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domingo, 20 de dezembro de 2009

Saiba o que fazer com óleo de cozinha reciclado





O sabão em barra é o principal produto obtido, mas também é possível fazer biocombustível e resina para tintas. Além de reaproveitar os materiais, a reciclagem do óleo também preserva o meio ambiente (veja o infográfico), porque evita a poluição das águas, a morte da fauna aquática, a contaminação do solo e o efeito estufa.

DESCARTE ERRADO
No ralo
Quando é jogado no ralo da pia da cozinha, o óleo causa muitos males. O primeiro deles é o entupimento dos canos da residência.

Na água
Se descartado em rios ou lagos (ou se o esgoto não é tratado), 1 litro de óleo pode contaminar 1 milhão de litros de água.

No solo
O óleo pode impermeabilizar a terra e agravar o efeito estufa, pois sua decomposição libera gás metano.

RECICLAGEM

Purificação
Primeiro, o óleo usado para fritar alimentos é filtrado para ficar sem impurezas. Em seguida, é aquecido a 60ºC, em média.

Ativos Químicos
Ao atingir a temperatura, é levado a um misturador e filtrado novamente. São então adicionadas soda cáustica e outras substâncias.

Produto final
O líquido é colocado em fôrmas para esfriar e secar. Com a massa solidificada, são feitos cortes a fim de criar as barras de sabão.
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Principais pontos do Acordo de Copenhague:

Terminou oficialmente neste sábado, 19 de dezembro, a 15a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que teve como principal resultado o “Acordo de Copenhague”, elaborado por um alguns países na noite de sexta-feira e formalmente aceito pela ONU. Sem aprovação unânime, o acordo terá como anexo uma lista de países contrários a ele. A iniciativa de “tomar nota” foi a saída encontrada para que o documento tenha status legal suficiente e seja funcional, sem que seja necessária a aprovação pelas partes. Segundo o jornal dinamarquês ‘Berlingske”, o presidente COP15, primeiro-ministro dinamarquês Lars Løkke Rasmussen, está satisfeito com desfecho. “Temos conseguido resultados. Agora, as nações terão que assinar o acordo, e se o fizerem, o que foi acordado terá efeito imediato”, destacou. O otimismo do primeiro-ministro dinarmaquês não é o mesmo de muitos líderes. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já na tarde da sexta-feira, 18/12, havia anunciado sua frustração com a conferência do clima. “Se a gente não conseguiu fazer até agora esse documento, eu não sei se algum anjo ou algum sábio descerá neste plenário e irá colocar na nossa cabeça a inteligência que nos faltou até agora”, alertou o presidente brasileiro. Já para o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que nos momentos finais chefiou a delegação brasileira, o acordo é insuficiente para que os países, principalmente os mais pobres, tenham condições de agir de forma efetiva. De acordo com o texto, os países ricos se comprometeram a doar US$ 30 bilhões, nos próximos três anos, para um fundo de luta contra o aquecimento global. O acordo prevê US$ 100 bilhões por ano, em 2020. "Isso aqui é insuficiente, vamos continuar a luta pelo planeta", disse Minc. O ministro Carlos Minc ressaltou que esse valor que será colocado no fundo até 2012 - US$ 10 bilhões por ano - é menos do que o Brasil vai gastar para atingir sua meta voluntária de reduzir em até 39% das emissões de gases de efeitos estudo, até 2020. Ele explicou que para atingir sua meta, o Brasil vai gastar US$ 16 bilhões por ano. "Esse valor de US$ 30 bilhões para todos é menos do que o Brasil sozinho vai gastar para cumprir as nossas metas, aprovadas pelo nosso parlamento", destacou Minc. O documento diz ainda que os países desenvolvidos se comprometeram em cortar 80% de suas emissões até 2050. Já para 2020, eles apresentaram uma proposta de reduzir até 20% das emissões, o que está abaixo do recomendado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que sugere uma redução entre 25% e 40% até 2020. Para a secretária de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente e membro do IPCC, Suzana Kahn, o resultado da COP15 foi decepcionante, uma vez que os chefes de estado discutiram mais a questão econômica das nações ricas e emergentes e se esqueceram daqueles que vão sofrer dramaticamente os efeitos da mudança climáticas. "Existem muitos países africanos, por exemplo, que irão sofrer demais com o aumento da temperatura. No entanto, parece que a discussão tomou um viés econômico e político, o que eu acho muito preocupante. A questão climática ultrapassa a fronteira ambiental. É uma questão de desenvolvimento, de justiça, de equidade", afirmou Suzana Kahn. Principais pontos do Acordo de Copenhague: - O acordo é de caráter não vinculativo, mas uma proposta adjunta ao acordo pede para que seja fixado um acordo legalmente vinculante até o fim do próximo ano. - Considera o aumento limite de temperatura de dois graus Celsius, porém não especifica qual deve ser o corte de emissões necessário para alcançar essa meta - Estabelece uma contribuição anual de US$ 10 bilhões entre 2010 e 2012 para que os países mais vulneráveis façam frente aos efeitos da mudança climática, e US$ 100 bilhões anuais a partir de 2020 para a mitigação e adaptação. Parte do dinheiro, US$ 25,2 bilhões, virá de EUA, UE e Japão. Pela proposta apresentada, os EUA vão contribuir com US$ 3,6 bilhões no período de três anos, 2010-12. No mesmo período, o Japão vai contribuir com US$ 11 bilhões e a União Europeia com US$ 10,6 bilhões. - O texto do acordo também estabelece que os países deverão providenciar "informações nacionais" sobre de que forma estão combatendo o aquecimento global, por meio de "consultas internacionais e análises feitas sob padrões claramente definidos". - O texto diz: "Os países desenvolvidos deverão promover de maneira adequada (...) recursos financeiros , tecnologia e capacitação para que se implemente a adaptação dos países em desenvolvimento" - Detalhes dos planos de mitigação estão em dois anexos do Acordo de Copenhague, um com os objetivos do mundo desenvolvido e outro com os compromissos voluntários de importantes países em desenvolvimento, como o Brasil. - O acordo "reconhece a importância de reduzir as emissões produzidas pelo desmatamento e degradação das florestas" e concorda promover "incentivos positivos" para financiar tais ações com recursos do mundo desenvolvido. - Mercado de Carbono: "Decidimos seguir vários enfoques, incluindo as oportunidades de usar is mercados para melhorar a relação custo-rendimento e para promover ações de mitigação.
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Síntese das ações e debates no Klimaforum09, Copenhague

O Klimaforum09, evento que ocorreu paralelamente a COP15 em Copenhague, foi organizado para as pessoas comuns. Ao contrario da COP15, no Klimaforum09, os seus frequentadores estavam ali por compartilharem os mesmos ideais, dividir experiências e encontrar soluções construtivas para a crise das mudanças climáticas. Ao final, um relatório será entregue à COP 15. O Klimaforum09 foi elaborado com o objetivo de ser um espaço aberto, pensante, intenso, vivo. Foi baseado na crença de que a luta contra mudanças climáticas requer mais que tecnologias e sim, novas formas de pensamento, novos valores culturais, novas formas de organizar a sociedade. O fórum representou a união, diferentemente da COP 15, onde somente as divergencias se sobressairam. Durante a sua existência, ocorreram mais de 150 debates, palestras, workshops, alem de exposições nas suas diversas salas, discussões, mesas redondas, filmes, musica e deliciosa comida orgânica local. Definitivamente, pode ser considerado o maior evento aberto do planeta dedicado`a mudanças climáticas. O Klimaforum09 não e uma organização e sim a representação de todas as organizações, movimentos sociais, cidadãos, cientistas, comunidades, artistas, escritores, ativistas e curiosos, enfim todos aqueles comprometidos com a crise climática. E vale ressaltar, o nível altíssimo de seus palestrantes, sem desconsiderar o debate promovido por diversas organizações sociais de diferentes paises, mas passaram por lá Naomi Klein (em seu discurso de abertura ressaltou que o Bella Center era o maior exemplo de desastre do capitalismo), Vendana Shiva, o Presidente Nasheed das ilhas Maldivas, Tim Jackson, Marina Silva (que durante seu discurso foi intensamente aplaudida), Nnimmo Bassey, George Mombiot entre muitos outros ambientalistas. Os temas abordados foram abrangentes, inteligentes e interdisciplinares, tratando de questões indígenas, florestas, consumo, capitalismo, carbono zero, transporte, a destruição da floresta amazônica, justiça, democracia, direitos humanos, movimentos populares, desenvolvimento sustentável, energia, pobreza, o consumo de carne, o papel da mulher, o mercado de carbono, segurança alimentar, biocomumbustível, ética, educação e REDD. Temas estes, apresentados sob diferentes perspectivas e cenários. Um dos pontos altos do Klimaforum09 foi a Marcha de 12/12. O fórum se tornou o ponto de encontro para todos aqueles que participaram da maior ação de mobilização internacional. Tal demonstração contou com mais de 100.000 pessoas de todos os cantos do mundo e 530 organizações de 67 paises, além dos próprios cidadãos de Copenhague que aderiram a marcha. Acredito que o Klimaforum09 provou, através de suas ações (depois de duas semanas, o fórum passou a ter vida própria) que a discussão não e mais climática, mas sim, sobre a própria existência humana. Foi evidenciado, como os nossos hábitos afetam o planeta em que vivemos em todas as esferas, de tal maneira que seres humanos estão morrendo e ecossistemas desaparecendo. Nenhuma novidade até então, contudo, o modo em que estas questões foram abordadas e discutidas foi inovativo, abrangente, multicultural e participativo. Os delegados da COP 15 deveriam dividir experiências com os participantes do KlimaForum09. Certamente, o KlimaForum09 foi muito mais construtivo do que a COP 15. A verdade é que não existe uma solução global para mudanças climáticas e as ações contra essa crise começam dentro de casa. Cada um de nós pode contribuir com a sua parte. A mudança depende, também, de todos nós e não tão somente de decisões políticas. Entretanto, o KlimaForum09 demonstrou, felizmente (e diferentemente da COP 15), que muitas pessoas estão dispostas a mudar, a quebrar o paradigma. Outrora, ainda ouvíamos dizer que devemos construir um mundo melhor para nossos filhos. Contudo, chegamos ao limite em que nossos filhos não podem mais esperar. Salve o Clima, Salve o Homem. Esta era a frase escrita em muitos cartazes que circularam pelas ruas de Copenhague. Entenda-se ai, um Homem integrado com o Ambiente em que vive, respeitando todos os seres vivos do planeta Terra. O KlimaForum09 foi um exemplo de solidariedade. Aquele amigo que te abraçou e te amparou, te iluminou com um facho de esperança. Exatamente o oposto do que se viu na COP 15. Nossos representantes políticos precisam freqüentar mais eventos como este, pois quem sabe assim, eles aprendem a serem mais humanos, dignos, solidários e comprometidos com suas obrigações. Obrigado a todos que fizeram desse fórum um dos maiores eventos construtivos do planeta. O debate, a troca de idéias sob diferentes pontos de vista, a circulação de informação são essenciais para o fortalecimento dos cidadãos e dos movimentos sociais. E como salientou o Presidente Nasheed das ilhas Maldivas, “somente os movimentos sociais tem o poder de salvar o planeta”. *Priscila Salvino, advogada, gestora ambiental e ativista do Friends of the Earth, Londres. priscilasa{at}hotmail.co.uk

COP 15 fracassou como esperado.


Descontando as bravatas, os impasses, os jogos de cena, etc., a COP 15 caminhou ‘resolutamente’ para lugar algum, como muitos já haviam adiantado.

Diante do fracasso é irrelevante discutir se os EUA e China não cederam um único milimetro, além dos interesses dentro de suas próprias fronteiras.

Algumas, questões, entretanto ficaram muito visíveis:

1) Ninguém colocou em debate o atual modelo de desenvolvimento, predatório por definição. Sem esta discussão, continuaremos discutindo como tratar câncer com placebo.

As únicas e honrosas exceções foram Luiz Inácio da Silva e Evo Morales.

Evo Morales, presidente da Bolívia, que tomou a palavra para manifestar contrariedade com a forma como um acordo sobre o clima estava sendo discutido por um pequeno grupo de líderes do mundo no último minuto. “Quem é responsável?” ele perguntou. E concluiu: “A responsabilidade recai sobre o sistema capitalista -, temos de mudar o sistema capitalista”.

O presidente Luiz Inácio da Silva, de sua parte, em discurso duro, criticou, com todas as letras, o comportamento dos países ricos e em desenvolvimento para se chegar a um acordo sobre as mudanças climáticas. “Estamos dispostos a participar do financiamento se nos colocarmos de acordo aqui em uma proposta final, mas não estamos de acordo que as figuras mais importantes do planeta Terra assinem qualquer documento para dizer que assinamos.” disse

2) De fato e formalmente, apenas foram fixados os padrões e valores para os projetos REDD, o que comprova a falsidade ideológica do ‘capitalismo verde’, tendo em vista que aprovou-se critérios para ‘recuperação de degradação’, o que abre caminho para as monoculturas e nada se acordou para os serviços ambientais das florestas em pé;

3) O tal ‘fundo’ é um complemento dos projetos REDD porque ele não ‘financiará’ mudanças nas matrizes energéticas, não financiará energias alternativas, apenas ‘projetos’ de ‘adaptação’. É evidente que boa parte destes recursos será absorvida pela transferência de tecnologia, o que interessa às maiores e mais tecnológicas economias. De novo, é mais uma ação do tal capitalismo verde;

4) e por último ninguém discutiu ou aprovou ações ou fundos de redução de danos para os países pobres.

Os senhores do mundo pouco se importam que, atualmente, a insegurança alimentar pese sobre 1 bilhão de pessoas ou que 1,5 bilhão não tenha acesso à água tratada e saneamento. Por que se importariam se, em 2050, 1/4 da população do planeta sofra com a desertificação, as secas, a fome, as doenças e as ondas de calor?

É inútil querer discutir metas de CO2 passando ao largo de um modelo de desenvolvimento predatório, insustentável e excludente em sua essência.

O capitalismo gera desequilíbrios em inúmeros aspectos. Para os ricos as doutrinas de hegemonia econômica, segurança interna e garantia de uso dos bens naturais não podem ficar na corda bamba. As decisões deveriam ser de baixo para cima e não o inverso.

Segundo Desmond Tutu, arcebispo sul-africano “Os que tomam as decisões sobre a mudança climática são os mesmos que a causaram“. Então, como fica a responsabilidade histórica dessa devastação da natureza? Eles mentiam e mentem quando não aceitam a pura verdade e vão em rota de colisão com a maioria da população mundial.

Ninguém está disposto a reduzir a demanda crescente de energia elétrica, mesmo que isto signifique mais barragens, mais termelétricas a carvão, gás ou nuclear, represando ou vaporizando volumes imensos de recursos hídricos cada vez mais escassos. Todos concordam com este “sacrifício”, desde que ele seja no quintal do vizinho.

Nosso delírio consumista já consome o equivalente a 1,4 planeta a mais do que temos. E ninguém está disposto a reduzir o padrão de consumo.

E não adianta fugir do assunto, porque, cedo ou tarde, enfrentaremos as consequências de nossa hipocrisia. Ou, para ser mais exato, nossos netos enfrentarão as consequências de viver em um planetinha horrível.

Se optamos por nada mudar, por que esperamos que a COP 15, como incontáveis outros convescotes ambientais internacionais, tivesse um resultado diferente do que mais um estrondoso fracasso.

Todos os governos decidiram nada decidir, porque é o mesmo que todas as pessoas, hipocrisias à parte, também decidiram.

O risível ‘Acordo de Copenhague’ firmou o ‘compromisso’ de empreender esforços para manter o aquecimento global médio em no máximo 2ºC, tido como o limite máximo aceitável. Isto no entanto significará imensos custos sociais e ambientais, como discutimos no editorial “Os reais ‘custos’ de manter o aquecimento global médio em no máximo 2ºC“.

O argumento, amplamente usado por ricos e emergentes, de que as medidas mitigadoras do aquecimento global e a redução das emissões de gases estufa implicariam em pesados custos econômicos é estúpido porque este custo será pago de uma forma ou de outra. A diferença é que nossos netos estarão pagando muito mais caro para apenas tentar sobreviver.

Ê evidente que a redução das emissões de gases estufa e a opção por um modelo sustentável implicarão em pesados custos sociais e econômicos, mas não temos outra alternativa para garantir a vida no planeta.

Talvez ainda tenhamos uma nova chance na COP 16, na cidade do México, em dezembro de 2010. Talvez…

Por Henrique Cortez, do EcoDebate, 19/12/2009, com a colaboração de Carol Salsa.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Veneno à nossa mesa: Produtor usa mais agrotóxico que o necessário




Um estudo [Farm History, Insecticide Use and Risk of Autoimmune Rheumatic Disease in the Women's Health Initiative Observational Study] recente mostra que as mulheres que usam inseticidas possuem elevado risco de desenvolvimento de doenças auto-imunes, como artrite reumatoide e lúpus. Os resultados do estudo, ainda não publicado, foram apresentados, em 17 de outubro de 2009, durante a reunião anual do Colégio Americano de Reumatologia, realizada em Filadélfia, PA, EUA.
Para José Roberto da Ros, diretor do Sindag, agrônomo tem que ser responsável-técnico e não “apenas receitador”

Os produtores rurais brasileiros têm usado mais agrotóxicos do que seria necessário para combater as pragas e doenças em suas lavouras. Ao vincular o receituário dos engenheiros agrônomos à dosagem recomendada nos rótulos dos produtos, a atual Lei de Agrotóxicos mantém aberta essa brecha que estimula um alto consumo de químicos no país.

“O agrônomo não pode receitar doses menores de defensivos porque a Lei nº 7.802, de 1989, exige a dose completa do rótulo. Os veterinários podem fazer, mas os agrônomos não podem”, afirmou o coordenador de Controle de Resíduos e Contaminantes Vegetais do Ministério da Agricultura, Carlos Ramos Venâncio. Em 2008, os produtores gastaram US$ 7,12 bilhões para adquirir 734 mil toneladas de agrotóxicos no Brasil. Reportagem do Valor Econômico.

Impacto do agronegócio sobre ambiente e saúde: desafios à produção de conhecimento
O grupo de trabalho (GT) Saúde e Ambiente da Abrasco convocou, na manhã de domingo (1/11), um debate sobre o processo produtivo do agronegócio e suas relações e consequências para a saúde pública e o meio ambiente no IX Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva. Na mesa, coordenada pela pesquisadora da Universidade Federal do Ceará, Raquel Rigotto, os palestrantes Vicente Almeida (Embrapa), Marcelo Firpo (ENSP/Fiocruz), Wanderlei Pignati (UFMT) e Lia Giraldo (CPqAM/Fiocruz) falaram do macrofenômeno do agronegócio e sua relação com a economia, a produção industrial, a política, a pesquisa e a necessidade de transição para um novo modelo agroecológico no país.

Acre deve adotar medidas efetivas de atendimento a vítimas do DDT
Responsáveis poderão ser presos em flagrante caso persista a morosidade no cumprimento das decisões judiciais

O juiz federal David Wilson de Abreu Pardo exarou decisão acolhendo manifestação do Ministério Público Federal no Acre (MPF/AC) na ação civil pública que trata da prestação de atendimento a servidores da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) vitimadas pelo contato com o DDT. A decisão foi motivada por pedido do MPF/AC para que houvesse efetivo cumprimento de ordens judiciais anteriores para a formulação do plano de atendimento e indicação de entidade idônea para o diagnóstico dos possíveis enfermos. São réus na ação o estado do Acre, a União e a Funasa.

Agrotóxicos: Censo Agropecuário constatou 25 mil casos de intoxicação de agricultores
No país que é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, os casos de intoxicação aguda e crônica são pouco registrados. Censo Agropecuário constatou 25 mil casos de intoxicação de agricultores, 300% acima das notificações oficiais.

No campo, o envenenamento diário com os agrotóxicos – José Faria Pinto, de 55 anos, Márcia Cristina Tayt-Sohn, 47 anos, Norival Ferreira da Silva, 39 anos, Sonia Maria de Oliveira, 39 anos. Quatro histórias de vida de agricultores ligadas pelo mesmo drama: a intoxicação por agrotóxicos, que usam desde a infância. Reportagem de Cássia Almeida, no O Globo, 25/10/2009.

Censo Agropecuário 2006: Quase 80% de proprietários rurais usam agrotóxico
O uso de agrotóxicos nas propriedades rurais brasileiras é mais comum em unidades dirigidas pelos proprietários. De acordo com dados do Censo Agropecuário 2006 esse número chega a 78,4%, e o equipamento mais usado é o pulverizador costal (69,1%), que tem maior potencial de exposição. Além disso, em mais da metade das unidades onde a prática foi verificada, os responsáveis não receberam orientação técnica (56,3%) do governo, cooperativas ou da iniciativa privada.

Mudanças Climáticas: Degelo ameaça reservas de água na Bolívia


Na Bolívia, água e gelo contam uma história de mudança climática.
As geleiras que há muito fornecem água e eletricidade para esta parte da Bolívia estão derretendo e desaparecendo, vítimas do aquecimento global, segundo a opinião da maioria dos cientistas. Reportagem de Elisabeth Rosenthal, em El Alto (Bolívia), The New York Times.

Se o problema da água não for resolvido, El Alto, uma cidade pobre vizinha a La Paz, poderá talvez transformar-se na primeira grande baixa urbana causada pelo aquecimento global. Um relatório do Banco Mundial concluiu no ano passado que a mudança climática acabaria com várias geleiras nos Andes dentro de 20 anos, ameaçando a existência de quase 100 milhões de pessoas.

Os líderes mundiais há muito concordam que os países ricos precisam fornecer dinheiro e tecnologia para ajudar as nações em desenvolvimento a adaptarem-se a problemas que, em grande parte, foram criados por chaminés de fábricas e canos de descargas de veículos em lugares muito distantes. Mas os detalhes dessa transferência – que países arcarão com as despesas, quanto será pago e para que tipos de projetos – ainda continuam sendo fonte de polêmica.

“Temos um grande problema, e nem mesmo dinheiro resolverá isso completamente”, afirma Pablo Solon, o embaixador da Bolívia na Organização das Nações Unidas (ONU). “O que pode fazer um país se as suas geleiras desaparecerem ou, no caso de nações insulares, se ele ficar debaixo d’água?”.

Cientistas dizem que dinheiro e projetos de engenharia poderiam resolver os problemas de falta d’água de La Paz e El Alto, com projetos que incluiriam um reservatório bem planejado. As geleiras em torno das cidades proporcionaram basicamente reservas naturais de baixa manutenção, coletando água na curta estação chuvosa e liberando-a durante a estação seca para o uso da população e a geração de energia elétrica. Mas, com a elevação das temperaturas e as alterações dos regimes pluviométricos, essas geleiras não suprem mais estas necessidades.

“Os efeitos estão aparecendo muito mais rapidamente do que nós podemos responder a eles, e são necessários de cinco a sete anos para a construção de um reservatório. Não sei se temos tanto tempo”, adverte Edson Ramirez, um glaciologista que há duas décadas documenta e faz previsões sobre a redução do tamanho das geleiras. Ultimamente, essa redução tem superado as suas previsões mais pessimistas. Por exemplo, ele previu que uma da geleiras, a Chacaltaya, duraria até 2020, mas ela desapareceu completamente neste ano. Em 2006, ele afirmou que a demanda por água em El Alto superaria a oferta até 2009. Isso de fato aconteceu.

Nos últimos anos, a vida dos bolivianos tem sido castigada por uma série quase bíblica de fenômenos climáticos rigorosos, muitos dos quais, segundo os cientistas, estariam vinculados à alteração climática – embora atualmente seja difícil provar isso, já que países pobres como a Bolívia contam com poucos dados científicos de longo prazo. Neste ano o sol foi tão intenso e as temperaturas foram tão elevadas que que as mães indígenas viram os filhos de pele escura sofrer queimaduras solares. Uma seca matou 7.000 animais e deixou quase 100 mil doentes.

Os países desenvolvidos concordam que têm a obrigação de ajudar a aliviar esses problemas, mas muitos deles hesitam em fornecer verbas, em parte porque os países pobres têm poucos planos concretos para enfrentar os problemas climáticos. Por exemplo, os efeitos das alterações climáticas ainda não foram analisados nem quantificados pela Epsas, a companhia de água.

Mas com pouco dinheiro e conhecimento técnico, é difícil projetar um novo reservatório gigante ou um sistema para a transferência de água para diferentes partes do país.

“Os pobres da Bolívia não são responsáveis por aquilo que está ocorrendo com a geleira, mas são eles os que sofrem mais, e infelizmente o governo não tem um plano concreto”, opina Edwin Torrez Soria, um engenheiro da Aqua Sustentable, que trabalha nas vilas próximas à geleira Illimani.

Neste ano, os últimos dias de novembro proporcionaram um pouco de alívio e a estação chuvosa começou, embora com um atraso de um mês. A torneira em frente à casa de Celia Cruz voltou a fornecer água.

Mas a chuva que costumava suprir as geleiras de gelo, agora, com frequência, só faz com que aumentem as enxurradas, já que a temperatura está muito elevada para que a água congele.

“Neste momento estamos vivendo com uma quantidade de água adicional, proveniente do derretimento da geleira, que daqui a alguns anos não estará mais disponível”, diz Hoffmann, do programa de mudança climática. “Isto não é irônico?”.

Jean Friedman-Rudovsky, em El Alto, Bolívia, contribuiu para esta matéria

Educação Ambiental, Mudanças de Comportamento e o novo Acordo Climático, artigo de Valdir Lamim-Guedes


[EcoDebate] A Educação Ambiental (EA), tendo por base a alfabetização ecológica, conforme colocada por Fritjof Caprai como a assimilação de princípios ecológicos para o entendimento dos problemas ambientais e soluções destes, é uma das principais ferramentas para a sustentabilidade planetária. Além da EA, o desenvolvimento e adoção de novas tecnologias menos impactantes, com a redução das emissões de poluentes e uma menor extração de recursos naturais, aliada a uma nova conduta da política, com a valorização das pessoas, principalmente, as excluídas socioeconomicamente, são outros fatores integrantes desta busca pela sustentabilidade planetária. Assim, é parte inerente da EA as mudanças de comportamento, como por exemplo, atuar na diminuição do consumo, tomar atitudes menos poluidoras, reduzir o uso do carro, dar preferência aos transportes públicos, comprar produtos socialmente justos e produzidos de maneira mais limpa.

Apesar deste papel central da EA, esta não tem sido alvo dos debates na COP15. As negociações estão baseadas apenas em soluções técnicas para a redução da emissão dos Gases causadores de Efeito Estufa (GEE), com a criação de mecanismos financeiros, como o REDD, e o desenvolvimento e transferência de tecnologia para mitigação e adaptação as mudanças climáticas.

A atual crise não é apenas ambiental ou econômica, e sim civilizatória. A cultura do consumismo leva as pessoas a ignorarem o impacto de suas atividades sobre o meio ambiente e sobre a sociedade. O meio ambiente é atingindo por causa da extração de matérias-primas e por receber os dejetos da produção dos bens de consumo. A sociedade é atingida porque é impossível que todas as pessoas consumam como uma pessoa rica, este nível de consumo está baseado nas desigualdades sociais, já que algumas pessoas acumulam riqueza, enquanto muitas pessoas mal têm condições para manter um consumo calórico diário adequado, traduzindo em números, cerca de 1 bilhão de pessoas estão subnutridas no mundo inteiro (uma em cada seis pessoas).

O combate a estas desigualdades, incentivando a justiça socioambiental, deveria ser um dos carros chefes do debate sobre clima, porque os mais atingidos pelas mudanças climáticas serão os mais pobres (africanos e habitantes de países-ilha) e os maiores impactos ambientais são causados, em sua maioria, por uma minoria rica.

Com este discurso pode-se questionar que a melhoria de vida das pessoas irá levá-las a consumir mais, passando a exercer uma pressão maior sobre o meio ambiente? A resposta é sim. Porém, é justamente aí o desafio, uma maior igualdade entre as pessoas reduzirá o impacto ambiental dos ricos, por outro lado, aumenta o impacto ambiental das pessoas mais pobres. Mas, em resposta a este problema, deve-se buscar estratégias de combate ao consumismo, lembrando que, é justamente o consumismo que mantém o capitalismo e o nível atual da exploração dos recursos naturais.

Desta forma, o novo acordo climático, além de criar estratégias técnicas e financeiras para mitigação e adaptação as mudanças climáticas, deve também ter um forte compromisso pela inclusão de todas as pessoas no processo de respostas às mudanças climáticas e outras questões ambientais. Por que não cada pessoa ter a sua meta de redução da emissão de GEE? Isto pode integrar políticas públicas e institucionais?

Ao invés disto, focam o debate em soluções tecnológicas, caras e, em muitos casos, ainda utópicas ou em desenvolvimento, sem a certeza de que irão funcionar. Este tipo de discurso está intrinsecamente ligado à idéia de que poderemos responder às mudanças climáticas apenas com as novas tecnologias, que o padrão de consumo e outros comportamentos (transportes, por exemplo) não precisam ser alterados.

Uma evidência de que o avanço tecnológico nem sempre é a melhor solução para os problemas enfrentados atualmente é a crise dos alimentos, que não é conseqüência das fracas colheitas a nível global, mas causada pela crise econômica mundial, que tem reduzido rendas e oportunidades de emprego e restringindo o acesso aos alimentos por parte da população mais pobre. Existe uma relação direta entre a crescente mecanização da produção agrícola e o aumento da fome, como conseqüência da concentração da propriedade e da renda. O uso de máquinas deveria atender a produção de alimentos, priorizando o ser humano e não o lucro, já que os alimentos têm sido vistos como commodity, sendo um artigo de especulação negociado em mercados futuros, sem qualquer relação com a demanda real da populaçãoii.

É possível reduzir a nossa pegada ecológica e, ainda assim, alcançar melhores condições de vida para todos de forma sustentável. Esta conquista está visceralmente ligada ao processo de tomada de consciência ambiental, junto com mudanças individuais e coletivas de comportamento. Como já dizia Paulo Freire, reforçado pelo Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, a educação é um ato político! Desta forma, quando a EA engloba uma visão ampliada do meio ambiente, ou seja, considerado em sua totalidade, incluindo suas dimensões ecológicas, físicas, sociais, políticas, estéticas e econômicas ela passa a ser um fator de transformação da sociedade. Assim, a EA não deve ser ignorada durante esta ultima semana de negociações da COP15, sendo justamente o contrário, que ela passe a ser vista com uma das principais estratégias de combate as mudanças climáticas.

Valdir Lamim Guedes Junior
Mestrando em Ecologia de Biomas Tropicais
Universidade Federal de Ouro Preto

Cop 15 - CONFRONTOS EM COPENHAGUE - Leonardo Boff


“A visão dos representantes da sociedade civil mundial sustenta: a situação da Terra e da humanidade é tão grave que somente o princípio de cooperação e uma nova relação de sinergia e de respeito para com a natureza nos poderão salvar. Sem isso vamos para o abismo que cavamos“, escreve Leonardo Boff, teólogo, constando que duas visões se confrontam em Copenhague.

Eis o artigo.

Em Copenhague nas discussões sobre as taxas de redução dos gases produtores de mudanças climáticas, duas visões de mundo se confrontam: a da maioria dos que estão fora da Assembléia, vindo de todas as partes do mundo e a dos poucos que estão dentro dela, representando os 192 estados. Estas visões diferentes são prenhes de conseqüências, significando, no seu termo, a garantia ou a destruição de um futuro comum.

Os que estão dentro, fundamentalmente, reafirmam o sistema atual de produção e de consumo mesmo sabendo que implica sacrificação da natureza e criação de desigualdades sociais. Crêem que com algumas regulações e controles a máquina pode continuar produzindo crescimento material e ganhos como ocorria antes da crise.

Mas importa denunciar que exatamente este sistema se constitui no principal causador do aquecimento global emitindo 40 bilhões de toneladas anuais de gases poluentes. Tanto o aquecimento global quanto as perturbações da natureza e a injustiça social mundial são tidas como externalidades, vale dizer, realidades não intencionadas e que por isso não entram na contabilidade geral dos estados e das empresas. Finalmente o que conta mesmo é o lucro e um PIB positivo.

Ocorre que estas externalidades se tornaram tão ameaçadoras que estão desestabilizando o sistema-Terra, mostrando a falência do modelo econômico neoliberal e expondo em grave risco o futuro da espécie humana.

Não passa pela cabeça dos representantes dos povos que a alternativa é a troca de modo de produção que implica uma relação de sinergia com a natureza. Reduzir apenas as emissões de carbono mas mantendo a mesma vontade de pilhagem dos recursos é como se colocássemos um pé no pescoço de alguém e lhe dissésemos: quero sua liberdade mas à condição de continuar com o meu pé em seu pescoço.

Precisamos impugnar a filosofia subjacente a esta cosmovisão. Ela desconhece os limites da Terra, afirma que o ser humano é essencialmente egoista e que por isso não pode ser mudado e que pode dispor da natureza como quiser, que a competição é natural e que pela seleção natural os fracos são engolidos pelos mais fortes e que o mercado é o regulador de toda a vida econômica e social.

Em contraposição reafirmamos que o ser humano é essencialmente cooperativo porque é um ser social. Mas faz-se egoísta quando rompe com sua própria essência. Dando centralidade ao egoísmo, como o faz o sistema do capital, torna impossível uma sociedade de rosto humano. Um fato recente o mostra: em 50 anos os pobres receberam de ajuda dois trilhões de dólares enquanto os bancos em um ano receberam 18 trilhões. Não é a competição que constitui a dinâmica central do universo e da vida mas a cooperação de todos com todos. Depois que se descobriram os genes, as bactérias e os vírus, como principais fatores da evolução, não se pode mais sustentar a seleção natural como se fazia antes. Esta serviu de base para o darwinismo social. O mercado entregue à sua lógica interna, opõe todos contra todos e assim dilacera o tecido social. Postulamos uma sociedade com mercado mas não de mercado.

A outra visão dos representantes da sociedade civil mundial sustenta: a situação da Terra e da humanidade é tão grave que somente o princípio de cooperação e uma nova relação de sinergia e de respeito para com a natureza nos poderão salvar. Sem isso vamos para o abismo que cavamos.

Essa cooperação não é uma virtude qualquer. É aquela que outrora nos permitiu deixar para trás o mundo animal e inaugurar o mundo humano. Somos essencialmente seres cooperativos e solidários sem o que nos entredevoramos. Por isso a economia deve dar lugar à ecologia. Ou fazemos esta virada ou Gaia poderá continuar sem nós.

A forma mais imediata de nos salvar é voltar à ética do cuidado, buscando o trabalho sem exploração, a produção sem contaminação, a competência sem arrogância e a solidariedade a partir dos mais fracos. Este é o grande salto que se impõe neste momento. A partir dele Terra e Humanidade podem entrar num acordo que salvará a ambos

(Ecodebate, 17/12/2009) publicado pelo IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A VIDA DEPENDE DA ÁGUA




A existência de tudo o que é vivo, em nosso planeta, depende de um fluxo de água contínuo e do equilíbrio entre a água que o organismo perde e a que ele repõe.
As semelhanças entre o corpo humano e a Terra são: 70% do nosso corpo também é constituído de água. Assim como a água irriga e alimenta a Terra, o nosso sangue, que é constituído de 83% de água, irriga e alimenta nosso corpo.
Quando o homem aprendeu a usar a água em seu favor, ele dominou a natureza: aprendeu a plantar, a criar animais para seu sustento, a gerar energia etc
Desde as civilizações mais antigas até as mais modernas, o homem sempre procurou morar perto dos rios, para facilitar a irrigação, moer grãos, obter água potável etc.
Nos últimos trezentos anos, a humanidade se desenvolveu muito, a produção aumentou, o comércio se expandiu, provocando uma verdadeira revolução industrial.
Nesse processo, a água teve papel fundamental, pois a partir de seu potencial surgiram a roda d água, a máquina a vapor, a usina hidrelétrica etc.
Hoje, mais do que nunca, a vida do homem depende da água. Para produzir um quilo de papel, são usados 540 litros de água; para fabricar uma tonelada de aço, são necessários 260 mil litros de água; uma pessoa, em sua vida doméstica, pode gastar até 300 litros de água por dia.


ÁGUA RECURSOS LIMITADOS
No decorrer do século XX, a população do planeta Terra aumentou quase quatro vezes. Um estudo populacional prevê que no ano 2010 a população mundial, em sua maioria absoluta, estará vivendo em grande cidades; com o grande desenvolvimento industrial, a cada dia aparecem novas utilidades para a água.
O custo de ter água pronta para o consumo em nossas casas é muito alto, pois o planeta possui aproximadamente só 3% de água doce e nem toda essa água pode ser usada pelo homem, já que grande parte dela encontra-se em geleiras, icebergs e subsolos muito profundos.

Consumo de Água no Planeta




Planeta Terra, 2050. Neste ano, segundo estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), 4 bilhões de pessoas sofrerão com a falta de água, e dois terços da população poderá enfrentar escassez total, Mudanças climáticas, poluição, falta de investimento em recursos hídricos e desperdício são alguns dos fatores que ameaçam a sobrevivência da humanidade. Diante desse quadro alarmante, o desafio será: como preservar esse bem tão precioso?
No ultimo século, o consumo de água no Brasil tem crescido a um ritmo de doze vezes superior ao da população mundial, segundo a agência da ONU para agricultura e alimentação (FAO). Maior detentor de água do mundo, o País tem cerca de 15% de todo estoque do Planeta.
Entretanto, várias regiões já sofrem problemas de abastecimento, principalmente os estados da região Norte e Nordeste, Mas nada se compara aos níveis críticos de recursos hídricos em países como a África do Sul, Egito, Índia, Iraque, Isael, Jordânia, Líbano, Haiti, Turquia e Paquistão.
No Brasil, de acordo com a Agencia Nacional de Águas (ANA), somente 20% dos municípios fazem coleta de esgoto e o índice de tratamento gira em torno de 20% com eficiência discutível. Isso significa que todos os dejetos domésticos não tratados, ou com baixo índice de descontaminação, vão parar nos rios, córregos e outros mananciais de onde é retirada a água que abastece a população.
A escassez de água provocada pelo aquecimento global vai afetar os cultivos agrícolas e a segurança alimentar das populações mais pobres do mundo a partir de 2020. A previsão consta da segunda parte do relatório Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) das Nações Unidas (ONU), divulgado em 2007 e amplamente debatido. Segundo os cientistas, as populações mais pobres do mundo serão as mais afetadas pelo aquecimento global e agravada pelo consumo desequilibrado de água e a poluição dos mananciais.

Água


O desperdício, a poluição e a destruição da
Mata ciliar, são exemplos de descaso com a água, que resultam em inúmeros problemas que comprometem a sobrevivência no planeta. A água é um elemento essencial à vida é um recurso finito. Sua disponibilidade e qualidade são determinantes para manutenção da qualidade de vida das futuras gerações.
Embora se observe muita falta de cuidado no planeta em relação à preservação desse recurso, várias instituições no mundo vem se preocupando com seus reservatórios naturais, visando proteger o futuro da espécie humana e de todas as outras espécies, que podem ser extintas ou comprometidas, a menos que se tome uma atitude significativa com relação à administração dos recursos hídricos no globo terrestre.
Não tenho a pretensão de mudanças radicais, porque sei o quanto é difícil as mudanças dentro de nossa casa. Mas com a união de forças, talvez possamos inicial as mudanças que irão trazer benefícios para as futuras gerações. Isto já pode ser considerado um grande passo. Espero que esse trabalho o ajude a se conscientizar da necessidade de participar desse esforço conjunto.

César Torres

Diante do caos ambiental que se encontra o mundo – onde o maior ameaçado é o homem – fica evidente a necessidade de uma mudança urgente, que depende de um esforço coletivo, ou seja, uma mudança nos hábitos e atitudes de empresas, dos governos, das instituições de ensino, enfim das pessoas, pois são elas que determinam a forma de agir.
Essa forma de agir depende da educação, do conhecimento e da consciência formada desde criança através da educação ambiental, formando cidadão responsáveis por suas ações. Se cada um fizer sua parte pode-se ter esperanças de um mundo mais sustentável, não somente para o presente, mas também para as futuras gerações.
Uma ação pedagógica que seja eficiente deve ser estruturada em correspondência com as particularidades físicas, psicológicas e sociais da população e principalmente da criança, levando em conta os seus diferentes níveis de desenvolvimento, considerando que será principalmente a criança que irá fazer parte de uma futura geração socioambientalmente correta.
De acordo com Piaget apud Lieixà Arribas (2004), o desenvolvimento precede a aprendizagem, por isso é preciso conhecer os níveis de desenvolvimento alcançados pelas crianças para saber o que elas serão ou não capazes de fazer e assim adaptar os processos de aprendizagem a esses níveis de desenvolvimento.
Existe uma grande diferença entre informar e formar pessoas. A formação constitui um processo educativo, capaz de construir conhecimentos e valores e transformá-los em ação prática.
O ensino-aprendizagem deve ser uma construção participativa, participativa e estar de acordo com a realidade local. Diante dessa ótica que estamos elaborando esse trabalho com informações e propostas que possam transformar a visão de nossa população através do estímulo e a sensibilização para uma mudança de atitude.
A Educação Ambiental para atingir os objetivos, tem que passar pela melhoria na qualidade de ensino:
 Valorização da Educação Ambiental nas escolas;

 Promoção da educação Ambiental Interdisciplinar;

 Democratização da produção de conhecimento;

 Favorecimento do protagonismo Juvenil;

 Maior Interação entre escola e comunidade nas ações e produção de conhecimento na relação homem – meio ambiente.

 Pequenas intervenções mitigadoras de problemas ambientais locais.

Uma decisão em favor da vida


Desde os tempos mais remotos o homem costuma lançar seus detritos nos cursos de água. Até a Revolução Industrial, porém, esse procedimento não causava problemas, já que os rios, lagos e oceanos possuem considerável poder de autolimpeza, de purificação.
Com a industrialização, a situação começou a sofrer profundas alterações. O volume de detritos despejados nas águas tornou-se cada vez maior, superando a capacidade de purificação dos rios e oceanos, que é limitada. Além disso, passou a ser despejada na água uma grande quantidade de elementos que não são biodegradáveis, ou seja, não são decompostos pela natureza. Tais elementos - por exemplo, os sacos plásticos, a maioria dos detergentes e os pesticidas - vão se acumulando nos rios, lagos e oceanos, diminuindo a capacidade de retenção de oxigênio das águas e, consequentemente, prejudicando a vida aquática e diminuindo a água potável para o consumo humano.
Mas, independente das ações dos governos das ONGs e das empresas, os cidadãos podem, e devem encarar os novos desafios e partir para atitudes concretas, aproveitando esse momento atual e importante da vida na terra, e que podemos denominar como uma "revolução ambiental" onde em poucas décadas certamente irá transformar radicalmente o comportamento humano.
Mas para se alcançar esse horizonte e impedir que ultrapassemos a capacidade máxima da biosfera de absorver resíduos e poluição, a reeducação e uma nova atitude diante da vida têm que ser priorizadas por todos nós, para
que possamos fazer daqui um lugar que garanta uma vida futura digna e saudável.
Em destaque está o plástico, vem se tornando o grande vilão, sendo um problema em todo o ambiente devido a sua demora em se decompor, e como agravante, na maioria dos pequenos municípios ainda não existe um processo de reciclagem que diminua seu impacto na natureza.
Diante da grandiosidade dos danos causados pelo plástico é que elaboramos esse trabalho para possibilitar ao cidadão que não possui muito tempo para buscar as informações básicas dos malefícios do uso do plástico em sua rotina diária, e como contribuir para o meio ambiente, possa fazê-lo colocando em prática as sugestões contidas na cartilha.
A cartilha possui informações suficientes para uma tomada de decisão em favor da vida. Vamos pensar nas gerações futuras agindo agora.

César Augusto Torres

Antigos saberes agrícolas podem nos levar para o futuro


As antigas culturas alimentares não estão um degrau abaixo da ciência acadêmica ou da pesquisa financiada por grupos privados. Nem são imóveis no tempo.
O texto foi publicado no jornal La Repubblica, 20-11-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Eis o texto.
Se quisermos começar a pensar sobre a comida com bom senso, sem preconceitos, e tentar de algum modo corrigir o sistema global industrial agroalimentar, devemos desfazer absolutamente um lugar comum: a rejeição a priori do passado e de tudo aquilo que tem sabor de passado. Assim como as economias das comunidades são consideradas marginais, e a busca do prazer alimentar, um coisa elitista, também a tradição, os saberes antigos, os estilos de vida mais sóbrios são investidos de um preconceito enraizado e são pontualmente marcados como nostálgicos e fora da realidade. Isso faz com que se liquidifiquem como superados séculos de cultura popular, e que, portanto, grande parte do saber próprio das comunidades do alimento – ou ainda mais as suas origens – não sejam nem levados em consideração.
É paradoxal que a maioria das pessoas reconheça a superioridade – embora, talvez, considerando-a uma prerrogativa elitista – de muitos produtos tradicionais, artesanais, tirados de ingredientes frescos e da estação, produzidos e consumidos localmente, mas depois não reconheça o importante valor das culturas e das competências que os criaram. Quase dizendo: “Sim, são melhores, mas estão fora do mundo, só existem em pequenos nichos, é a mesma coisa que comer mal”.
Não acredito que seja o caso de renunciar assim, sem se perguntar se existem alternativas possíveis. Estamos convictos de que, justamente sobre esses saberes, as comunidades fundarão o seu papel de protagonistas da terceira revolução industrial. Não é provocação, mas consciência de que, se o mundo pede energias limpas, produções sustentáveis, reuso e reciclagem, abatimento do desperdício, prolongamento da durabilidade dos bens, alimentos salutares, frescos e de qualidade, as comunidades do alimento não estão apenas em linha, mas já estão até na vanguarda. Seja por causa das técnicas utilizadas, mas ainda mais por causa da mentalidade que as apóia.
De fato, é lógico que não é possível replicar os seus métodos em todo o lugar, fundamentados talvez sobre tecnologias muito limitadas. É normal que esses aspectos da sua existência não sejam exportáveis para todos os lugares – embora em alguns casos não seja impossível – porque são filhos de uma adaptação local, e, no local, funcionam muito bem. Ao invés, é fundamental estudar sua sistematicidade, entendida como harmonização em um sistema complexo, e compreender os seus motivos.
Não se pode continuar considerando os saberes tradicionais e populares como um degrau abaixo dos da ciência que sai das universidades ou da pesquisa financiada por grupos privados. Pelo contrário, eles têm a mesma dignidade. O “savoir faire” agrícola é filho de uma experiência secular, e pouco importa que a sua praticidade seja demonstrada ou demonstrável cientificamente. Assim como também seria errado desejar uma supremacia desses conhecimentos, que eu defini como saberes lentos. É preciso que se instaure um diálogo em que os preconceitos sejam colocados à parte, em que a pesquisa esteja também ao seu serviço, e em que pesquisa e ciência colaborem sobre o mesmo plano paritário.
À tradição, muitas vezes, associa-se também o erro de vê-la como uma dimensão imóvel, que pertence ao passado. Até quem se refere a ela, a relata e a honra corre muitas vezes o risco de cometer o erro de vivê-la como um “unicum” que não evolui, que se interrompeu em um certo ponto. Essa é uma visão que acaba nos separando das nossas raízes, que nos tira a memória daquilo que fomos, da história dos nossos povos.
As comunidades sabem bem disso. Para elas, a tradição não é uma repetição monótona de gestos, ritos e produções. São abertas às novidades e a tudo o que, no sulco da tradição, pode lhes fazer progredir, sabem que é verdadeira aquela frase (da qual se abusa um pouco) que entende a tradição como “uma inovação bem sucedida” e a colocam em prática. Não abandonam o velho pelo novo, ao invés, inserem o novo no sistema complexo que forjou a sua identidade. Sabem de onde provêm e tem muito claro quais são os seus objetivos.
Não devemos decidir se é melhor a tradição ou o progresso, o passado ou o futuro, mas sim rejeitar generalizações, reducionismos e a separação desses conceitos, a sua contraposição. As comunidades existem para a continuidade da tradição, levam-na no coração e protegem a sua memória justamente porque lhes dá identidade em um mundo que tende à homologação, mas sabem bem que cometeriam um grave erro se não quisessem aproveitar os meios que a globalização e a tecnologia lhes oferecem. Querem apenas poder fazer isso de maneira responsável, com bom senso. Querem comer, e não ser comidos.
(Ecodebate, 25/11/2009) publicado pelo IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.

sábado, 21 de novembro de 2009

A verdadeira população mundial, artigo de Maurício Gomide Martins



Nos propomos, aqui, a apresentar a verdadeira dimensão da população mundial, fato desconhecido pela imensa maioria do povo.
Quando consultamos os relatórios estatísticos sobre as populações no mundo, ficamos sabendo que existem, hipoteticamente, 12.000 elefantes, 2.000 tigres indianos, 600.000 cangurus, etc. Se formos conferir esses dados, vamos contar os animais um a um. Contando, por exemplo, os tigres indianos, vamos achar os 2.000 exemplares e proclamar que existem no mundo 2.000 tigres indianos. Significa que 1 tigre é 1 tigre, representa 1 tigre, que executa ações de 1 tigre. O valor numérico 2.000 registra a existência natural e efetiva de 2.000 tigres.

Quando verificamos os dados oficiais sobre a população de humanos, somos informados de que existem 6.700.000.000 (seis bilhões e setecentos milhões) de pessoas. Mas isso não é verdade; é uma meio-verdade. É uma informação verdadeira quanto à representatividade natural, numérica, existencial. Mas, potencialmente, isto é, suas ações individuais, culturais e civilizacionais, correspondem a uma população, sob o impulso literário da hipérbole, de 670.000.000.000.000 (seiscentos e setenta trilhões). (A rigor e friamente, após os devidos cálculos, encontramos 750.000.000.000 setecentos e cinqüenta bilhões, o que já é um absurdo).

Vamos abrir um parêntese aqui para algumas considerações que ajudarão a compreender melhor essa informação. Desde os tempos imemoriais, o homem é um escravocrata. Sempre quis que outro exercesse esforços musculares em seu próprio benefício, poupando seu suor e lhe dando o prazer do conforto. Sabemos pela História que todos os povos procuraram usufruir os esforços alheios, ou pelo uso da força muscular de seu semelhante (escravidão), ou dos animais domesticados (uma forma disfarçada de escravidão), ou do uso das forças da natureza (que não deixa de ser uma forma de uso da servidão, mas de caráter intelectual). Essa última forma é apropriadamente chamada de tecnologia e considerada natural e não antiética.

Até o início do século XVIII, as invenções humanas não prejudicavam significativamente a Natureza porque apresentavam resultados comedidos e sempre no uso de produtos orgânicos, que se reciclam naturalmente. Em 1705, no entanto, um inglês chamado Thomas Newcomen inventou uma geringonça mecânica que produzia força motriz pela pressão do vapor de água. Outro inglês, James Watt, em meados do mesmo século aperfeiçoou tal invenção e lhe deu condições de uso prático, acendendo assim o estopim da destruição do mundo pela criação do primeiro motor a vapor.

O ano de 1764 assinala o início – há menos de 300 anos – da trilha equivocada e suicida da civilização atual. Com a invenção do motor, tornou-se possível acelerar os movimentos de transformação material dos recursos do planeta. Surgiram as primeiras fábricas e se iniciou a era industrial. Em seguida, com as descobertas científicas, a tecnologia avançou e produziu o motor de explosão, o motor elétrico, o motor nuclear. Em outras palavras: criaram-se milhões de escravos, sempre a serviço dos donos do poder econômico, cujos representantes são os políticos.

Sem falar em geladeira, televisor, ventilador, lavadora de roupa e outros, damos um exemplo concreto: eu tenho um automóvel com potência de 60 HP, que equivalem a 450 homens. Logo, tenho 450 escravos. Não nos esqueçamos que somente dos EE.UU. saem para a Europa 1.000 vôos diários pela manhã. À tarde os aviões fazem o retorno. No mundo, são 60.000 decolagens. Tais máquinas são alimentadas com petróleo. Na Natureza, não existe milagre. Tudo que se cria, não se cria; transforma-se. No caso, transformamos o combustível em movimento. Para meu conforto; para não despender esforço com a locomoção. Além disso, produz-se rapidez e eu ganho tempo. Tempo…

Falei, em linhas gerais sobre a população numérica. Mas, na verdade, temos que considerar o fator tempo nessa equação. Enquanto as ações da atual civilização se processam a 2.000 k por hora, a Natureza tem ritmo próprio equivalente a 1 cm por dia. Se levarmos em conta tal ritmo civilizatório, a população mundial efetiva passa a ser de trilhões, como sugerimos acima. Em outras palavras: as ações humanas degradam o planeta num percentual superior à sua capacidade de regeneração, advinda esta principalmente pela radiação solar. Isso significa simplesmente que o mundo tem gente demais.

Não precisamos matar ninguém; basta matar os motores.

* Colaboração de Maurício Gomide Martins para o EcoDebate, 21/11/2009

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O Brasil está entre os 10 países que mais desperdiçam comida no mundo


O investimento em tecnologia de ponta nas últimas décadas colocou o Brasil entre os países mais competitivos do agronegócio no mercado internacional, mas não foi suficiente para acabar com um problema básico: o desperdício de alimentos ao longo da cadeia produtiva.
O Brasil está entre os 10 países que mais desperdiçam comida no mundo. Cerca de 35% de toda a produção agrícola vão para o lixo. Isso significa que mais de 10 milhões de toneladas de alimentos poderiam estar na mesa dos 54 milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza. Segundo dados do Serviço Social do Comércio (Sesc), R$ 12 bilhões em alimentos são jogados fora diariamente, uma quantidade suficiente para garantir café da manhã, almoço e jantar para 39 milhões de pessoas.
O descuido percebido no processo produtivo se repete na casa das pessoas. De acordo com o Instituto Akatu, organização não-governamental dedicada a promover o consumo consciente, uma família brasileira desperdiça, em média, 20% dos alimentos que compra no período de uma semana. Em valores, isso representa US$ 1 bilhão, dinheiro suficiente para alimentar 500 mil famílias. Além das pessoas que poderiam ser alimentadas com o que vai para o lixo, desperdiçar significa prejuízo financeiro. Levantamento da Secretaria de Abastecimento e Agricultura do Estado de São Paulo mostra que todos os alimentos não aproveitados ao longo da cadeia produtiva representam 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, um rombo de R$ 17,25 bilhões de reais no faturamento do setor agropecuário.
Do total de desperdício no país, 10% ocorrem durante a colheita; 50% no manuseio e transporte dos alimentos; 30% nas centrais de abastecimento; e os últimos 10% ficam diluídos entre supermercados e consumidores. Segundo o pesquisador da Embrapa, Antônio Gomes, o fim desse problema tem vantagens em diferentes aspectos.
“Se o Brasil reduzisse as perdas, poderia oferecer mais produtos para o mercado interno, barateando os preços, e também exportar mais, sem a necessidade de investimentos adicionais na abertura de novas fronteiras agrícolas’, argumenta Gomes. Ele afirma que o índice de perdas é maior do que se consegue calcular, basta observar a quantidade de lixo orgânico gerado nas centrais de abastecimento das grandes capitais.
Outro problema apontado pelo pesquisador é a falta de informação dos consumidores. Não se trata apenas de saber aproveitar melhor os produtos na hora de cozinhar, mas sim da necessidade de cuidados também no momento da compra. “É preciso educar o consumidor. Se na hora de escolher o quiabo, você quebra a ponta, ninguém mais vai querer esse produto. Se, ao escolher o tomate, o cliente amassa o vegetal, é mais uma perda’, exemplifica Gomes.
A reportagem é de Débora Carvalho e publicada pela revista Desafios, set/out 2009. (Ecodebate, 12/11/2009) publicado pelo IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.

Lula deve assinar 30 decretos para regularizar terras quilombolas no Dia da Consciência Negra, 20/11




O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve assinar no Dia da Consciência Negra (20 de novembro), em Salvador, 30 decretos regularizando 342 mil hectares de terras que passarão a pertencer a 3,818 mil famílias quilombolas. A partir dessa decisão, o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackart, adotará as medidas legais para os processos de avaliação dos imóveis e de indenização dos proprietários. Com isso, as famílias de quilombolas passam a ter acesso a todo território e, posteriormente, ao título de domínio definitivo das terras, que é coletivo e inalienável (não pode ser vendido nem cedido).
Dentre os 30 territórios que serão reconhecidos, sete – Castainho e Conceição das Crioulas, em Pernambuco; Mocambo, em Sergipe; Mata Cavalo, em Mato Grosso; Furnas da Boa Sorte e Furnas do Dionísio, em Mato Grosso do Sul; e Kalunga, em Goiás,– já têm os títulos emitidos pela Fundação Cultural Palmares, mas as posses não foram efetivadas.
É que a fundação não tinha os instrumentos jurídicos e constitucionais para garantir esse direito. Todo o arcabouço legal e constitucional de regularização fundiária e demarcação das áreas quilombolas passou a ser, a partir de 2003, do Incra. Com a demarcação sob a responsabilidade do instituto, o governo federal terá como consolidar esse território étnico brasileiro.
Por se tratar de uma política estruturante de relevância para as comunidades quilombolas, elas também devem ter atenção redobrada de programas como o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida, o de Cozinhas Comunitárias e o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).
Serão beneficiadas ainda as seguintes comunidades: Mata de São Benedito, Santa Joana, Piqui e Santa Maria dos Pretos, no Maranhão; Engenho do Bonfim, na Paraíba; Tabacaria, em Alagoas; Lagoa dos Campinhos, em Sergipe; Nova Batalhinha, Jatobá e Lagoa do Peixe, na Bahia; Jatobá, no Rio Grande do Norte; Cafundó e Brotas, em São Paulo; Casca, Rincão dos Martinianos e São Miguel, no Rio Grande do Sul; Lagoinha de Baixo, em Mato Grosso; Colônia de São Miguel e Chácara Buriti, em Mato Grosso do Sul; Retiro, no Espírito Santo; e Preto Fôrro e São José da Serra, no Rio de Janeiro.
Reportagem de Ivanir José Bortot, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 13/11/2009

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Os países em desenvolvimento, principais vítimas do aquecimento climático


Diversos estudos confirmam que os países pobres serão as principais vítimas da mudança climática, ainda que sejam os menores responsáveis por ela, por não serem grandes emissores de gases de efeito estufa. Um estudo publicado no início de setembro deste ano pela Maplecroft, uma consultoria britânica especializada em riscos globais, mostra que os países mais vulneráveis ao aquecimento são a Somália, o Haiti, o Afeganistão e Serra Leoa. Dos vinte e oito países expostos a um “risco extremo”, vinte e dois estão situados na África subsaariana. Reportagem de Hervé Kempf, no Le Monde.
Enquanto isso, em Manila, o Banco Asiático de Desenvolvimento apresentava os resultados de uma pesquisa que concluía que o derretimento das geleiras do Himalaia ameaça a segurança alimentar e a disponibilidade de água dos 1,6 bilhão de habitantes do sul da Ásia. Em Nova York, Rob Vos, diretor do departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, avaliou que “se não reduzirmos as emissões de gases de efeito estufa de forma significativa, os danos causados à economia dos países pobres serão dez vezes maiores do que aqueles registrados nos países desenvolvidos”. Vos comentava o relatório publicado por seu departamento. Segundo as conclusões, seria preciso investir todos os anos na atenuação da mudança climática e na adaptação a seus efeitos, da ordem de 1% do produto interno bruto (PIB) mundial, ou seja, US$ 500 bilhões (R$ 855 bilhões).
Alguns meses antes, em maio de 2009, a ONU havia publicado um relatório da Estratégia Internacional de Redução de Riscos, lançado em 2000. O documento faz a primeira síntese dos conhecimentos sobre os desastres naturais que se produziram entre 1975 e 2008. Ainda que reconheça não ser completo, o texto representa um aglomerado único de conhecimentos.
Entre 1975 e 2008, ele lista 8.866 desastres que mataram 2.284.000 pessoas. A respeito das inundações, o risco de morte aumentou 13% entre 1990 e 2007. Pode-se dizer que o quadro não é uniformemente catastrófico. O número absoluto de perdas humanas ou econômicas aumenta no período como um todo, mas ele permanece proporcionalmente estável, pelo aumento demográfico e do PIB mundial.
Mas, segundo os especialistas da ONU, a situação deverá se deteriorar em razão da mudança climática e da degradação dos ecossistemas. Esta é um fator muito ignorado, pois estes últimos conseguem amortecer o impacto das catástrofes de origem natural. Quanto à mudança climática, ela aumentará o risco dos desastres. A vulnerabilidade das populações é um dos outros fatores que acentuam os riscos. A ação do poder público (normas antissísmicas, etc.) torna-se crucial: o Japão e as Filipinas sofrem com mais ou menos o mesmo número de furacões, mas estes provocam 17 vezes mais mortes nas Filipinas do que no Japão.
Tradução: Lana Lim
Reportagem [Le Sud, première victime du réchauffement climatique] do Le Monde, no UOL Notícias.
EcoDebate, 12/11/2009

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

"Certa noite, ao entrar em minha sala de aula, vi num mapa - mundi, o nosso Brasil chorar:


O que houve, meu Brasil brasileiro? perguntei-lhe!
E ele, espreguiçando-se em seu berço esplêndido, esparramado e verdejante sobre a América do Sul, respondeu chorando, com suas lágrimas amazônicas: Estou sofrendo...
Vejam o que estão fazendo comigo....
Antes, os meus bosques tinham mais flores e meus seios mais amores...
Meu povo era heróico e os seus brados retumbantes.
O sol da liberdade era mais fúlgido e brilhava no céu a todo instante...
Onde anda a liberdade, onde estão os braços fortes?
Eu era a Pátria amada, idolatrada...
Havia paz no futuro e glórias no passado...
Nenhum filho meu fugia à luta...
Eu era a terra adorada e dos filhos deste solo era a mãe gentil...
Eu era gigante pela própria natureza, que hoje devastam e queimam, sem nenhum homem de coragem que às margens plácidas de algum riachinho, tenha a coragem de gritar mais alto para libertar-me desses novos tiranos que ousam roubar o verde louro de minha flâmula...
Eu, não suportando as chorosas queixas do Brasil, fui para o jardim.
Era noite e pude ver a imagem do Cruzeiro que resplandece no lábaro que o nosso país ostenta estrelado
Pensei... Conseguiremos salvar esse país sem braços fortes?
Pensei mais...
Quem nos devolverá a grandeza que a Pátria nos traz?
Voltei à sala mas encontrei o mapa silencioso e mudo como uma criança dormindo
em seu berço esplêndido....
Autor: desconhecido

Quanto mais a Amazônia aguenta de desmatamento? Perigos da floresta, artigo de Míriam Leitão

Projeção do aumento de temperatura ao longo do século 21 [O GLOBO] Quanto a floresta aguenta? Qual é o limite de desmatamento que a Amazônia suporta? Essas perguntas têm sido feitas pelo climatologista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que, junto com seus alunos, tem escrito estudos publicados em revistas científicas do exterior. O último estudo conclui que 40% é o limite. Acima disso a floresta entra em colapso. Quem sobrevoa a Amazônia com olhos leigos, como os meus, tem a impressão de que ela será eterna, que aquele mundo imenso de cobertura verde é indestrutível. A verdade científica é que ela é mais frágil do que parece. Quem olha o percentual da floresta que já está desmatada — em corte raso — acaba pensando que é pouco. Hoje, estão desmatados 18% da Amazônia e outros 10% a 12% estão em estado de degradação ou fragmentação. Essa é a parte da floresta que começou a ser desmatada, mas não foi completamente limpa em corte raso. Parece pouco, mas na verdade estamos perigosamente perto do que os cientistas definem como tipping point, o ponto a partir do qual tudo se precipita, tudo se acelera, e a floresta começa a morrer. O tamanho do verde e o percentual da destruição só enganam os leigos, não os cálculos de climatologistas e especialistas. Eles sabem de um fenômeno assustador: que a partir de um determinado ponto, a floresta começa a se savanizar, perde a capacidade de regeneração, fica mais vulnerável ao fogo e às secas, muda de natureza. Deixará de ser a Amazônia como a conhecemos. — Pelos nossos estudos, o desmatamento não pode chegar a 40%, do contrário, o clima muda permanentemente. E quando mudar o clima, a floresta não volta. Ela perde a capacidade de se regenerar, perde sua resiliência. Na floresta tropical úmida, o solo precisa de água o ano inteiro, o que não acontece numa vegetação savanizada, onde chove apenas uma parte do ano, seguido por longo período de seca — disse Carlos Nobre. Esse tema tem sido objeto de estudo dele e de seus alunos desde 2003. Alguns desses estudos estão em várias publicações científicas de primeira linha no mundo inteiro. O último estudo, “Tipping Points for the Amazon Forest”, escrito por Nobre e Laura De Simmone Borma, também do Inpe, chega a este número de que perto de 40% a floresta está em perigo. — Temos feito avaliação também de quanto de aumento de temperatura a floresta aguenta antes de se desestabilizar. E concluímos que é três graus centígrados. Com um aumento além desse nível, a floresta também se savaniza. São esses os dois tipping points, como dizemos, os dois pontos de quebra, a partir do qual a floresta não aguenta — explica Nobre. Quanto mais a floresta é desmatada, mais ela afeta o clima. Quanto mais o clima é afetado, mais põe em risco a floresta. No estudo recente, eles incluíram o efeito do fogo na análise, mostrando que isso aumenta o risco. A explicação é que na Amazônia o fogo não prospera além de um certo ponto, ao contrário do cerrado, em que o fogo é parte da dinâmica do bioma. Quanto mais seca e mais quente a Amazônia for ficando — como efeito do desmatamento —, mais o fogo tem capacidade de penetração e destruição, alimentando o círculo vicioso que pode levar à destruição completa da floresta. — É uma ameaça: mais quente e mais seca, ela acelera o processo que poderá levar à savanização — afirma Nobre. Com todos esses riscos é preferível nem testar o nível de 40%. O mais sensato é conter já o desmatamento. O corte raso é diferente de área degradada, explica o pesquisador. Na área degradada, há perda de biodiversidade, mas a floresta, dependendo do estágio da destruição, pode ainda se regenerar. Mas somando-se o que há de corte raso e degradação, o estrago já seria de 30%, perigosamente perto do ponto de não retorno. O cientista recomenda que o país não teste a floresta além desse ponto. A Amazônia se espalha por nove países, mas — alerta o estudo — 80% do desmatamento ocorrem no Brasil. O desmatamento da Amazônia corresponde a 47,8% da perda mundial de florestas tropicais, numa taxa que é quatro vezes o segundo lugar, que é da Indonésia. E a destruição no nosso caso está concentrada em áreas muito bem definidas, que formam o arco do desmatamento. Deter o avanço da destruição não apenas é responsabilidade brasileira, como está no horizonte das nossas possibilidades. Quem vê a Amazônia assim tão gigante e isolada pode pensar que ela não está no centro de um problema que aflige o mundo inteiro. No texto, os cientistas afirmam que “o equilíbrio do clima e vegetação na Amazônia tem sido identificado como um dos tipping points do sistema climático global”. Isso tem que estar na mente dos tomadores de decisão no Brasil antes de pensar pequeno na preparação da posição brasileira para Copenhague, ou na tentativa de ceder à pressão dos ruralistas. Eles querem mais liberdade para desmatar, chances de plantar árvores exóticas em áreas destinadas a reserva legal, querem a possibilidade de compensar desmatamento ilegal com uso de fragmentos em outras áreas. Tudo pode parecer razoável para quem quer manter um status quo que nos levou a perder 18% da floresta e colocou sob ameaça imediata outros 10%. Um pouco mais de desmatamento pode nos levar a um terreno desconhecido. Portanto, a pergunta relevante deve ser feita aos cientistas: quanto mais a Amazônia aguenta de desmatamento? Eles dirão que está tão perto o tipping point que o mais sensato a fazer é não desafiar mais a sorte. Artigo originalmente publicado no Blog Míriam Leitão, no O Globo. EcoDebate, 09/11/2009.César Torres

Eco-Economia. Uma mudança de paradigma. Entrevista especial com Hugo Penteado


“O não contato com a realidade é a principal crítica aos economistas. Eles não têm contato com a realidade e não entendem que o problema ambiental não brotou do nada, e sim do sistema econômico, das ações diárias das pessoas, e que existe uma necessidade de mudança de paradigma”. Assim, o economista Hugo Penteado define os profissionais da área econômica de hoje. Em entrevista, por telefone, à IHU On-Line, ele defende uma economia preocupada, principalmente, com a sociedade e com o meio ambiente e afirma que as ciências econômicas precisam dialogar com as demais ciências, já que a economia interfere no planeta e nos serviços ecológicos do qual todos nós dependemos.
Hugo Penteado é mestre em economia pela Universidade de São Paulo e trabalha no mercado financeiro há mais de 20 anos. É autor do livro Ecoeconomia – Uma Nova Abordagem (São Paulo: Lazuli, 2003).
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Podemos dizer que os economistas são imediatistas?
Hugo Penteado – Com certeza. Temos uma ciência completamente autista em relação a vários problemas que estão surgindo, e que estão sendo acarretados por esta visão míope. Por exemplo, nos modelos dos economistas, não há uma só variável que inclua a contribuição dos recursos da natureza. Mesmo os recursos naturais tangíveis que são aqueles que podemos pegar, como metais, petróleo etc., são considerados até hoje, pela macroeconomia moderna, completamente irrelevantes para explicar o processo econômico.
Na verdade, os economistas consideram os bens da natureza como completamente livres, e a ideia de infinitude planetária como um princípio. Eles acreditam que a economia pode ser maior que o planeta e outros absurdos como, por exemplo, a crença que o planeta é um subsistema da economia, e não o inverso. A realidade física, biológica e ecológica não está sendo considerada pelas teorias. Temos que fazer uma inversão de eixos o mais rápido possível porque esse tipo de visão criou um conflito entre o sistema econômico e as pessoas com a natureza da qual dependemos. A realidade é que a economia e as pessoas são o subsistema do planeta, é justamente o inverso. E, portanto, ao não considerar isso, o problema é agravado pelas métricas, estas consideram os bens da natureza livres, o planeta infinito, então, nada disso tem menor apreço por estas questões.
Estamos vivendo uma das maiores externalidades ambientais do sistema, até para viabilizá-lo. Sem a inclusão dessas variáveis, o sistema está caminhando para um colapso total. É mais do que urgente que a economia mude esta visão. Já existem correntes teóricas contrárias há mais de 60 anos cujas teses e críticas jamais foram refutadas e, no entanto, os economistas teimam em manter a mesma visão de crescimento eterno das economias sem fazer nenhuma conta, o quanto de água e de solo fértil será necessário, lembrando que recursos são infinitos e estão ficando cada vez mais escassos no mundo todo.
IHU On-Line – O senhor disse recentemente em seu blog que o “Nobel de Economia” é um alerta para os economistas autistas. Pode nos explicar por quê?
Hugo Penteado – Em primeiro lugar, nenhuma crítica aos autistas, minha irmã mais velha é autista, e eu entendo muito bem como funciona um autista, infelizmente, ele não enxerga a realidade, e isso é tão forte que ele não é capaz nem de desenvolver a fala. O primeiro diagnóstico do autista é mudo-surdo, geralmente, se fizerem testes técnicos de audição vão encontrar o diagnóstico de surdez. O não contato com a realidade é a principal crítica aos economistas. Eles não têm contato com a realidade e não entendem que o problema ambiental não brotou do nada, e sim do sistema econômico, das ações diárias das pessoas, e que existe uma necessidade de mudança de paradigma. Não dá para encontrar uma solução para o problema que a humanidade enfrenta hoje dentro do paradigma atual. A insistência nesse paradigma é de transformar aquecimento global em oportunidade de negócios. Acho que esta é a principal mensagem, precisamos de uma mudança de paradigma, e a economia precisa ser uma ciência que se comunique com as demais ciências, pois ela interfere com o planeta e os serviços ecológicos do qual todos nós dependemos.
Não dá mais para assumir que a economia, como muitos economistas assumem sem saber, é neutra para a natureza. A economia tem uma raiz epistemológica mecanicista e, através dessa raiz, há um erro teórico, já reconhecido há mais de 60 anos, de que a economia simplesmente trabalha com a ideia absurda que é a falta de contato com a realidade, que eu falo autismo, onde o sistema econômico é neutro para o meio ambiente, e que o planeta é inesgotável. Esse tipo de visão da realidade é um confronto, ou os economistas mudam o paradigma ou ele irá mudar sozinho, o planeta já está revidando. A Austrália lançou recentemente um plano de evacuação da população costeira até 55 km da linha da costa para dentro, que irá se iniciar em dezembro de 2009. Cerca de 80% da população australiana vive na costa e está preocupadíssima com a mudança climática, uma vez que as evidências não podem mais serem negadas. Cerca de 80% do gelo das estações de esqui desapareceram, e lugares pobres como a Bolívia, que tinha estações de esqui famosas no mundo todo, perderam completamente o gelo de forma permanente. Não tem mais como negar que as mudanças climáticas estão em curso.
A Índia parou de produzir arroz, a Austrália parou de produzir leite, já temos uma série de eventos como a seca enorme da Amazônia em 2005, a forte onda de calor que matou milhares de pessoas na Europa, em 2003. Sobre os eventos climáticos recentes, nos anos de 2008 e 2009, ninguém prestou atenção, a mídia precisa fazer um esforço para mostrar isso cada vez mais claramente, pois são mudanças que estão ocorrendo e não estão sendo amplamente divulgadas.
IHU On-Line – O que falta aos economistas de hoje?
Hugo Penteado – Conhecimento das demais ciências, isso interfere com a biodiversidade e os ecossistemas. Precisamos ter conhecimentos das ciências mais puras como física, química e matemática, que são as bases das demais vertentes científicas. A ciência precisa ter uma melhor análise social, pois alegar que o crescimento econômico gera benesses. Isso nos países desenvolvidos, principalmente, através de uma concentração de riquezas gigante que vigora hoje no mundo rico. É preciso também transformar essa ciência, que é extremamente matematizada, em uma ciência social, o que deveria ser o objetivo maior. Quando decidi estudar economia, minha preocupação era com o aspecto humano, populacional e social. De repente, deparo-me com uma ciência que só trabalha com equações matemáticas totalmente desvinculadas da realidade, onde duas variáveis foram excluídas dos modelos dos economistas, que são as pessoas e o meio ambiente. Só isso eles excluíram dos modelos e vivemos o absurdo das pessoas servindo a uma economia ao invés de ter um sistema econômico que sirva às pessoas.
IHU On-Line – O que é a visão “in the box”?
Hugo Penteado – É a visão na qual a economia é considerada um superssistema, o planeta é considerado um subsistema, equivalente à visão que a humanidade já teve no passado de que a Terra era o centro do universo, e que o sol girava em seu entorno. Hoje, os economistas têm uma visão de que o planeta gira em torno da economia, e que a economia é o centro do universo. Na verdade, o planeta é o sistema maior, ele que dita as regras. Não temos a menor condição de interferir nas regras planetárias, temos apenas que negociar e dialogar bem com elas. Não tem jeito, não tem como alterarmos, só conversamos, vivemos e respiramos graças à biodiversidade e aos ecossistemas. Os primeiros relatórios sistêmicos da situação dos ecossistemas saíram nos anos de 2006 e 2008, o projeto Millennium Ecosystem Assessmen, a avaliação é simplesmente negra em relação ao impacto do que estamos fazendo. A crescente demanda sobre recursos cruciais como a água, por exemplo, é uma situação de que estamos caminhando para um cenário de ruptura na questão da água. Nem preciso dizer a importância da água, toda a vida depende dela. A água só existe porque existe a biodiversidade.
Esta é uma questão extremamente importante, da interdependência. Vivemos em uma sociedade individualista e vemos a interdependência como algo negativo, o exemplo da floresta Amazônica é bastante importante. Cerca de 50% da água da Amazônia vêm da evaporação dos oceanos e os outros 50% vêm da transpiração das florestas. A água da Amazônia só existe porque há floresta e a floresta só existe porque há água. É isso que estamos tentando fazer na Amazônia, e no cerrado a mesma coisa. O aquífero Guarani depende da existência do cerrado, se o cerrado desaparecer, a água morre; se a água morrer, a agricultura morre. Então dizer que eu preciso ter metas menos ambiciosas em relação ao cerrado e à Amazônia por causa da expansão agrícola é uma visão estanque, porque eu não levo em consideração complicações sistêmicas que têm efeitos alavancados. Nem precisa mencionar também o fato de se ter feedbacks positivos nos ecossistemas, e pontos a partir do qual os ecossistemas se autodestroem. O que a comunidade científica vem alertando é que a situação hoje é extremamente crítica. Acho que as informações e os alertas deveriam ser maiores para que as pessoas modificassem seus hábitos de hoje, que é de um extremo desperdício de tudo, de matéria e energia, como se isso fosse abundante e eterno. Não têm o menor compromisso com o planeta e nem com as gerações futuras. Todo transporte em cima de carro individual é um verdadeiro absurdo, o melhor meio de transporte é o coletivo ou andar a pé. São mudanças muito radicais, e não sei se a humanidade está preparada para fazer antes que alguma coisa mais grave ocorra.
IHU On-Line – Mas o fato de uma mulher como Elinor Ostrom ter recebido este prêmio pode indicar alguma mudança no pensamento econômico mundial?
Hugo Penteado – Não sei se isso seria um alerta. Eu tenho tentado conversar com economistas famosos, muitos nem me respondem, vários economistas do mercado financeiro como Jim O’Neil etc. para tentar mostrar que temos uma agenda econômica com variáveis escondidas que são muito mais importantes. O que os economistas precisam entender é que muitos itens extremamente importantes para a humanidade têm valor intrínseco, e não podem sequer serem valorados. Acreditar que o sistema de preços ou mecanismos de mercado vai criar uma regra que beneficie o meio ambiente é um verdadeiro absurdo. A maior parte do sistema métrico trabalha com a falsa ideia de que os bens da natureza não têm valor algum. Na verdade, todas essas métricas, o sistema de preços, o funcionamento do mercado atuam da seguinte forma: quanto mais viável economicamente for uma atividade, mais inviável ambientalmente ela é.
Existe uma lista enorme de exemplos nesta direção, basta ver o colapso das reservas pesqueiras do norte da Europa. Vários cientistas e governos alertaram as aldeias pescadoras para pararem de pescar, e não pararam, pois, quanto mais eles pescavam, além da reposição das reservas, menos peixes saíam, mais caro eles ficavam, e isso era um estímulo para continuarem pescando. Pescaram até o último peixe e causaram um desastre ambiental social gigante, o mais assustador da perda de reservas pesqueiras oceânicas, como é o caso dos países do norte da Europa que não teve retorno. Isso é uma perda definitiva. Estamos nos comportando de forma extremamente predatória. Temos as bacias hidrográficas no Brasil e é preciso ver que as tentativas de evitar que ocorra o colapso destas através da cobrança da água esbarra no seguinte argumento: se cobrarmos pela água a atividade fica economicamente inviável.
A pergunta é: mas se a bacia hidrográfica entrar em colapso por não estarmos cobrando pela eficiência do uso da água, a atividade também vai entrar em colapso? Temos um estado do norte nos Estados Unidos, que é uma miniChina, 99% de sua fonte energética é carvão, gerando uma poluição gigante neste estado, e se chegarmos para o governo desse estado e dissermos para mudar a matriz energética, a resposta será: se mudarmos a matriz energética, a atividade econômica fica inviável. Aqui já ouvimos de alguns políticos da região norte que não dá pra combater a atividade madeireira ilegal porque isso inviabilizaria a economia do estado. Temos agendas ocultas por trás do crescimento econômico que precisam vir à tona. Todo o impacto social, ambiental é amplamente ignorado e o imediatismo é total. Os governos estão pouco se lixando para o que vai acontecer, daqui a 20 anos, com as gerações futuras. As metas são de curto prazo, não temos a capacidade de incluir variáveis de longo prazo, o mercado financeiro, onde eu trabalho há mais de 20 anos, é um ótimo exemplo. O prazo do mercado financeiro é de apenas seis meses.
IHU On-Line – Se hoje nós temos posições insustentáveis, o que pode fazer com que o mundo seja sustentável?
Hugo Penteado – Cada um de nós, individualmente, tem uma contribuição muito grande para dar que é começar a olhar para os recursos de matéria e energia que utilizamos para viver, reduzindo maciçamente esse consumo, focando em relações sociais. Tem aquela proposta de consumo consciente de um instituto, que fala “não dê um presente, dê uma lembrança”. Precisamos nos desmaterializar, precisamos ter noção que cada recurso desperdiçado, além de ser extremamente karmático para todos nós, é um crime. Estamos cometendo, inconscientemente, um crime contra a sociedade, a humanidade, a biodiversidade, a natureza, o planeta ao implementar um consumo extremamente inconsciente. Tenho uma dica de um livro que acho muito interessante, do Daniel Goleman, autor do “Inteligência emocional”. Ele escreve um livro chamado “Inteligência ecológica” que é excelente, mostra o quanto somos ignorantes e o quanto precisamos de conhecimento para poder pressionar as empresas a realmente adotarem regras mais viáveis, do contrário a humanidade irá desaparecer.
(Ecodebate, 09/11/2009) publicado pelo IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.
[IHU On-line é publicado pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

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