assumindo característica peculiares e se encontrando ainda em evolução.
As democracias ocidentais usam sustentabilidade na retórica, mas não inibem o desmatamento nem a exclusão social. Com a globalização da economia, na Era do Capitalismo Financeiro, esse se caracteriza pela volatilidade e o imediatismo, ou seja, o mercado vai atrás do lucro instantâneo onde ele estiver. Projetos que desmatam a Amazônia para plantar cana, mais a soja e a pecuária lá, agravam a crise climática.
Também nenhum modelo de estatismo teve compromissos com a sustentabilidade, em suas dimensões econômica, social, ambiental, cultural, ética, política ou estética. Um dos “gargalos” do crescimento chinês (tal como ocorrera com os europeus) é o esgotamento dos seus recursos naturais, incluindo a crise hídrica.
Um novo paradigma para o século XXI requer um novo papel do Estado e do “mercado”, não como antagonistas, mas como complementares, bem como o protagonismo dos organismos internacionais como ONU, Unesco, OMC. Um exemplo “sustentabilista” foi dado por Barack Obama e Xi Jinping, presidente americano e secretário geral do PC chinês, ao assinarem esse ano um acordo de cooperação para reduzir a emissão de carbono na atmosfera. Nesse acordo sino-americano não há supremacia nem do “mercado” que move a economia americana nem da “economia estatal” chinesa.
O terceiro setor e a sociedade civil são importantes nesse novo modelo de desenvolvimento, que não tem um Estado mínimo nem máximo, mas necessário. Um Estado não meramente “indutor” do desenvolvimento, mas que emana da própria sociedade e responde às necessidades de planejamento com visão estratégica para dar respostas às questões do século XXI.
Montserrat Martins, Colunista do Portal EcoDebate, é médico psiquiatra, bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais e ex-presidente do IGS – Instituto Gaúcho da Sustentabilidade.

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