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domingo, 7 de fevereiro de 2010

Vamos Salvar nosso Planeta!


Vamos Salvar o Planeta!

A geração humana deste tempo está vivendo exclusivamente para si, sem levar em conta a segurança e futuro das gerações vindouras. Que planeta queremos entregar aos nossos filhos? O homem já extinguiu dezenas de espécies que Deus criou e colocou na terra para compor a cadeia alimentar natural.

O capitalismo e a ganância cegam os homes, a ponto de não perceberem que estão cavando a sepultura de toda humanidade. Basta! Já é hora de parar! Nas últimas décadas, somos testemunha de tempos que muitos não conheceram. Acompanhamos, dia após dia, ano após ano, as imperceptíveis mudanças no planeta e muitos foram os acontecimentos marcantes de nossa história.

Muitos cidadãos nascidos nas últimas décadas são também testemunhas vivas das mudanças importantes no último século. Essas mudanças não chamam a atençào dos mais jovens. Todo ocorrido para maioria deles, são considerados apenas fatos históricos, sem maiores relevâncias.

Nos últimos 40 anos, acompanhamos as mudanças sociais, culturais, de comportamento e a evolução tecnológica. Tivemos a oportunidade de ver a primeira TV preto e branco entrar na cidade de Inhapim, com apenas um canal, onde sua imagem mais parecia uma foto desbotada. O telefone era ainda através de pinos metálicos para completar uma ligação, que era feita de somente na central telefônica. O transporte era 90% tração animal. A diversidade ecológica era enorme. A caça e pesca eram práticas normais. O desmatamento era visto como evolução econômica, com aumento das pastagens e área agricultável . O crescimento populacional não chegava a 05% ao ano.

Nas últimas duas épocas, também acompanhamos as mudanças, e podemos afirmar, foram avassaladoras. Não podemos negar que a tecnologia trouxe uma melhora de qualidade de vida a todos, nos aspectos, saúde, educação, moradia, transportes etc. Como previsto, à custa da dilapidação dos recursos naturais. Um retrocesso enorme na proteção ambiental. Essa evolução culminou na agressão das matas ciliares, das nascentes das reservas florestais. Antigamente, o rio Caratinga, era um rio com volume de água respeitável, com farto cardume de peixes. Hoje apenas um córrego quase sem vida. O rio são silvestre sempre foi menor, um afluente do Rio Caratinga. Hoje seu leito corre apenas um pequeno filete de água. E quantas fontes secaram? Será que alguém imagina.

As cidades, principalmente os grandes centros, com sua concentração populacional provocada pelo êxodo rural, vem sendo a grande responsável pelo alto índice de poluição. Os resíduos sólidos, o esgotamento sanitário, a poluição do ar, enfim, somos os grandes responsáveis. Precisamos repensar nossas atitudes. O planeta pede socorro.

E você? Já pensou como poderá ajudar?
Veja o vídeo com uma bela mensagem e conheça o caminho que estamos percorrendo e o futuro que nos aguarda se não começarmos as mudanças já.


video

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - APP




O conceito de Áreas de Preservação Permanente (APP) presente no Código Florestal brasileiro (Lei 4.771 de 15/09/1965), emerge do reconhecimento da importância da manutenção da vegetação de determinadas áreas - as quais ocupam porções particulares de uma propriedade, não apenas para os legítimos proprietários dessas áreas, mas, em cadeia, também para os demais proprietários de outras áreas de uma mesma comunidade, de comunidades vizinhas, e, finalmente, para todos os membros da sociedade.

De acordo com o Código Florestal brasileiro, Áreas de Preservação Permanente (APP) são áreas “...cobertas ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas”. Distinguem-se das áreas de “Reserva Legal”, também definidas no mesmo Código, por não serem objeto de exploração de nenhuma natureza, como pode ocorrer no caso da Reserva Legal, a partir de um planejamento de exploração sustentável. Exemplos de APP são as áreas marginais dos corpos d’água (rios, córregos, lagos, reservatórios) e nascentes; áreas de topo de morros e montanhas, áreas em encostas acentuadas, restingas e mangues, entre outras. As definições e limites de APP são apresentadas, em detalhes, na Resolução CONAMA n° 303 de 20/03/2002.

No meio rural, as APP assumem importância fundamental no alcance do tão desejável desenvolvimento sustentável. Tomando como exemplos as APP mais comumente encontradas no ambiente rural, como áreas de encostas acentuadas, as matas ciliares em áreas marginais de córregos, rios e reservatórios, bem como áreas próximas às nascentes, é possível apontar uma série de benefícios ambientais decorrentes da manutenção dessas áreas.

Nesses casos, esses benefícios podem ser analisados sob dois aspectos: o primeiro deles com respeito a importância das APP como componentes físicos do agroecossistema; o segundo, com relação aos serviços ecológicos prestados pela flora existente, incluindo todas as associações por ela proporcionada com os componentes bióticos e abióticos do agroecossistema. Embora de forma artificial, esses papéis podem ser assim destacados:

IMPORTÂNCIA FÍSICA:

- Em encostas acentuadas, a vegetação promovendo a estabilidade do solo pelo emaranhado de raízes das plantas, evitando sua perda por erosão e protegendo as partes mais baixas do terreno, como as estradas e os cursos d’água;
- Na área agrícola, evitando ou estabilizando os processos erosivos;

- Como quebra-ventos nas áreas de cultivo;
- Nas áreas de nascentes, a vegetação atuando como um amortecedor das chuvas, evitando o seu impacto direto sobre o solo e a sua paulatina compactação. Permite, pois, juntamente com toda a massa de raízes das plantas, que o solo permaneça poroso e capaz de absorver a água das chuvas, alimentando os lençóis freáticos; por sua vez, evita que o escoamento superficial excessivo de água carregue partículas de solo e resíduos tóxicos provenientes das atividades agrícolas para o leito dos cursos d’água, poluindo-os e assoreando-os;
- Nas margens de cursos d’água ou reservatórios, garantindo a estabilização de suas margens evitando que o seu solo seja levado diretamente para o leito dos cursos; atuando como um filtro ou como um “sistema tampão”. Esta interface entre as áreas agrícolas e de pastagens com o ambiente aquático possibilita sua participação no controle da erosão do solo e da qualidade da água, evitando o carreamento direto para o ambiente aquático de sedimentos, nutrientes e produtos químicos provenientes das partes mais altas do terreno, os quais afetam a qualidade da água, diminuem a vida útil dos reservatórios, das instalações hidroelétricas e dos sistemas de irrigação;

- No controle hidrológico de uma bacia hidrográfica, regulando o fluxo de água superficial e subsubperficial, e assim do lençol freático.

Serviços Ecológicos.

- Geração de sítios para os inimigos naturais de pragas para alimentação, reprodução;
- Fornecimento de refúgio e alimento (pólen e néctar) para os insetos polinizadores de culturas;
-Refúgio e alimento para a fauna terrestre e aquática;
-Corredores de fluxo gênico para os elementos da flora e da fauna pela possível interconexão de APP adjacentes ou com áreas de Reserva Legal;
- Detoxificação de substâncias tóxicas provenientes das atividades agrícolas por organismos da meso e microfauna associada às raízes das plantas;
- Controle de pragas do solo;
-Reciclagem de nutrientes;
-Fixação de carbono, entre outros.

RESOLUÇÃO CONAMA nº. 303, de 20 de março de 2002 – em seu artigo 3º. Determina parâmetros para as APPs.

Art. 3º Constitui Área de Preservação Permanente a área situada:
I - em faixa marginal, medida a partir do nível mais alto, em projeção horizontal, com
largura mínima, de:
a) trinta metros, para o curso d’água com menos de dez metros de largura;
b) cinqüenta metros, para o curso d’água com dez a cinqüenta metros de largura;
c) cem metros, para o curso d’água com cinqüenta a duzentos metros de largura;
d) duzentos metros, para o curso d’água com duzentos a seiscentos metros de largura;
e) quinhentos metros, para o curso d’água com mais de seiscentos metros de largura;
II - ao redor de nascente ou olho d’água, ainda que intermitente, com raio mínimo de
cinqüenta metros de tal forma que proteja, em cada caso, a bacia hidrográfica contribuinte;
III - ao redor de lagos e lagoas naturais, em faixa com metragem mínima de:
a) trinta metros, para os que estejam situados em áreas urbanas consolidadas;
b) cem metros, para as que estejam em áreas rurais, exceto os corpos d`água com até
vinte hectares de superfície, cuja faixa marginal será de cinqüenta metros;
IV - em vereda e em faixa marginal, em projeção horizontal, com largura mínima de
cinqüenta metros, a partir do limite do espaço brejoso e encharcado;
V - no topo de morros e montanhas, em áreas delimitadas a partir da curva de nível
correspondente a dois terços da altura mínima da elevação em relação a base;
VI - nas linhas de cumeada, em área delimitada a partir da curva de nível
correspondente a dois terços da altura, em relação à base, do pico mais baixo da cumeada,
fixando-se a curva de nível para cada segmento da linha de cumeada equivalente a mil metros;
VII - em encosta ou parte desta, com declividade superior a cem por cento ou quarenta
e cinco graus na linha de maior declive;
VIII - nas escarpas e nas bordas dos tabuleiros e chapadas, a partir da linha de ruptura
em faixa nunca inferior a cem metros em projeção horizontal no sentido do reverso da escarpa;
IX - nas restingas:
a) em faixa mínima de trezentos metros, medidos a partir da linha de preamar máxima;
b) em qualquer localização ou extensão, quando recoberta por vegetação com função
fixadora de dunas ou estabilizadora de mangues;
X - em manguezal, em toda a sua extensão;
XI - em duna;
XII - em altitude superior a mil e oitocentos metros, ou, em Estados que não tenham
tais elevações, a critério do órgão ambiental competente;
XIII - nos locais de refúgio ou reprodução de aves migratórias;
XIV - nos locais de refúgio ou reprodução de exemplares da fauna ameaçados de
extinção que constem de lista elaborada pelo Poder Público Federal, Estadual ou Municipal;
XV - nas praias, em locais de nidificação e reprodução da fauna silvestre.
Parágrafo único. Na ocorrência de dois ou mais morros ou montanhas cujos cumes
estejam separados entre si por distâncias inferiores a quinhentos metros, a Área de
Preservação Permanente abrangerá o conjunto de morros ou montanhas, delimitada a partir da
curva de nível correspondente a dois terços da altura em relação à base do morro ou montanha
de menor altura do conjunto, aplicando-se o que segue:
I - agrupam-se os morros ou montanhas cuja proximidade seja de até quinhentos
metros entre seus topos;
II - identifica-se o menor morro ou montanha;
III - traça-se uma linha na curva de nível correspondente a dois terços deste; e
IV - considera-se de preservação permanente toda a área acima deste nível.

A partir das considerações e exemplos relatados acima, fica claro a importância das APPs, para que se viabilize uma produção sustentável a longo prazo no campo, associando uma produção agrícola saudável, a qualidade ambiental e o bem-estar das populações. Como colocado inicialmente, todos os benefícios advindos da adoção de boas práticas associadas à manutenção dessas áreas extrapolam as fronteiras de uma unidade de produção rural, adquirindo, no conjunto, uma grande importância social com impactos no ambiente urbano, afetando toda a sociedade.
Diante das normas estabelecidas o atual aterro que está sendo estruturado em Inhapim não atingiu nenhuma área de preservação permanente. Acrescento ainda que todas as formas e processos de solução dos resíduos sólidos, oriundos de uma filosofia de vida capitalista/consumista, irá gerar desconforto e impacto ambiental, mesmo que controlado com toda tecnologia. Esse é o preço que estamos pagando pelo descaso de todas as geração em só acordarem para a sustentabilidade, ainda com muita timidez, no princípio do fim. Não querendo passar uma imagem catastrófica, mas, realista. Acho importante as discussões, pois serão elas que irão alimentar essa cultura de sustentabilidade real, não somente como retórica de pavões carentes de um holofote de um tema que é muito mais sério do que um modismo promocional.
Fonte - EMBRAPA - Ladislau Araújo Skorupa

César A. Torres

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

De quantos planetas você precisa?

Imagem: Stockxpert

A água que gasta no banho, a comida que põe no prato e até o tempo em que deixa a luz acesa. O consumo de recursos naturais de uma pessoa pode ser convertido em área. Cálculos internacionais indicam que, para sustentar seu estilo de vida, o brasileiro precisa em média do equivalente a três Maracanãs por ano – área usada, por exemplo, para cultivar alimentos, gerar energia e construir infraestrutura urbana.

Esse cálculo é conhecido como pegada ecológica, termo criado em 1990 pelos pesquisadores americanos Mathis Wackernagel e William Rees. A pegada usa como unidade o hectare global, que, como o hectare normal, tem 10 mil metros quadrados, mas mede a capacidade de produção de recursos naturais de toda a superfície terrestre – o que inclui áreas de cultivo, florestas, rios e mares, mas não desertos e geleiras. O cálculo pode ser tachado de arbitrário, mas é uma forma de dimensionar o impacto que cada pessoa causa sobre o planeta. Reportagem de Fernanda Fave com Abdrea Vialli, no O Estado de S.Paulo.

No mês passado, a ONG americana Global Footprint Network divulgou um índice atualizado com a pegada ecológica do Brasil e de outros 150 países, baseado em dados das Nações Unidas de 2006. De acordo com ele, cada brasileiro tem um pegada de 2,25 hectares globais, ou seja, a produção de tudo o que consome precisa de 22,5 mil metros quadrados.

A média brasileira é um pouco menor que a mundial, segundo a qual cada pessoa na Terra consome 2,6 hectares globais por ano. Mas, e aí está o problema, a Global Footprint calcula que o total disponível de área produtiva no mundo, a chamada biocapacidade, é de apenas 1,8 hectare global por pessoa. Além disso, a biocapacidade vem diminuindo – seja pelo aumento da população ou pela degradação de solos e mares.

Isso significa que os 6,6 bilhões de habitantes do mundo consomem juntos quase 1,5 planeta Terra por ano, com base nos dados de 2006. Ou seja: a população hoje usa em 1 ano recursos que o planeta só consegue repor em 18 meses. No relatório de 2008, baseado em dados da ONU de 2003, a humanidade consumia 1,3 planeta.

“É como se o mundo fosse uma caixa d’água que é abastecida por uma torneira e fornece água por outra, mas a quantidade de água que sai é muito maior do que a que entra”, compara o coordenador do Programa de Educação para Sociedades Sustentáveis da entidade ambientalista WWF-Brasil, Irineu Tamaio. “Por enquanto, a caixa ainda tem água, mas muito em breve ficará vazia. Nós já estamos roubando recursos das próximas gerações.”

Segundo a pesquisa da Global Footprint, se nenhuma mudança for feita na velocidade do consumo e na taxa de crescimento da população, a escassez de recursos naturais pode se tornar realidade antes de 2050. Se fossem levados em conta só os padrões dos países mais ricos, essa data-limite poderia estar ainda mais próxima. Os números só não são piores porque nessa média entram nações muito pobres, onde a oferta de alimentos, energia e infraestrutura é escassa e a emissão de poluentes tem níveis mínimos.

Apenas dez países são responsáveis por 50% da pegada ecológica mundial, e o Brasil está entre eles. No topo da tabela estão Emirados Árabes e Qatar. “Os dois são grandes exportadores de petróleo por um lado e, por outro, importam praticamente tudo o que consomem, porque tem uma área pequena e pouco produtiva para dar conta do seu consumo interno”, explica a diretora de Estratégias da Global Footprint, Jennifer Mitchell. Isso faz com que cada morador desses países tenha pegadas ecológicas próximas de 10 hectares globais. “É diferente dos Estados Unidos, que têm uma das maiores biocapacidades do mundo, mas pegada muito alta por causa da mentalidade consumista da sociedade.”

A pegada dos EUA supera em mais de três vezes a média mundial: é de 9,4 hectares globais (ou mais de 11 Maracanãs) per capita. Assim, se toda a população do mundo tivesse os hábitos de consumo dos americanos, seriam necessários 5 planetas para manter seu estilo de vida e os recursos naturais provavelmente se esgotariam em menos de 20 anos.

MENOS IMPACTO

Jennifer ressalta que, com os mesmos padrões de conforto e bem-estar, os europeus conseguiram atingir uma pegada ecológica de 5 hectares globais per capita, a metade da americana. “O número ainda é alto, se comparado com o que há disponível em termos de recursos naturais, mas mostra que é possível ter a mesma qualidade de vida com impacto muito menor.”

Enquanto os americanos já passaram a fazer parte da lista de devedores ambientais mundiais, o Brasil ainda é considerado um dos maiores credores. O consumo representa só 25% da biocapacidade do País, de 8,87 hectares per capita, a maior do mundo. Ou seja: o brasileiro gasta 3 Maracanãs de recursos naturais por ano, mas têm pouco menos de 11 à disposição.

Além da grande área produtiva, o País tem boa parte de seu território coberto por matas e florestas. “Mas isso não quer dizer que os brasileiros possam começar a consumir mais. O Brasil precisa ter uma boa gestão da sua biocapacidade para o bem de todos os países do mundo, que dependem de suas florestas para absorver carbono e de suas terras para produzir recursos”, alerta Jennifer.

Os dados da Global Footprint mostram uma tendência ao equilíbrio no País. A biocapacidade, que vinha diminuindo de 1961 para hoje, parece estar se estabilizando e a pegada ecológica per capita, que variou pouco ao longo dos últimos 50 anos, caiu lentamente. Essas mudanças podem ter sido causadas por fatores como o desenvolvimento tecnológico, que permite plantar mais num espaço menor de terra. Mas Tamaio, da WWF, alerta que essa situação está mudando. “A tendência é que mais gente tenha acesso ao universo do consumo e a demanda por recursos aumente.”

No entender de Jennifer, apenas melhorias tecnológicas não serão suficientes para expandir a biocapacidade e diminuir a pegada ecológica. Para ela, a melhor forma de reduzir os impactos é promover uma mudança de mentalidade e de hábitos de consumo. Tamaio concorda: “Temos que rever nossas necessidades. Será que preciso trocar meu tênis? É uma questão de consumir só o essencial.”

Atualmente, o cálculo da pegada tem mais de 5 mil variáveis. Pode-se medir o impacto ambiental de municípios, empresas e pessoas. Por incrível que pareça, todos esses cálculos são mais complexos do que apurar o uso de recursos naturais de um país. “Os dados dos países estão centralizados na ONU, enquanto números locais muitas vezes estão espalhados ou nem foram calculados.”

Ainda mais complicado é tentar calcular a pegada ecológica individual. Há três anos, o WWF-Brasil criou uma ferramenta de cálculo pelo site. São 15 questões sobre hábitos de consumo de energia, água, alimentação e transporte. O resultado mostra quantas Terras (de 1 a 4) seriam necessárias se todo mundo tivesse consumo semelhante ao da pessoa que respondeu ao questionário.

PEGADA HÍDRICA

Apesar da complexidade, a tentativa de quantificar o uso de recursos naturais parece ser uma tendência irreversível. Institutos de pesquisa, empresas, ONGs e ONU estão se debruçando sobre números para calcular o quanto países e produtos usam de água – a pegada hídrica.

A Water Footprint Network (WFN) – ou Rede da Pegada Hídrica – nasceu para criar uma ferramenta capaz de medir o quanto de água está embutido em cada bem de consumo. Com sede na Holanda, a entidade já tem cálculos sobre vários tipos de alimento. Para se fabricar 1 quilo de queijo, por exemplo, são necessários 5.000 litros de água. Para 1 kg de arroz, gasta-se 3.400 litros. Para 1 kg de carne bovina, gasta-se, em média, 15.500 litros, levando em conta a criação do gado e o processamento industrial da carne.

Parte da indústria de bebidas e alimentos está interessada em saber qual é a dimensão do seu gasto com água. A primeira empresa a imprimir sua pegada hídrica nas embalagens foi a Raisio, fabricante finlandesa de cereais. A expectativa de Derk Kuiper, diretor da WFN, é que mais empresas abracem a causa da transparência e divulguem esse dado ao consumidor.

“Os grandes grupos do setor alimentício já começam a perceber que não basta gerenciar a água nas fábricas, reduzindo o desperdício”, diz Kuiper. Segundo ele, para se evitar uma crise hídrica no futuro será preciso trabalhar a cadeia de fornecedores, ou seja, o quanto se consome de água no campo, para produzir os alimentos.

“Veja o exemplo da cerveja: para se produzir um copo de 250 mililitros de cerveja são necessários 75 litros de água. E isso ocorre porque o cultivo da cevada, principal insumo da cerveja, consome 1.300 litros por quilo produzido.”

Foi justamente uma indústria de bebidas a primeira empresa brasileira a participar da WFN. A gigante AmBev em breve deve começar a calcular a pegada hídrica de uma de suas marcas. “A maior parte da pegada vem da agricultura”, diz Sandro Bassili, diretor de Responsabilidade Social da AmBev. “Nosso objetivo é ter um número acurado para trabalhar lado a lado com os produtores de cevada.

EcoDebate, 14/12/2009

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