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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Projeto utiliza coco e bagaço de cana na remoção de poluentes de água

Uma pesquisa, sobre a viabilidade de utilização do coco e do bagaço de cana na remoção de diversos poluentes da água, está sendo desenvolvida no Espírito Santo com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo (Fapes). O projeto, coordenado pelo professor Joselito Nardy Ribeiro, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), tem por objetivo utilizar material residual de baixo custo na remoção de fármacos, pesticidas, corantes e metais das águas usadas no abastecimento.
A equipe optou por estudar o mesocarpo do coco e bagaço de cana pelo fato de serem abundantes no Espírito Santo e apresentarem baixo custo. Além disso, segundo o coordenador da pesquisa, o projeto visa a criar mais uma alternativa para o uso destes resíduos agrícolas, impedindo o acúmulo deles no meio ambiente.

A equipe recolheu cocos nas praias e, em laboratório, os trataram, eliminando possíveis contaminantes. Em seguida, o coco foi triturado em liquidificador industrial e acoplado a estações de tratamento de água, de forma que ficasse responsável pela filtragem.

O professor Joselito fala sobre o resultado alcançado. “A água contaminada, passada através deste filtro para remoção dos poluentes, foi analisada e os resultados indicam que o mesocarpo do coco e o bagaço da cana são capazes de remover quantidades significativas de alguns poluentes”.

Ele relata que já foram apresentados trabalhos em congressos sobre a utilização do mesocarpo do coco, como filtro, e destaca o apoio da Fapes na realização do projeto.

“Este apoio veio na forma de financiamento de projetos e fornecimento de bolsas de Iniciação Científica, Iniciação Cientifica Júnior e Mestrado. O nosso Laboratório de Química e Bioquímica Ambiental (Ufes/Ifes) foi equipado com os recursos de projetos submetidos à Fapes. Com isso foi possível adquirir equipamentos, reagentes, microcomputadores e vidrarias de laboratório. O apoio da Fapes foi fundamental para execução deste e de outros projetos na área ambiental”.

A equipe continuará utilizando esta técnica em testes com outros poluentes, trabalhando para que futuramente os resíduos do coco e da cana sejam transformados em componentes de filtros de estação de tratamento. O coordenador explica que a técnica é muito viável, pois o carvão ativado é o material utilizado nas estações, uma substância de custo elevado e que não remove todos os tipos de poluente.
Fonte: Fapes EcoDebate

Justiça Federal manda paralisar parcialmente obras de Belo Monte

A Justiça Federal concedeu, nesta terça-feira (27), liminar determinando a imediata paralisação das obras de construção da Hidrelétrica de Belo Monte somente no Rio Xingu, local onde são desenvolvidas atividades de pesca de peixes ornamentais pelos associados da Associação dos Criadores e Exportadores de Peixes Ornamentais de Altamira (Acepoat). A entidade é autora de ação ajuizada na 9ª Vara Federal, especializada no julgamento de causas ambientais.

Na decisão (leia a íntegra), o juiz federal Carlos Eduardo Castro Martins proíbe o consórcio Norte Energia S.A. (Nesa), responsável pelas obras de construção da usina, de fazer qualquer alteração no leito do Rio Xingu, como “implantação de porto, explosões, implantação de barragens, escavação de canais, enfim, qualquer obra que venha a interferir no curso natural do Rio Xingu com conseqüente alteração na fauna ictiológica.”

O magistrado ressalta, entanto, que poderão ter continuidade as obras de implantação de canteiros e de residências, por não interferirem na navegação e atividade pesqueira. A multa diária fixada pela 9ª Vara Ambiental, caso a liminar seja descumprida, é de R$ 200 mil. Ainda cabe recurso ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, com sede em Brasília (DF).

Na ação, a Acepoat informa ao Juízo que atua na área de pesca de peixes ornamentais mediante licença de operação regulamente concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Acrescenta ainda que o início dos trabalhos para a construção da Usina de Belo Monte irá inviabilizar totalmente a atividade pesqueira na região, uma vez que o acesso ao Rio Xingu estará impedido, tanto para pescadores quanto para os peixes.

A entidade também alega que a concessão da licença de instalação do complexo de Belo Monte é incompatível com as licenças de operação anteriormente concedidas às empresas representadas pela Associação, por se tratarem de atividades diferentes no mesmo local. A continuidade das obras da hidrelétrica, segundo a Acepoat, pode resultar até mesmo na extinção das principais espécies de peixes na região do Xingu.

Na decisão liminar, de 11 laudas, o juiz federal Carlos Eduardo Martins considera que, em príncípio, as licenças de operação concedidas aos associados da Acepoat e a licença de instalação da Hidrelétrica de Belo Monte não são incompatíveis, “por serem as atividades distintas e, mesmo quando as atividades são iguais, como no caso das empresas exportadoras de peixes ornamentais, é possível serem expedidas várias licenças com o mesmo objeto”.

Prejuízos – O magistrado admite, no entanto, que a escavação de canais e a construção de barragens “poderão trazer prejuízos a toda comunidade ribeirinha que vive da pesca artesanal dos peixes ornamentais)”.

A decisão liminar destaca ainda que a fase de implantação do sistema provisório de transposição de embarcações, que poderia permitir que os pescadores transitassem com suas embarcações, só tem previsão de ocorrer no período de outubro a dezembro deste ano, prazo que, estima o juiz federal, “provavelmente não será cumprido, assim como os demais”.

Carlos Eduardo Martins também conclui, com base em informações que constam do Projeto Básico Ambiental da Hidrelétrica de Belo Monte, que os pescadores representados pela Acepoat serão diretamente prejudicados pelo início das obras da construção da usina e somente poderão retomar plenamente as suas atividades no ano de 2020, prazo de finalização da implantação da última fase de um projeto de aqüicultura que se desenvolve na região.

“Ora, não é razoável permitir que as inúmeras famílias, cujo sustento depende exclusivamente da pesca de peixes ornamentais realizada no Rio Xingu, sejam afetadas diretamente pelas obras da hidrelétrica, ficando desde já impedidas de praticar sua atividade de subsistência, sem a imediata compensação dos danos. O projeto de aquicultura que será implantado no inaceitável prazo de 10 anos, ao menos em uma análise superficial, não garantirá aos pescadores a manutenção das suas atividades durante tal período, mormente porque a licença de implantação das etapas que darão início à construção da usina já foi expedida pelo Ibama em junho de 2011”, afirma o juiz federal.
Fonte: Justiça Federal – Seção Judiciária do Pará

Professor da Esalq critica redução de APP prevista no projeto do novo Código Florestal

A definição de mata ciliar a partir do leito regular dos rios, incluída no projeto de reforma do Código Florestal (PLC 30/2011), modificando o referencial atual, a partir do leito maior no período de cheias, é alvo de críticas do professor Ricardo Ribeiro Rodrigues, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP).

Ao falar aos senadores nesta terça-feira (27), em debate conjunto das comissões de Meio Ambiente (CMA), de Ciência e Tecnologia (CCT) e de Agricultura (CRA), o pesquisador afirmou que a simples mudança de critério de delimitação das Áreas de Preservação Permanente (APPs) representará a redução da vegetação ao longo de todos os rios do país.

Conforme ressaltou, essas APPs exercem papel de filtro para conter sedimentos, reduzindo em até 97% o carreamento de resíduos para os cursos d’água, além de contribuírem para impedir a poluição dos recursos hídricos e a erosão do solo.

Rodrigues lembrou que as áreas de preservação e de reserva legal exercem o papel de corredores ecológicos, essenciais para sobrevivência das espécies. Conforme observou, mesmo pequenos fragmentos são essenciais, atuando como trampolins ecológicos, por exemplo, para morcegos que fazem a dispersão de sementes e por insetos responsáveis pela polinização.

- A maioria de nossas culturas depende de polinizadores que tem abrigo nas áreas de preservação – disse.
O professor também condenou a regularização de atividades consolidadas em áreas protegidas. Ele disse considerar que até agricultores familiares que fazem cultivos ao longo dos rios devem ser incentivados a adotar sistemas agroflorestais, uma vez que a exploração convencional da pequena propriedade não apresenta retorno financeiro.

Modernização

A necessidade de adoção de novas técnicas de produção também foi defendida por Elíbio Rech Filho, membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC). Para ele, a intensificação sustentável de produção de alimentos será o maior desafio desse século. O pesquisador lembrou que a liderança conquistada pelo Brasil na exportação de alimentos foi alcançada com forte pressão sobre o meio ambiente, o que resultou em erosão do solo, contaminação dos rios e perda da biodiversidade.

Para ele, a reforma do Código Florestal é uma oportunidade para prever medidas que promovam o crescimento da produção de alimentos a partir de processos sustentáveis. Ele considera que, se for dado aos pequenos produtores acesso a terra, à mecanização, a boas sementes, adubo e água, eles produzirão três a quatro vezes o que produzem hoje, podendo manter áreas reserva legal em suas propriedades.

Conforme observou, a agricultura do futuro deve combinar o uso de uma gama de tecnologias capazes de promover o aumento da produtividade agrícola sem comprometer os recursos naturais. É a chamada agricultura de baixo carbono, que promove a utilização de práticas como o plantio direto, integração lavoura-pecuária e fixação biológica de nutrientes, entre outros.
Matéria de Iara Guimarães Altafin / Agência Senado, publicada pelo EcoDebate

Senado volta a discutir Código Florestal na próxima quarta, 05/10

As mudanças no Código Florestal Entenda o assunto voltarão a ser discutidas na próxima quarta-feira (5) em audiência pública na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), onde a proposta está tramitando. A realização do debate foi aprovada na reunião do colegiado desta quarta (28)

Segundo a assessoria de imprensa do senador Eduardo Braga (PMDB-AM), que requereu o debate juntamente com Walter Pinheiro (PT-BA), a audiência pública enfocará o acesso a tecnologias para que os pequenos agricultores possam aumentar a produtividade de suas terras, e tratará também da concessão de incentivos econômicos, fiscais e tributários para a preservação de áreas de proteção ambiental.

Serão convidados três especialistas: Werner Grau Neto, advogado e sócio do Escritório Pinheiro Neto Advogados; Gerd Sparovek, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq); e Ivan André Alvarez, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Nesta quarta, ao justificar a necessidade do debate no âmbito da CCT, Walter Pinheiro explicou que o projeto de lei complementar (PLC 30/11) que altera o Código Florestal precisa ser discutido também sob o ponto de vista científico, como modelo de sustentabilidade para o país.

Na justificativa do requerimento, os senadores lembram ainda que, na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), onde o Código Florestal já foi aprovado, a análise se limitou aos aspectos de natureza constitucional.

- Não podemos nos limitar a discussões apenas em torno de limites, obrigações, mas, sim, verdadeiramente inovar aplicando ao novo Código Florestal um caráter de modernidade e feições de futuro – afirmam os autores do requerimento.

O parlamentar lembrou ainda aos demais membros do colegiado que as 96 emendas ao projeto rejeitadas na CCJ não têm validade na CCT e que, caso os senadores desejem que sejam apreciadas, terão que reapresentá-las.
Matéria de Valéria Castanho / Agência Senado, publicada pelo EcoDebate

Identificando produtos mais sustentáveis


O consumidor ainda encontra dificuldades na identificação de produtos sustentáveis, mesmo já tendo demonstrado disposição de pagar até mais por tais produtos. Se você é um dos que duvidam ou que já tiveram más experiências, fique atento para algumas orientações para não levar, como diz o ditado, gato por lebre, ou seja produtos que tentam se passar por sustentáveis, mas não são.

1. Prefira produtos produzidos em sua região: de forma prática, primeiramente, coloque-se na posição de São Tomé: ver para crer. Comece pela etiqueta que informa a origem do produto e verifique sua procedência. Prefira os produzidos em sua região. Evite comprar similares fabricados em outros países. Ao comprar produtos de outros países, reduz-se o recolhimento de impostos municipais e estimula-se o desemprego e a falta de serviços e infraestrutura pública.

2. Confira a composição do produto: verifique se o que está sendo dito na frente do produto realmente consta em sua composição e você poderá ter interessantes surpresas. Se, por exemplo, estiver comprando um pão-de-queijo, confira na sua composição se ele realmente tem queijo.

3. O que importa é o conteúdo, não a embalagem: não se deixe levar pela embalagem, se é reciclada ou não. Isso, neste momento de análise, não é importante. O que é importante é saber se o produto é agressivo à sua saúde e à de sua família. Uma prática que está se tornando comum é reduzir embalagens e aumentar o porcentual reciclado para estimular a venda desses produtos como “mais sustentáveis”. Cuidado! Nessa lista existem produtos nada ecologicamente amigáveis e outros agressivos à saúde humana.

4. Selos Verdes são uma boa indicação: uma maneira de ajudar a identificação de produtos sustentáveis é por meio dos chamados Selos Verdes, como o selo Procel para eletrodomésticos e eletrônicos, o FSC e CERFLOR para madeiras e papéis e o SustentaX para produtos e serviços sustentáveis. Na área de orgânicos existem o IBD e EcoCert, dentre outros. Os selos são uma forma de mostrar ao mercado que passaram por análises rigorosas para a sua obtenção.

5. Fique atento à “picaretagem verde”: identifique as estratégias usadas para passar por sustentáveis, produtos que não o são. Os principais golpes usados são:

a) Selos emitidos pelos próprios fabricantes;
b) Termos genéricos como 100% natural, 100% ecológico, eco, amigo da natureza (eco-friendly) e variações do tipo;
c) Informações que não permitem sua comprovação clara e imediata. Como, por exemplo, informar que um produto, como sabão em pó, pode reduzir o consumo de água; ou então um amaciante economizar energia;
d) Informações redundantes, como testes e dados que já são obrigatórios por lei, como detergentes que colocam “testados dermatológicamente” ou azeites com zero de colesterol;
e) Excesso de imagens da natureza: reparem se há muito verde ou imagens de animais;
f) Falar que o produto é “neutralizado” em carbono. Desconfie da simples neutralização que não torna o produto sustentável. A neutralização é válida após a revisão e efetiva redução dos impactos ambientais da cadeia produtiva. É o final e não o começo;
g) Produtos concentrados. Só porque foi retirada a água do produto não o torna “verde”. É importante que ele não faça mal à saúde. Outra estratégia do concentrado é deixar a tampinha dosadora do mesmo tamanho da do não concentrado para estimular o maior consumo!
h) “Sem cheiro”. O importante é o fabricante demonstrar que o produto apresenta baixa toxidade, por critério reconhecido. É muito comum o “sem cheiro” e escrito bem pequeno (depois de “X” horas”), não informando que a tinta é tóxica para os operários e mesmo para os ocupantes.

Caso os produtos não apresentem selos de sustentabilidade, procure pelos cinco atributos essenciais de sustentabilidade:

1. Salubridade: evite produtos com odores (normalmente esses odores decorrem de componentes orgânicos voláteis, substâncias tóxicas que podem fazer mal à saúde).
2. Qualidade: procure por produtos com qualidade comprovada. Nem todas as tintas são iguais, por exemplo. Várias não têm teste de aderência e, a primeira vez que você for fazer uma limpeza, pode sair na esponja.
3. Responsabilidade social: questione a procedência. Por exemplo, se for comprar uma areia em uma loja de construção pergunte qual a origem. Exija que venha de uma empresa confiável, sem trabalho infantil ou escravo. A regra vale também para cosméticos, roupas…
4. Responsabilidade ambiental: questione a procedência. Por exemplo, ao comprar objetos de madeira pergunte sobre a legalidade.
5. Comunicação responsável: procure por marcas nas quais você identifica ética e genuinidade na comunicação.

O Grupo SustentaX criou, em 2007, o Selo SustentaX de Garantia de Qualidade e Sustentabilidade para identificar para os consumidores produtos sustentáveis.

No site www.SeloSustentaX.com.br há uma lista com produtos que já possuem o Selo SustentaX. Além disso, está disponível para downloads gratuitos o Guia SustentaX de Comunicação Responsável com o Consumidor.

O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária – Conar (www.conar.org.br) também publicou recentemente novas normas para publicidade com apelos de sustentabilidade. Assim, se encontrar anúncios que julgue que estejam utilizando maquiagem verde, denuncie.
* Newton Figueiredo é fundador e presidente do Grupo SustentaX, que desenvolve, de forma integrada, o conceito de sustentabilidade empresarial ajudando as corporações a terem seus negócios mais competitivos e sustentáveis, identificando para os consumidores produtos e serviços sustentáveis e desenvolvendo projetos de sustentabilidade para empreendimentos imobiliários.
** Colaboração de Janaína S. e Silva para o EcoDebate

Responsabilidade socioambiental

O cenário mundial teve avanços tecnológicos de forma sistematizada na segunda metade do século passado, impulsionado pelos processos de descolonização e de emancipação. Desta forma, o ambiente de negócios no inicio do século XXI se tornou mais veloz que no século XX e está se mostrando bastante dinâmico, ocasionando mudanças drásticas nos modelos econômicos e produtivos mundiais com implicações diretas para as organizações.

O cotidiano tem se tornado muito instável, principalmente pela quebra das barreiras alfandegárias. As mudanças rápidas no processo econômico impõe às organizações a necessidade de mudanças contínuas e rápidas de modo a operar e gerir seus negócios para que se adaptem às novas realidade e possam se manter competitivas.

Embora principal objetivo de uma empresa seja o lucro, as questões ambientais têm se tornado cada mais importantes, devido ao aumento da conscientização do consumidor e consciência da participação enquanto parte interessada (“stakeholder”). O consumidor como cidadão deseja se engajar em práticas de sustentabilidade.
As empresas buscam se adaptar a esse novo ambiente de negócios, cada vez mais concorrido e hostil, marcado por incertezas, instabilidades e rápidas mudanças. É nítida a percepção de que cada vez mais são exigidas novas posturas diante dos desafios da produtividade do processo produtivo e as preocupações com o meio ambiente entendido como dimensão física, biológica e antrópica. Este mercado competitivo vem fazendo com que as empresas tenham que se preocupar não somente com o controle dos seus impactos ambientais, como também com o seu desempenho ambiental.

A globalização da produção de bens de consumo está proporcionando mudanças por parte dos consumidores, que pelo seu poder de compra, esta fazendo pressão para com a qualidade e meio ambiente e não aceitando mais ausência de qualidade ou negligência ambiental. Essa globalização está fazendo com que os clientes se tornem cada vez mais exigentes, o que tem provocado algumas mudanças na sociedade, tanto em valores como também em ideologia.

O próprio homem é o ator e o agente dessas mudanças, como diz Ansoff (1978), os consumidores estão se tornando cada vez mais exigentes, demandando mais informações completas sobre suas aquisições, exigindo mais responsabilidade do fabricante em relação ao produto e deste em relação ao seu fornecedor no que se refere à segurança e à proteção do meio ambiente. O consumidor consciente aceita cada vez menos a poluição como subproduto do seu consumo.

Na busca de novos clientes, as empresas buscam desenvolvimento dos seus processos e dessa forma provocaram danos ambientais aparentemente irreversíveis no planeta, como o efeito estufa e a destruição de ecossistemas, despertando na sociedade e na comunidade científica a necessidade de estudar formas de reverter esse quadro e preservar a natureza.

Cabe às organizações, principais causadoras desses problemas, o compromisso de atender às normais ambientais vigentes, apostando em processos e em recursos que sejam simultaneamente eficientes e sustentáveis. As empresas têm assistido a transformações muito amplas em seu ambiente competitivo, calcadas na valorização das preocupações de caráter ambiental e social, além das econômicas. As empresas estão sujeitas às mudanças nos valores e ideologias da sociedade e às pressões do ambiente externo à organização, que acabam por influenciar sua performance no mercado.

Atualmente a análise das dimensões não pode se limitar unicamente aos aspectos econômicos, ignorando as relações complexas entre o porvir das sociedades humanas e a evolução da biosfera. Estamos na presença de uma evolução conjunta entre dois sistemas que se regem por escalas de tempo e escalas espaciais distintas. A sustentabilidade no tempo das civilizações humanas vai depender da sua capacidade de se submeter aos preceitos de prudência ecológica e de fazer um bom uso da natureza. É por isso que falamos em desenvolvimento sustentável. A rigor, esta adjetivação deveria ser sempre desdobrada em socialmente includente, ambientalmente sustentável e economicamente sustentado no tempo (Veiga, 2005).

Essa renovação implica contínuas mudanças, que podem ser dolorosas e custosas também em termos financeiros, especialmente se forem impostas, como por meio de regulamentações ambientais, ou se resultarem de uma imagem pública negativa, como por atritos com comunidades locais ou um desastre ambiental. Por isto a manutenção de uma visão pró-ativa por parte das empresas e organizações passa a ser um imperativo.

Para que sejam eficazes, é necessário que esses procedimentos sejam conduzidos dentro de um sistema de gestão estruturado, sistêmico e integrado ao conjunto das atividades de gestão. Porem apesar da inegável importância e contribuição dos sistemas de gestão ambiental, as organizações não devem mais apenas identificar e minimizar os impactos ambientais que suas atividades causam ao meio ambiente.

Tais organizações necessitam, também, conhecer melhor sua “performance” ou desempenho para sobreviverem neste novo cenário, fazendo com que haja uma maior interação dos seus objetivos e metas ambientais às estratégias, objetivos e metas organizacionais.

O Sistema de Gestão Ambiental tem como objetivo gerenciar os aspectos e os impactos ambientais de todos os recursos utilizados pela organização. Entretanto, isso não é suficiente para as empresas que desejam apresentar uma vantagem competitiva no que se refere ao Desenvolvimento Sustentável.

O objeto de estudo desse projeto de tese é avaliar de forma sistêmica e metodológica a influência do uso de matriz de posicionamento estratégico na implantação de sistemas de gestão integrados, envolvendo qualidade, meio ambiente e saúde ocupacional no âmbito do funcionamento das empresas industriais quanto a suprimentos, processos produtivos e distribuição, inclusive a logística reversa.
Dr. Roberto Naime, colunista do EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

FOGO - Crimes Ambientais



Mais de cem militares de várias unidades do Corpo de Bombeiros lutavam, neste sábado (24), contra oito grandes incêndios em Minas. O fogo devastou as reservas da Serra da Baleia, Região Leste de Belo Horizonte, debelado após queimar 50 mil metros da mata; da Serra do Cipó, no município de Morro do Pilar, Região Central de Minas;  da Serra do Rola Moça, na Região Metropolitana de BH; Serra do Cabral, próximo a Curvelo e Buenopólis; Morro de Santa Quitéria, em Santa Bárbara;  Jardim Canadá, na BR 040, próximo condomínio Retiro da Aldeia;  Serra do Papagaio;  São Sebastião das Águas Claras - Macaco, na mata do condomínio Parque do Engenho.

 Até o início da noite, o plantão central do Corpo de Bombeiros, em Belo Horizonte, não tinha informações sobre as extensões de vegetação e reservas destruídas pelas chamas. O fogo avançava com rapidez, alimentado pela baixa umidade do ar e pelos ventos.

 Na Serra do Rola Moça, na área localizada entre os municípios de Nova Lima e Brumadinho, na RMBH, as chamas avançavam pelas encostas íngremes, muitas vezes inacessíveis. O fogo assustou moradores dos condomínios Morro do Chapéu e Retiro das Pedras – onde os vidros de uma capela trincaram – e de Casa Branca. O combate na mata começou na última sexta-feira.

 Dezenas de militares do Corpo de Bombeiros e brigadistas também estavam empenhados no combate ao fogo que destruíam vários alqueires da Mata da Baleia, no Bairro Nossa Senhora de Fátima, na Região Leste da capital. O fogo ameaçava avançar na direção de um posto de saúde, de algumas casas e também da área do Hospital da Baleia. A maior dificuldade dos bombeiros e brigadistas era enfrentar o fogo em áreas de mata fechada.

Na Serra do Cipó, entre os municípios de Morro do Pilar e Conceição do Mato Dentro, várias frentes de incêndios destruíam a vegetação. O fogo começou na tarde da última sexta-feira e continuava hoje, dando trabalho para 38 militares do Corpo de Bombeiros e vários brigadistas da região.

As chamas destruíram tudo o que encontravam pela frente, nas margens da rodovia estadual MG-232. Este foi o incêndio que exigiu mais trabalho do Corpo de Bombeiros. Até o fim da tarde de deste sábado os incêndios não haviam sido controlados.

É de se lamentar episódios como este de grandes proporções ser um ato criminoso e ninguém ser punido. Nos últimos anos e agora em 2011 com possibilidade de um desfecho final, estamos assistindo o Congresso Nacional debater as mudanças no código florestal, com possibilidade de anistias para os crimes ambientais e a diminuição das responsabilidades para a sociedade através dos novos limites de APPs e outras facilidades, propiciando a avanço da destruição ambiental.
O planeta se encontra em exaustão, será possível que o homem não percebe que o planeta possui os recursos finitos? E que o crescimento demográfico e o consumismo já são fatores impactante e de grande preocupação para preservação ambiental? É preciso repensar as leis de crimes ambientais e suas aplicações, a impunidade ainda é o maior estímulo para os criminosos utilizarem o fogo criminoso como forma de desmatamento sem serem penalizados.

Quanto tempo dura a gestação dos animais?

Quando vai nascer um novo bebê na família, todos ficam tão ansiosos que parece que os nove meses de gestação não passam nunca. Mas a gravidez humana ainda sim parece rápida se comparada com a de alguns animais, cujos filhotes podem demorar até dois anos para se formar.
Confira abaixo a duração média da gestação de diversos animais, e o tempo de vida estimado para cada um:
RatoGestação: 21 dias
Tempo médio de vida: 18-20 anos
Galinha Gestação: 22 dias
Tempo médio de vida: 6-8 anos
GatoGestação: 52-69 dias
Tempo médio de vida: 10-12 anos
CachorroGestação: 53-71 dias
Tempo médio de vida: 10-12 anos
Macaco Gestação: 139-270 dias*
Tempo médio de vida: 12-15 anos
HumanoGestação: 253-303 dias
Tempo médio de vida: 67 anos**
CavaloGestação: 329-345 dias
Tempo médio de vida: 20-25 anos
BaleiaGestação: 365-547 dias*
Tempo médio de vida: Mais de 80 anos
ElefanteGestação: 510-730 dias*
Tempo médio de vida: 30-40 anos
* Dependendo do tamanho da espécie
** De acordo com a expectativa de vida mundial de 2011
[LiveScience]

Vídeo: confira uma incrível visão do nosso planeta

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A NASA publicou um vídeo, em time-lapse, sobrevoando a Terra, filmado da Estação Espacial Internacional. Algo impressionante, mas não tanto — até que alguém resolveu dar uma mexidinha no filme.
Alguma pessoa com ótimas habilidades interpolou os frames originais para criar esse vídeo com movimentos tão suaves quanto seda.
Provavelmente criado com o mágico Twixtor, o novo vídeo roda a 30 frames por segundo. Confira as tempestades de raio no vídeo. Trocadilhos a parte, é uma visão de outro mundo. [Gizmodo]

10 invertebrados surpreendentemente grandes

Você ficaria surpreso com a quantidade e diversidade de invertebrados que o mundo tem a oferecer. Às vezes, nós pensamos instintivamente nos invertebrados como pequenos e inócuos, mas quanto mais você estuda biologia, mais isso é provado como falso. Sendo assim, alguns itens desta lista devem ser novidade para você. Confira dez invertebrados surpreendentemente grandes no mundo:

10 – Isópode gigante


Os isópodes gigantes são semelhantes com o bicho-de-conta, ao qual estão relacionados. Mas o gigante vive a uma profundidade de 200 a 2000 metros no oceano, limpando o fundo do oceano. Enquanto um bicho-de-conta comum cresce cerca de 1 ou 2 centímetros, o gigante isópode chega até a 60 centímetros de comprimento.
Existem várias espécies de isópodes gigantes, Bathynomus, encontrados em todo o mundo, mas todos são quase idênticos. Os isópodes gigantes evoluíram aproximadamente 160 milhões de anos atrás e mudaram muito pouco desde então, pois conquistaram o nicho de limpeza no oceano e não tiveram necessidade de mudança. Não há absolutamente nenhuma ameaça para você se encontrar um. Eles fazem atrações de aquário bastante pobres, porque levam um estilo de vida sedentário, arrastando os pés até localizarem alimentos.

9 – Caranguejo-aranha-gigante


O caranguejo-aranha-gigante, Macrocheira kaempferi, tem o comprimento de perna mais longo dos artrópodes. A maior lagosta americana pode rivalizar com o caranguejo-aranha em peso, mas não se aproxima de seu comprimento de até 5,8 metros.
O caranguejo-aranha-gigante é onívoro, e come o que estiver dentro do alcance de seus longos braços com garras. Há um debate a respeito do porque eles evoluíram tamanhas longas pernas, embora elas permitam que os caranguejos se movam mais rapidamente do que as coisas que eles atacam. É amplamente divulgado on-line que estes caranguejos foram vistos em terra, mas isso não é provado e parece improvável que eles seriam capazes de se sustentar fora da água.

8 – Weta (grilo gigante)

O weta gigante, Deinacrida heteracantha, da Ilha Barreira Pequena, na Nova Zelândia, é o maior inseto do mundo. Deinacrida significa “terrível gafanhoto”, com quem estes gigantes têm apenas uma semelhança.
O maior exemplar pesava 71 gramas, e alguns podem ter mais de 20 centímetros de comprimento. Este é um exemplo de como o gigantismo de weta se adaptou para preencher nichos biológicos de mamíferos terrestres. Wetas gigantes se alimentam principalmente de vegetação, mas suas mandíbulas poderosas podem dar uma mordida dolorosa, o que é muito incomum.

7 – Locusta
Locusta é um tipo de gafanhoto, idêntico ao gafanhoto comum, apenas diferente na forma de pular e se aglomerar e no tamanho. E os gafanhotos podem ser maiores do que você pensa. Seu mecanismo de salto é desconcertante. Quando eles voam, fazem um ruído alto, e quando pousam em suas roupas, seus pés travam fortemente no tecido, tornando-os muito difícil de desalojar. Ser pego em um enxame deve ser muito desagradável. Enxames de gafanhotos podem conter bilhões de indivíduos, que consomem milhões de toneladas de culturas conforme passam.

6 – Água-viva-juba-de-leão


A água-viva-juba-de-leão, Cyanea capillata, às vezes é listada como o maior animal do mundo, com o maior espécime registrado em 37 metros do sino a ponta do tentáculo. O sino, o corpo da água-viva, pode ter 2 metros de diâmetro.

Seus longos tentáculos capturam pequenas criaturas flutuantes, mas são também o lar de camarões pequenos que os usam como proteção. Os tentáculos em si causam dor leve para os seres humanos, mas, por serem longos, podem pegar de surpresa os nadadores. A dor pode ser diminuída pelo tratamento do local com vinagre, mas mesmo isso é geralmente desnecessário. Quanto maior a água-viva, mais escura ela fica, com os maiores exemplares sendo de um vermelho sangue escuro. Como todas as águas-vivas, elas se movem principalmente com as correntes do oceano e são capazes de pulsar delicadamente para se manter perto da superfície.

5 – Aranha-golias-comedora-de-pássaro

Aranha-golias-comedora-de-pássaro é a aranha mais pesada conhecida, com até 180 gramas. Seu comprimento de perna chega a 30 centímetros. A Theraphosa blondi é muito comum e mantida como um animal de estimação exótico. É conhecida como comedora de pássaros porque, como outras grandes aranhas, por vezes presa em pequenas aves, bem como pequenos mamíferos e lagartos.
Sua dieta é principalmente insetívora, mas elas têm presas suficientemente longas para morder seres humanos e são venenosas. Como a maioria das tarântulas, seu veneno é apenas fracamente agente em seres humanos. Quando ameaçada, ela pode fazer um chiado, esfregando as pernas juntas. Isso também pode servir para espalhar pequenos pelos farpados que podem ser muito irritantes.
4 – Aranha do mar gigante


Aranhas do mar, Pantopoda (que significa “toda perna” em grego), são um grupo relativamente pouco conhecido de organismos. A aranha do mar gigante, Colossendeis colossea, é o maior desses animais incomuns. Eles não são verdadeiras aranhas, mas parecem ser mais intimamente relacionados com elas do que qualquer outro grupo.

Seus corpos são tão pequenos que suas longas pernas muitas vezes contêm vários dos órgãos e das gônadas das aranhas do mar. O trato intestinal muitas vezes estende-se para as pernas onde a comida pode ser digerida. A aranha gigante do mar se alimenta principalmente de cnidários (principalmente águas-vivas e anêmonas) sugando seu interior macio com uma tromba.

3 – Vespa Gigante Asiática ou Vespa Mandarina


A vespa mandarina é o animal mais mortífero do Japão, e sua picada pode ser fatal mesmo para pessoas não alérgicas a picadas de vespas, embora, geralmente, levem muitas ferroadas. Cada picada é extremamente dolorosa.

Elas têm um aspecto muito ameaçador quando pairam na frente de seu rosto. As vespas podem devastar uma colmeia de abelhas, esmagando todas as abelhas com suas mandíbulas poderosas antes de comer o mel e levar os abdomens dos insetos para suas larvas. Abelhas japonesas, entretanto, têm uma defesa contra as vespas. Quando detectam um atacante, o cercam com seus corpos e músculos se contraindo rapidamente. Formando uma bola ao redor da vespa, esta atividade muscular faz calor suficiente, produzindo dióxido de carbono para matar a vespa.

2 – Centopeia Gigante da Amazônia
A centopeia gigante da Amazônia, Scolopendra gigantescas, é o primeiro invertebrado desta lista que pode realmente causar danos aos seres humanos. A centopeia gigante pode ser encontrada no norte da América do Sul e em várias ilhas.

Elas podem atingir um comprimento de até um pé. São predadoras de insetos, aranhas, lagartos, sapos, pássaros, ratos e morcegos. Há algo inquietante sobre um invertebrado que caça vertebrados. A centopeia se move bem rápido e não tem medo dos humanos. Quando os seres humanos são mordidos, é intensamente doloroso, mas raramente causa mortes. O tratamento para a picada geralmente envolve amenizar a dor e imunizar contra tétano, bem como antibióticos para parar a infecção.

1 – Lula colossal

O que é maior do que uma lula gigante? Uma lula colossal. Hoje, ela deve ser o mais pesado dos cefalópodes, e é também o maior invertebrado já registrado. Durante muito tempo, as histórias de lulas enormes foram apenas contos do mar sem mais verdade do que os das sereias.

Agora, temos vários exemplares de ambos lulas gigantes e lulas colossais. O museu nacional da Nova Zelândia em Wellington tem uma exposição onde uma amostra de 10 metros de comprimento pode ser vista. Esta criatura foi capturada em 2007, por pescadores no mar da Antártida. O estudo de espécimes parece sugerir que a lula colossal é uma caçadora de emboscada que usa bioluminescência para atrair o peixe que come. O espécime grande na Nova Zelândia é improvável de ser do tamanho máximo que elas podem alcançar; bicos de lulas colossais foram encontrados nos estômagos de cachalotes que são muito maiores do que o bico desse espécime.[Listverse]

Do consumo responsável à responsabilidade no consumo

Você reflete antes de comprar ou consumir algo, no sentido da sua responsabilidade como consumidor, pensando em como aquele produto foi fabricado? Pois a ideia de consumo responsável, segundo a pesquisadora Julia Coelho de Souza, “traz a proposta de que o consumidor é responsável pelas desejadas mudanças e melhorias sociais e ambientais rumo a um planeta mais verde e a uma sociedade mais justa, isentando absolutamente todo o sistema institucional e político mais amplo (seja nos sistemas agroalimentares, no consumo de bens duráveis, de cultura, de informação, de viagens)”.

Julia estárá debatendo o tema “Do consumo responsável à responsabilidade no consumo: reflexões sobre cadeias agroalimentares, slow food e mercados alternativos” na próxima quinta-feira, dia 29 de setembro, no evento IHU ideias, promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, das 17h30min às 19h, na Sala Ignacio Ellacuría e Companheiros.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line, Julia destaca que “a construção e a distorção das imagens relacionando os aspectos saudável, ecológico, puro e sustentável a partir de uma matriz produtiva que se sustenta na pobreza, na desigualdade, na devastação da biodiversidade e da transgenia, realizada através das articulações de detentores de commodities, de sementes e do grande monopólio alimentar, é algo assustador”.

Julia Coelho de Souza possui formação acadêmica multidisciplinar, abrangendo estudos sobre mediações político-culturais no meio rural. Dedica-se a projetos em gestão de empreendimentos associativos, cadeias agroalimentares, planejamento e organização territorial a partir de sistemas produtivos e redes socioeconômicas. Integra o Núcleo de Economia Alternativa e Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, vinculado à Faculdade de Ciências Econômicas na qualidade de pesquisadora associada.
Confira a entrevista.

IHU On-Line – Que diferenças podemos estabelecer entre o consumo responsável e a responsabilidade no consumo?

Julia Coelho de Souza – O consumo responsável é entendido como “a forma comum” do papel político do consumidor. A forma como tem se visto o apelo midático a uma atitude responsável por parte dos consumidores é muito mais um apelo ao consumo de classe média de “produtos verdes”, com foco no aspecto ecológico, justo, sustentável. É uma tendência de consumo, a moda do responsável, do papel cidadão. A responsabilidade no consumo residiria num segundo olhar sobre essa responsabilidade e esse consumo, uma “segunda pele” ou mesmo níveis mais profundos de reflexão sobre esse papel do consumidor, responsável pela “cura” do planeta e pela justiça social através do ato de compra de produtos, bens, dos mais variados tipos. Na verdade, uma das questões-chave é: “em que tipo de produção esse consumo se insere”?

A questão da responsabilidade no consumo significa a compreensão do sistema onde se insere o consumo e o produto consumido. Seria a capacidade crítica e reflexiva de contextualizar a produção e o consumo numa perspectiva de projetos e modelos de desenvolvimento que estão em questão: seja quando se opta, no ato de compra, por um ou por outro produto, ou mesmo no quanto essa opção de consumo efetivamente modifica todo um sistema de produção, ou ainda o quanto o ato do consumo, mesmo deste consumo crítico, é reflexo de quais políticas de desenvolvimento.

Os questionamentos possíveis e pertinentes são muitos, pois me parece falaciosa a ideia de que no consumo da classe média e alta existe um problema grave de (des) equilíbrio ambiental. Existem, sim, problemas sociais de desigualdade, exploração e diversas outras questões outrora abafadas que estão vindo à tona na sociedade de maneira geral hoje em dia (dentro de um longo contexto de lutas ambientais, de classe, etc.). E essa atitude de consumo “qualificado” talvez seja o impulso essencial para mudanças nesse equilíbrio, na natureza do planeta terra, na sociedade ou no que quer que seja que se deseje quando se compra um determinado produto nas prateleiras dos supermercados, ou nas feiras, nos restaurantes, nos sítios de compras, para além do próprio produto, como um objeto de consumo.

A ideia que está sendo construída, via de regra, traz a proposta de que o consumidor é responsável pelas desejadas mudanças e melhorias sociais e ambientais rumo a um planeta mais verde e a uma sociedade mais justa, isentando absolutamente todo o sistema institucional e político mais amplo (seja nos sistemas agroalimentares, no consumo de bens duráveis, de cultura, de informação, de viagens).

IHU On-Line – Que ações práticas caracterizam um consumidor responsável?

Julia Coelho de Souza – Sem estabelecer aqui “tipos” de consumidor (“o responsável” e “o que tem responsabilidade”), me parece que a prática da responsabilidade no consumo é, antes, uma atitude crítica e reflexiva para, a partir daí, pensar na materialidade do consumo ou de práticas que levem a um “consumo responsável”, crítico. Claro que, no âmbito das cadeias agroalimentares, atitudes como a escolha de mercados em que se consome, escolha de marcas, busca das informações de origem, procedência tidas pelos consumidores são atitudes importantes que, de certa forma, caracterizam um consumidor responsável. Parte dessa responsabilidade está na seleção que se faz no consumo, e isso em um espectro bem amplo de consumo, inclusive de informações, de cultura, de produtos e subprodutos das mais distintas indústrias.

Imagino que o que se consome em termos de conteúdo de imagem (de propagandas e campanhas, da história contada, de versões) se reflete em opções de consumo de grande parte da sociedade. Isso quer dizer, também, que tem uma grande e convincente “máscara” entre produtos, processos e mercados. Um exemplo bem elucidativo, nesse sentido, é o consumo de sucos e leites refrescantes e saudáveis, com “selos verdes” (pelo menos na embalagem, enquanto um elemento no layout do produto) em forma de folha, onde está escrito algo como “leve, saudável e natural”, quando são feitos a partir de um subproduto de soja transgênica. Existe aí uma contradição, uma confusão que é um divisor de águas para se definir as escolhas de consumo como responsáveis, críticas, reflexivas e claras quanto ao que se refere efetivamente a essa “escolha” individual (e porventura coletiva também) de consumo.

A construção e a distorção das imagens relacionando os aspectos saudável, ecológico, puro e sustentável a partir de uma matriz produtiva que se sustenta na pobreza, na desigualdade, na devastação da biodiversidade e da transgenia, realizada através das articulações de detentores de commodities, de sementes e do grande monopólio alimentar, é algo assustador. O problema é que, como são essas empresas que “organizam” a alimentação de grande parte dos países (diga-se, com base em poucas espécies animais e vegetais, desnutridas de conteúdo nutricional e cultural), existe um conflito de interesses e, como falamos antes, de projetos de sociedade.

IHU On-Line – Quais as principais reflexões que você trará para o debate sobre cadeias agroalimentares, slow food e mercados alternativos?

Julia Coelho de Souza– A reflexão é sobre os processos (políticos, econômicos, culturais) envolvidos no processo de produção, comercialização e consumo, com o foco nas cadeias agroalimentares. Para entender de forma mais clara a delimitação conceitual dessas cadeias, me apoio na reflexão de Terry Marsden, geógrafo holandês, sobre os sistemas agroalimentares e as cadeias curtas e longas. A cadeia envolve todo o caminho e relações: a produção, os processos e beneficiamentos, a distribuição e suas redes, atores sociais individuais e coletivos. Nisso se insere a discussão dos mercados alternativos e, de certa forma, as cadeias que fomentam algumas das redes e grupos participantes das ações do movimento slow food. Aqui vale uma separação também, não para dividir, mas para explorar melhor cada um dos temas.

Como “mercado alternativo”, podemos entender diversas formas de mercado, de redes de compras por internet, passando pelo comércio informal nas cidades, até as feiras de trocas e boutiques especializadas de produtos com determinado atributo. Um “mercado alternativo” não existe sozinho; ele é alternativo em relação a algo. Então é preciso delimitar, ou pelo menos entender, com qual campo de forças se está lidando, quais são as disputas que estão envolvidas, a partir do alternativo em relação à estrutura ou as dinâmicas sociais atuais, colocadas à coletividade da sociedade como situação, como verdadeiras.

Aqui estamos pensando nas dinâmicas dos mercados que envolvem alimentação, buscando observar alguns desdobramentos das dinâmicas de produção, distribuição e consumo de alimentos e entendendo alimentação como um produto de consumo e como um bem simbólico. Tudo isso na intenção de identificar alguns dos tantos processos políticos diretamente envolvidos nas dinâmicas de distribuição de alimentos, talvez fator primeiro na relação com o consumo e a produção.

IHU On-Line – O que faz parte do conceito de slow food hoje?

Julia Coelho de Souza – Meu envolvimento com o slow food aconteceu durante os anos de 2008 e 2009 e, desde então, não tenho me envolvido tanto com os grupos slow food a ponto de poder situar o debate atual conceitual no âmbito dessa organização. O que posso é buscar alguns fios de relação entre os debates que estão sendo colocados e algumas linhas de ação puxadas por essa organização, essa rede formada por sujeitos sociais individuais e coletivos. A ideia de alimentos como fortaleza e comunidades do alimento me parecem riquíssimas para relacionar o tema da biodiversidade (agrobiodiversidade, sociobiodiversidade) e dos processos culturais envolvidos na produção, comercialização e consumo de alimentos, com a grande campanha, ou mesmo essa busca contemporânea, por um papel político do consumidor e dos atores sociais envolvidos. Aí se unem de maneira interessante o consumidor final e, seguindo a cadeia, os distribuidores de produtos agroalimentares (que podem ser o supermercado, loja especializada ou mesmo o restaurante gerenciado por chefes de cozinha), envolvendo os diferentes elos destas amarras, com o produtor, seu meio produtivo (ambiental, cultural).

A iniciativa desta organização de identificar alimentos como fortalezas traz consigo uma ideia e ação de salvaguarda em relação a determinados alimentos, o que é muito importante e interessante. Esta pauta se organiza através de estímulo a projetos concretos de desenvolvimento e fomento à produção (seja agrícola ou mesmo extrativista) em relação à territorialidade (contexto socioeconômico, espacial e cultural) onde se insere esse produto. É uma importante “lembrança” que muitos processos produtivos estão diretamente relacionados com comunidades, com culturas, com saberes locais. Buscar a salvaguarda de saberes e sociabilidades através de um bem de consumo é um gancho interessante para o debate do consumo e do fomento de cadeias produtivas inseridas em modelos e paradigmas de desenvolvimento social e econômico.

O que é importante colocar nesse momento é que existem referências para o slow food em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul. A indicação que tenho é o e-mail de um grupo local de articulação da organização slow food com a pesquisa acadêmica e os saberes locais em cima do que se conceitua como “produtos da terra”. O contato com esse grupo é produtosdaterra@slowfoodbrasil.com

IHU On-Line – Qual o papel da economia solidária neste contexto de consumo responsável?

Julia Coelho de Souza – A economia solidária é outro conceito que tem que ser trabalhado com a atenção de atribuir sentido a esse tema, situando-se, primeiramente, o que se entende como economia solidária, ou em termos práticos, como tenho buscado trabalhar com esse tema no âmbito do coletivo em que me insiro hoje. Como política pública, efetivamente não se está avançando muito no sentido da aposta no debate político entre economia solidária e consumo. O tema da economia solidária (assim como o slow food), como um “movimento”, não é facilmente aceito e digerido de maneira consensual, clara, o que para além de ser simplesmente uma posição teórica, reflete-se em diversas instâncias políticas, de legitimação, de articulação e de fomento.

Na UFRGS estamos experimentando o fomento a circuitos de informação, estímulo para a formação de redes que se direcionem à formação de atores sociais coletivos. Esse sentido de coletividade, inserido na ideia de solidariedade (que está tão gasto), de economia solidária (que está tão turbulento), parece ser uma ideia-força fundamental para pensar os temas que se relacionam com o consumo. Porque, por mais individual(ista) que o consumo possa ser, ele é um ato repleto de coletividades e está permeado por emaranhados sociopolíticos. Além do consumo responsável não ser sozinho, ele não é isento.

(Ecodebate, 27/09/2011) publicado pela IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.

Repórter Brasil avalia as relações entre Código Florestal e Agricultura Familiar

Além de suscitar debates acalorados entre ambientalistas e ruralistas nos últimos dois anos, a proposta de mudanças no Código Florestal acabou também no centro da pauta das organizações e movimentos da agricultura familiar, depois que o setor foi citado insistentemente pela bancada ruralista nos argumentos pela suposta necessidade de flexibilização das leis ambientais.

Empurrada, assim, para o centro dos debates, a agricultura familiar internamente também adotou posicionamentos distintos, com parcela das organizações mais próxima ao discurso ambientalista, e outras mais aliadas às propostas de mudanças na legislação vigente.

Grosso modo, os debates sobre o Código Florestal também evidenciaram duas propostas distintas de modelo para a produção familiar: por um lado, a defesa de práticas agroecológicas, policultivos, sistemas agroflorestais e utilização sustentável e integrada dos recursos naturais, e por outro uma agricultura mais tecnificada e integrada ao mercado de commodities.

Mais próxima ao processo produtivo do agronegócio, esta segunda parcela – uma “classe média” da agricultura familiar que atualmente está no centro das disputas da reforma sindical entre a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG) -, tem se colocado mais favorável ao texto aprovado na Câmara e atualmente em apreciação no Senado. Já os movimentos sociais do campo, em especial os ligados à Via Campesina, têm proposto adaptações e uma maior inter-relação entre as políticas ambientais e agrícolas, sem mudanças nas garantias de proteção ambiental.

Independente das diferenças internas, porém, o setor familiar convergiu na defesa da adoção de um tratamento diferenciado para os pequenos agricultores e o grande agronegócio no novo Código Florestal. A idéia é que esta posição, negociada com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), seja apresentada e negociada pelo governo com o Senado no próximo período de apreciação da matéria na casa.

Neste novo relatório produzido pelo Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis da ONG Repórter Brasil, os pesquisadores entrevistaram especialistas e lideranças do governo, dos agricultores e de organizações ambientalistas para compor um diagnóstico sobre a Agricultura Familiar do país, que produz 70% dos alimentos nacionalmente consumidos, mas que também concentra boa parte dos pobres brasileiros.
Para ler a íntegra do relatório, acesse:
Verena Glass, Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis/Repórter Brasil EcoDebate

Amazalert: Pesquisa busca prever impactos do desflorestamento e das mudanças climáticas na Amazônia

Cientistas da América do Sul e Europa iniciam pesquisa para prever impactos do desflorestamento e das mudanças climáticas globais nas águas, clima e sociedade da Amazônia.

Cientistas de 14 renomadas instituições europeias e sul-americanas (Brasil, Bolívia, Colômbia, Peru) iniciaram um novo e ambicioso programa de pesquisa para prever o que poderá acontecer com a Amazônia ao longo das próximas décadas. Alguns relatórios sugerem que sob contínuas mudanças climáticas e desflorestamento, as florestas da região amazônica poderão estar vulneráveis a alguma forma de degradação (die-back) em diversos aspectos, como suas águas, seu clima e sua sociedade. O Amazalert tem como objetivo testar o quanto essas previsões são prováveis e, em caso positivo, antecipar onde, como e quando isso deve acontecer.

A equipe, liderada pelos pesquisadores Bart Kruijt, da Universidade de Wageningen, Países Baixos (WUR), e Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), irá estudar um possível sistema que detecte sinais de degradação de grandes dimensões na floresta, e que inclui um sistema de alerta caso uma situação de perda de floresta irreversível pareça provável. O Amazalert também irá avaliar os impactos e efetividade de políticas públicas e medidas para a prevenção da degradação da Amazônia.

A reunião inaugural do projeto, orçado em 4,7 milhões de euros financiados conjuntamente pelo “European 7th Framework Programme” e organizações nacionais, acontecerá entre 3 a 5 de outubro, no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, SP.

Antecedentes – Para atingir suas metas, a equipe do Amazalert irá reunir informações disponíveis em trabalhos anteriores sobre clima regional, sensibilidade das florestas e ciclo da água, desflorestamento, os impactos sobre as leis e respostas aos impactos na Bacia Amazônica. Por exemplo, existe uma riqueza de observações resultantes de programas como o Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA) e simulações de mudanças climáticas globais, conduzidas pelos relatórios do IPCC, que também serão exploradas em detalhes.

No entanto, modelos de clima, vegetação, e suas interações estão em constante desenvolvimento e informações sistemáticas sobre o papel das pessoas e da sociedade na funcionalidade da Amazônia como uma região são escassas. Em particular, é necessário um melhor conhecimento dos sistemas de retroalimentação dentro do sistema – por exemplo, as interações entre a mudança da cobertura vegetal e o clima na região amazônica. Um importante objetivo é a compreensão dos funcionamentos e impactos da reciclagem da água da chuva pela presença da floresta. Se esse processo for alterado – talvez por meio de perda de floresta de grande escala – pode ocorrer uma deterioração dos ecossistemas da Amazônia.

O Amazalert também irá melhorar a nossa compreensão do papel do fogo, e como as pessoas, a agricultura e os governos irão responder às mudanças do clima e do meio ambiente. A equipe envolverá diretamente atores de instituições e governamentais para que suas perspectivas sejam incluídas na modelagem e para auxiliar no desenvolvimento de um modelo para um Sistema de Alerta.
Dentro de três anos, o projeto deve fornecer um conjunto de ferramentas aprimoradas para avaliar, e assessorar as tomadas de decisão na gestão futura da região amazônica, incluindo formas de monitorar o funcionamento da Amazônia para se evitar mudanças irreversíveis em seus serviços ambientais.
Mais informações: www.eu-amazalert.org. Fonte: INPE

Código Florestal: o texto e o contexto.

A humanidade atravessa um momento onde um bilhão de pessoas passa fome e 1,2 bilhões não tem um copo de água limpo para beber. Fome e sede continuam sendo os problemas fundamentais da humanidade.

Porém, para alguns cientistas, como James Lovelock, diante do Aquecimento Global todos os outros problemas humanos são irrelevantes. Ele tem o dom de tornar pior todas as tragédias humanas, inclusive a fome e a sede. O Aquecimento Global tem entre suas causas a emissão de CO2 na atmosfera pela derrubada e queima de florestas. Na contribuição perversa do Brasil nesse problema, o desmatamento é o fator número um.

No século XIX Malthus já debatia com seus contemporâneos o agravamento da disponibilidade mundial de alimentos diante do crescimento populacional. A humanidade cresceria de forma geométrica, enquanto a produção de alimentos cresceria de forma aritmética. Entretanto, a chamada revolução verde, a base de químicos e maquinários agrícolas, conseguiu multiplicar a produção de alimentos para além do crescimento populacional. A tese de Malthus, portanto, caiu por terra.

Entretanto, na Cúpula Mundial do Meio Ambiente em 2002, Johanesburgo, África do Sul, um documento da ONU trazia um novo olhar sobre a questão, fazendo uma interessante conexão entre água (water), saúde (Health), energia (energy), agricultura (agriculture) e biodiversidade (biodiversity). Por isso, em inglês, o documento acabou rotulado pelas iniciais WEHAB.

A constatação do documento era crucial, isto é, a produção mundial de alimentos tinha se multiplicado às custas da devastação dos solos, da contaminação e uso intensivo água, da biodiversidade, além do saqueio dos territórios das comunidades tradicionais. Apesar da produção de algumas comodities agrícolas ter se multiplicado, multidões estavam passando fome e sede, particularmente no meio rural.

 Portanto, não existia a mágica da revolução verde, a não ser que suas conseqüências nefastas sobre o meio ambiente e as populações fossem ocultadas. Hoje, quando se fala que temos produção agrícola para saciar toda a humanidade, sendo o problema apenas de acesso, se oculta em que bases destrutivas essa produção está acontecendo.

Para se estabilizar demograficamente, os estudos mais recentes nos dizem que a humanidade deverá chegar a nove bilhões de pessoas m 2050, dois a mais que os atuais sete bilhões. Esse é outro argumento para pressionar a produção de alimentos.

Para agravar o cenário, o documento prevê que o aumento da população iria direcionar a produção agrícola para “áreas frágeis e de risco”, piorando ainda mais a sustentabilidade ambiental da produção agrícola.

Para evitar essa insanidade o documento faz as seguintes recomendações:
. redução da degradação da terra;
. melhorar a conservação, alocação e manejo da água;
. proteção da biodiversidade;
. promover o uso sustentável das florestas;
. informações sobre o impacto da mudança climática.”

2) O Texto.

É nesse contexto mundial de degradação de solos, escasseamento da água, erosão da biodiversidade e florestas, crescimento populacional e o Aquecimento Global para agravar o que já é complexo, que se coloca a proposta de alteração do Código Florestal Brasileiro. As propostas para alteração no Código têm como argumento fundamental o aumento da produção de alimentos.

Há tempos já se sabia que o Brasil era rico em solos, água, sol e biodiversidade. Entretanto, há tempos também se sabe que os solos do Cerrado, Caatinga e Amazônia são frágeis, nem sempre aptos para a agricultura. A prova é que a pecuária e agricultura já deixaram para trás 80 milhões de hectares de terras degradados. Hoje fala-se em recuperar essas áreas, mas a verdade é que se prefere avançar sobre novas áreas “´frágeis e de risco”, como já advertia a ONU.

As mudanças no Código Florestal vêm nesse contexto de quebrar as barreiras legais para o avanço da agricultura e pecuária sobre essas áreas. As mais simbólicas são exatamente as áreas de preservação permanente, como as matas ciliares dos rios, e morros com inclinação acima de 45º. Mas, não é só. Também se quer ampliar a área de desmatamento na Amazônia para fins agrícolas.

O gatilho que disparou a reação violenta dos ruralistas é a execução das multas originadas por crimes ambientais, sobretudo o desmatamento das áreas de preservação ambiental. Acossados pela execução das multas, decidiram mudar as leis. Portanto, legislam em causa própria.

Mas, o argumento público é a produção de alimentos, fartamente repetido pelos empresários do agronegócio, mas agora também por setores dos pequenos agricultores. Nesse sentido, além de questões técnicas, existem dimensões políticas e éticas permeando essas alterações.

No contexto geral, essa agricultura brasileira baseada na ampliação do desmatamento, do avanço sobre as áreas frágeis e de risco, sobre os mananciais de água, mostra-se insustentável a médio e longo prazo. Esse modelo não tem como se sustentar – precisa de 5,2 litros de veneno por brasileiro para produzir e já consome 70% de nossa água doce – mesmo que dê respostas econômicas para a exportação imediata.

Esse é o nó da questão: o Brasil reprimarizou sua economia. Agora essas comodities agrícolas representam 36% das exportações brasileiras (www.porkworld.com.br), enquanto no regime militar a agricultura não representava muito mais que 8%. Com a demanda mundial por soja, etanol, carnes – e agora minérios para sustentar a demanda chinesa -, o Brasil tem quebrado todas as leis – vide Código Florestal, Código Minerário, etc. – para facilitar a vida do capital desses ramos econômicos, mais que nunca poderosos do ponto de vista econômico e político. Vale recordar que a produção de alimentos no Brasil, 70% vem da agricultura familiar, não da empresarial (Censo Agropecuário 2006).

Dados recentíssimos afirmam que 64% da área desmatada da Amazônia se destinaram à pecuária e apenas 5% à agricultura (F.S.Paulo 02/09/2011 – 15h13). Diante dos fatos, os argumentos em favor das mudanças perdem força.

Portanto, fechar os olhos para os interesses dos grupos envolvidos, e fechar os olhos sobre os impactos desse tipo de agricultura sobre a natureza e as comunidades, sobretudo, fechar os olhos sobre a lógica predadora e acumulativa dessa disputa, é decididamente tomar partido daqueles que criaram a crise da sustentabilidade. O que está em jogo é o solapo dos bens naturais – solos, água, biodiversidade – que sustentam a humanidade. Podemos produzir mais agora, mas, decididamente, vamos comprometer as bases naturais para as gerações futuras.

3) As Alterações no Código e os Pequenos Agricultores.

Um problema de ordem prática que se coloca é que muitos pequenos agricultores também estão entre os que depredaram suas áreas de preservação permanente e plantaram em morros com inclinação acima de 45º. Ainda mais, muitas das pequenas propriedades estão nesses morros. Portanto, estão impedidos de ampliar sua área agrícola.

Primeiro, para tratar dessa questão, não é necessário fazer as mudanças no Código Florestal que estão sendo propostas. Nesse sentido, os pequenos estão sendo bois de piranha dos grandes interesses. Há propostas de ocupar essas áreas com árvores frutíferas e outros manejos que tenham finalidade econômica e ao mesmo tempo respeitar a demanda da natureza. O Código tem base científica e, vale lembrar, que a ciência protesta contra as mudanças exatamente porque foi posta de fora dessas decisões. Os cientistas que participam foram convenientemente escolhidos pelos interessados na mudança do Código.

A simples possibilidade que agricultores com até quatro módulos sejam poupados pela mudança do Código, já fez com que áreas enormes já estejam sendo retalhadas para se enquadrarem no novo padrão legal. Portanto, maquia, mas não resolve o problema.

Além do mais, não se resolve um problema social criando mais um problema ambiental. Muitas das pequenas propriedades são inviáveis não porque respeitam as leis ambientais, mas porque são minifúndios, portanto, tecnicamente são áreas pequenas demais para viabilizar a vida de uma família naquele espaço. Portanto, a questão remete à concentração da terra no Brasil, não ao problema ambiental da preservação em si mesmo. Ele só aparece porque não há espaço outro para a expansão da atividade familiar.

4) Novas técnicas agrícolas e preservação.

Surgiram algumas técnicas para garantir a produção e evitar, por exemplo, a erosão dos solos. Uma delas é o chamado “plantio direto”. Evita-se o revolvimento do solo com máquinas, praticamente plantando sobre as palhas da cultura anterior as novas sementes. De fato, diminui em muito a erosão. Esse tipo de técnica está sendo usado como argumento para facilitar o desmatamento em função da agricultura extensiva.

Mas, é bom lembrar que o plantio direto não evita a força dos ventos, muito menos tem a capacidade de fixar carbono que as florestas têm. Além do mais, exige doses colossais de venenos. Portanto, é preciso olhar a questão no seu conjunto.

Quanto à redução das matas ciliares, evidente que ter 12 metros é melhor que não ter nenhum metro. Mas, é preciso lembrar que só na área de Minas Gerais, nascentes do São Francisco, mais de 1200 pequenos riachos foram extintos, o que vai impactando diretamente na força do rio, nesse caso o São Francisco. Quando chove há água, mas quando ele precisa de seus afluentes e aquíferos de abastecimento – aqüífero Urucúia -, então o rio mostra a fragilidade a partir do desmatamento do Cerrado. Entre vegetação e água existe uma conexão indissolúvel.

É importante pensar a partir dos biomas, mas é essencial pensar a interconexão dos biomas. Por exemplo, o grande reservatório de águas do Brasil está no Cerrado. Ele abastece as bacias do sul (Prata), Nordeste (São Francisco) e Norte (Araguaia-Tocantis) e Amazônica. Preservar os Cerrados é preservar grande parte das águas brasileiras.

O Aquecimento Global, pelos estudos já realizados, vai aumentar a temperatura do semiárido, diminuir disponibilidade de solos agrícolas em torno de 1,5% ao ano e diminuir a disponibilidade hídrica. A perda total de solos agrícolas do semiárido pode chegar a 60% em alguns estados em 50 anos (Embrapa Semiárido). A Amazônia tende a tornar-se uma savana. Acontece que grande parte das chuvas que caem no sul e sudeste do Brasil tem sua origem no rio aéreo que desce da Amazônia para o sul. Sem Amazônia não há, portanto, agricultura no sul e sudeste.

Modificar todo esse sistema complexo, no qual a vegetação tem influência decisiva, é mais que temerário, é uma loucura. Quebrar a legislação por interesses econômicos e corporativos, assim facilitando a quebra das leis da natureza, é ainda mais temerário.

Portanto, um interessante posicionamento da CNBB, do ponto de vista ético, é fundamental. O imperativo de vencer a fome a sede imediatamente não pode comprometer o suporte natural de vencer a fome e a sede das gerações futuras.

Outra atitude interessante da CNBB seria ouvir o mundo da ciência, particularmente aqueles que discordam das mudanças propostas, já que eles reclamam não estarem sendo ouvidos.

5) Novas atitudes.

Por outro lado, diante da Campanha da Fraternidade desse ano, muitos agricultores começaram de forma espontânea ou organizada a reagir ao desmatamento. Há agricultores na Chapada Diamantina refazendo matas ciliares, assim como a comunidade extrativista de Serra do Ramalho na região da Lapa, assim como um interessante trabalho de recuperação de rios da Cáritas em Rio dos Cochos, em Minas.

Há agricultores na caatinga cultivando as árvores nativas como a aroeira e o angico. Enfim, há uma outra linhagem de pensamento que não a imediatista, mesmo no meio dos pequenos agricultores.
Enfim, como vamos produzir comida para toda a humanidade? Essa é uma resposta em construção. Em todo caso, segundo a ONU, não será devastando solos, consumindo água além do sustentável, erodindo a biodiversidade que a humanidade encontrará uma saída para a fome, a sede, desta e das futuras gerações.

É possível vencer a fome e a sede em outro modelo agrícola e agrário, mas esse é um desafio do tamanho da humanidade. Nesse caso, mais que nunca, cabe o princípio da precaução.
Roberto Malvezzi (Gogó), articulista do EcoDebate, é membro da Equipe Terra, Água e Meio Ambiente do CELAM (Conselho Episcopal Latino-Americano) e assessor da Comissão Pastoral da Terra – CPT EcoDebate

Antropocentrismo ou Biodiversidade

Antropocentrismo ou Biodiversidade: 8,7 milhões de espécies vivas e 30 mil desaparecendo por ano.

A revista PLoS Biology publicou, em agosto de 2011, o resultado do censo da biodiversidade, mostrando que existem cerca de 8,7 milhões de espécies vivas no Planeta Terra. Este número não inclui os animais procariontes, como bactérias e vírus. A margem de erro do censo é de cerca de 15%, podendo existir 1,3 milhão de espécies a mais ou a menos. Do total de espécies estimadas, 6,5 milhões vivem na terra e 2,2 milhões na água. As 8,7 milhões de espécies estimadas do domínio Eucariota (organismos com membrana nuclear) estão divididas da seguinte forma:

- Animais: 7,7 milhões de espécies (953.434 descritas e catalogadas)

- Plantas: 298 mil espécies (215.644 descritas e catalogadas)

- Fungos: 611 mil espécies (43.271 descritas e catalogadas)

- Protozoários: 36,400 espécies (8.118 descritas e catalogadas)

- Cromistas: 27,500 espécies (13.033 descritas e catalogadas)

O termo utilizado para descrever toda esta diversidade biológica é BIODIVERSIDADE. As plantas, os animais e os microrganismos fazem parte de um todo vivo e o próprio Planeta Terra é considerado um ser vivo, de acordo com a Teoria de Gaia. A diversidade biológica está presente em todo lugar, enriquecendo o espetáculo da vida e, até mesmo, fornecendo alimentos, remédios e matéria-prima para o ser humano.

Estas milhões de espécies que fazem parte do ecossistema desempenham funções diferentes dentro do ciclo de vida. As plantas produzem seu próprio alimento utilizando somente a luz solar, que as tornam capazes de extrair substâncias inorgânicas, que estão no solo e na atmosfera, transformando-as em substâncias orgânicas. Os animais herbívoros alimentam-se destas plantas e são fontes de alimento dos animais carnívoros. O equilíbrio do ecossistema e o processo de polinização depende da variedade de espécies e todas possuem uma relação de interdependência, ou seja, uma depende da outra para sobreviver.

Porém, o desequilíbrio do ecossistema é um dos principais problemas ambientais da atualidade. A redução da biodiversidade coloca em risco o próprio ecossistema. A caça e a pesca predatória, a poluição das águas, do ar e do solo, a contaminação dos rios e dos oceanos, o desmatamento, as monoculturas, o uso de pesticidas e defensivos agrígolas, a falta de saneamento básico nas cidades, dentre outras ameaças ambientais, coloca em risco o equilíbrio biológico da Terra. O contínuo crescimento econômico e populacional está reduzindo o habitat das demais espécies do Planeta, pois as atividades de produção e consumo da espécie humana estão ocupando e/ou poluindo todos os espaços da terra, dos rios, lagos, oceanos e do ar.

De acordo com o World Resources Institute já houve cinco grandes extinções de espécies na Terra, todas provocadas por fenômenos naturais. Porém, estamos diante de uma sexta extinção que tem sido provocada, não por razões naturais, mas pelo antropocentrismo que tem provocado a perda de habitat, superexploração de espécies, difusão de espécies invasoras e poluição. A relação simbiótica entre as espécies está sendo alterada pela humanidade. A taxa de extinção atual é entre 1.000 e 10.000 vezes superior à taxa natural. As estimativas atuais apontam para uma taxa de extinção de espécies de cerca de 30.000 espécies por ano, ou três espécies por hora.

Neste ritmo de destruição, até o final do século XXI, um terço das espécies terrestres terão desaparecido em decorrência do egoísmo e da onipresença humana em todos os cantos do Planeta. A redução da biodiversidade, decorrente do ecocídio e do biocídio provocados pelas atividades antrópicas, tem acelerado o processo da sexta extinção e coloca em risco a vida do ser humano na Terra. Mas, antes mesmo do seu próprio suicídio, o ser humano já pode ser considerado o principal inimigo das outras espécies vivas do mundo.
José Eustáquio Diniz Alves, colunista do EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves{at}yahoo.com.br

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