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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Agronegócio quer ‘tratorar’ Código Florestal

Soube hoje, em reunião realizada em Brasília, que os ativistas do agronegócio estão espalhando a notícia de que abrirão o segundo semestre dando velocidade à votação do “novo” texto do Código Florestal, tendo como meta aprová-lo até o final de agosto. Na sua linguagem, levando para o Senado seu método de trabalho no campo, eles pretendem “tratorar o Código”.

Como vocês sabem, as mudanças introduzidas no atual Código na Câmara dos Deputados praticamente destroem todo e qualquer cuidado e defesa dos ambientes naturais, nas beiras dos córregos e rios das cidades e do campo, na veredas, nos altos dos morros, além de praticamente dispensar as reservas legais nas propriedades. Isto é, legalizam a agressão à natureza, e tudo em nome de um progresso que favorece apenas a alguns. De que serve este progresso se ele provocará, em pouco tempo, mudanças climáticas mais problemáticas para todas as formas de vida?

Se nos perguntarmos como será possível evitar esse desastre legislativo, temos apenas uma notícia, até agora: a Presidente Dilma anunciou que vetará esta proposta de Código Florestal no caso de que, através dele, forem diminuídas ou eliminadas as Áreas de Proteção Permanentes e as Reservas Legais, e se forem canceladas as dívidas dos que cometeram crimes ambientais. Mas, se ela fizer isso, o Congresso terá ainda o poder de derrubar os vetos da Presidente.

E nós, que não estamos nem no Congresso nem na Presidência da República, o que podemos fazer? Se nos damos conta de estar numa sociedade que quer ser democrática, temos três possíveis tarefas políticas:

1) pressionar os Senadores, eleitos por nós e outros, no sentido de que respeitem seus eleitores e corrijam os absurdos aprovados pela Câmara Federal;

2) no caso de o Senado não atender aos eleitores e repetir as decisões interesseiras dos Deputados, apoiar a Presidente Dilma em sua decisão de vetar o que não pode estar num Código Florestal que respeite a Terra e proteja os seres humanos e os demais seres vivos;
3) no caso de o Congresso tentar ou conseguir derrubar o veto da Presidente, participar de grandes mobilizações para exigir o direito da cidadania decidir se aprova ou não o então novo Código Florestal; é isso que se faz por meio do Referendo, previsto no Artigo 14 da Constituição Federal como forma de exercício do poder soberano da cidadania em relação a uma lei existente ou recentemente aprovada pelos seus “representantes”. Por meio do Referendo, se a maioria dos cidadãos e cidadãs eleitores não aprova o que foi feito pelos Deputados e Senadores, e até mesmo pela Presidente, passa a valer como Lei e todos devem pautar sua prática a partir dela; só outro Referendo pode mudar a decisão soberana da cidadania.

Percebo que muita gente teme lutar pelo direito à consulta da cidadania através de Plebiscitos e Referendos, e repetem preconceitos em relação ao povo para tentar justificar-se. Pode-se até compreender que a falta de prática induz ao temor. Mas não há melhor caminho para avançar na democratização de uma sociedade, como se pode comprovar no que existe de melhor em outros países.

Sem avançar por este caminho, por mais desafiador que seja, patinaremos nas artimanhas da democracia formal, em que se pode mascarar tudo como sendo o máximo de democracia; mas, a cada dia que passa, essa formalidade entra em mais profundo descrédito, e em todo o mundo.
Ivo Poletto é Assessor do FÓRUM MUDANÇAS CLIMÁTICAS E JUSTIÇA SOCIAL, de PASTORAIS e MOVIMENTOS SOCIAIS. Artigo originalmente publicado no blog Reflexão crítica e Cidadania, de Ivo Poletto EcoDebate

Novo material permite que células fotovoltaicas sejam impressas em folhas de papel ou tecido que podem ser dobrados

Aplicar células fotovoltaicas – capazes de transformar energia solar em elétrica – diretamente em papel ou tecido, de um modo simples e rápido, é o objetivo de uma pesquisa conduzida no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos.

A tecnologia já resultou em diversos protótipos, cujo formato lembra o de um documento produzido em uma impressora comum do tipo jato de tinta. A diferença é que no lugar de palavras e números são impressos pela superfície retângulos coloridos.

Ao ligar fios nos retângulos e direcionar luz ao papel, imediatamente um dispositivo eletrônico começa a funcionar, como se vê no vídeo divulgado pelo grupo responsável pelo estudo.
video

A novidade é resultado do trabalho do grupo coordenado no MIT pelos professores Karen Gleason, de engenharia química, e Vladimir Bulović, de engenharia elétrica. Detalhes da tecnologia foram publicados no dia 8 de julho no site da revista Advanced Materials.

Os cientistas afirmam que a nova técnica representa um grande avanço em comparação com sistemas usados atualmente para produzir células solares, os quais dependem de expor os substratos (geralmente vidro) a condições – como altas temperaturas – ou líquidos que podem muitas vezes danificar as próprias células.

O novo processo se baseia no uso de vapor – e não de líquidos – e em temperaturas abaixo de 120 ºC. Nessas condições, é possível empregar materiais como papéis não tratados, tecidos ou plástico como substratos para imprimir as células.

Diferentemente de imprimir documentos, a tecnologia precisa de cinco camadas de materiais, que são depositadas em papel, por exemplo, em etapas sucessivas, por meio do uso de uma máscara (também feita de papel) para formar os padrões das células na superfície. O processo é feito em uma câmara a vácuo, para evitar a contaminação por poeira ou outras impurezas.

A folha fotoelétrica, além de ser impressa facilmente e com baixo custo, de acordo com os pesquisadores, pode ser dobrada e guardada no bolso. Depois, ao ser desdobrada, volta a funcionar normalmente, convertendo energia luminosa em elétrica.

Em alguns casos, nem precisa desdobrar, como no avião de papel feito pelos pesquisadores, cujas células funcionam durante o voo. No artigo, os autores descrevem a impressão de células fotovoltaicas em uma folha de plástico PET, que foi posteriormente dobrado e desdobrado 1 mil vezes sem perda significativa de seu rendimento na conversão de energia.

“Demostramos que se trata de uma tecnologia robusta. Estimamos que poderemos fabricar em escala células solares capazes de atingir performances recordes em relação à produção de watts por quilo. Isso abre um grande número de possíveis aplicações”, disse Bulović, apontando para o potencial de produção de placas solares mais leves, um grande problema das atuais.

O artigo Direct Monolithic Integration of Organic Photovoltaic Circuits on Unmodified Paper (doi:10.1002/adma.201101263), de Karen K. Gleason e outros, pode ser lido por assinantes da Advanced Materials em http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/adma.201101263/abstract.

Reforma do Código Florestal ganha página especial multimídia na Agência Senado

A partir desta quarta-feira (13), o cidadão terá mais facilidade para acompanhar todas as notícias e debates em torno do projeto do novo Código Florestal que tramita no Senado. A Agência Senado, em parceria com os demais veículos de comunicação da Casa, desenvolveu uma página especial multimídia que vai concentrar todas as informações sobre o tema divulgadas em áudio, vídeo e texto no Portal do Senado.
A nova página especial multimídia “Reforma do Código Florestal” trará a cobertura jornalística dos debates nas comissões e no Plenário sobre o tema, além de agregar outros conteúdos que ajudarão o leitor a acompanhar os debates e entender melhor o assunto, como entrevistas, opiniões e infográficos.
Acesse a nova página especial multimídia aqui. http://www12.senado.gov.br/codigoFlorestal

Votação do Código Florestal na CCJ do Senado só ocorrerá depois do recesso

Enquanto a discussão é adiada para agosto, senadores manifestam seus posicionamentos.
“É importante que as propostas de mudanças para o novo Código Florestal sejam analisadas com base na ciência e na tecnologia. Este poderá ser o ponto de equilíbrio que falta no debate que o Senado realiza neste momento. Só assim poderemos avançar rumo a um futuro inteligente e com uma sociedade produtiva e inovadora”.

Esta foi a manifestação do senador Eduardo Braga (PMDB – AM), presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), ao tomar conhecimento da carta divulgada na abertura da 63ª Reunião Anual da SBPC, em Goiânia. Na carta já enviada ao presidente do Senado, José Sarney, a entidade defende que o projeto do Código Florestal tramite também na CCT. Atualmente o projeto tem tramitação apenas nas Comissões de Agricultura e Meio Ambiente do Senado.

Eduardo Braga está convencido da importância de que prevaleça o bom senso nas discussões que, segundo ele, foi movida ate aqui por um enfrentamento passional protagonizado por ambientalistas e produtores rurais. “O Código Florestal não é de ambientalistas ou de ruralistas, é do povo brasileiro”, disse.

Para o senador, o olhar sob o foco da ciência e da tecnologia vai permitir a reflexão de temas que ainda não foram contemplados. Exemplo disso, segundo Braga, é a ausência de debate sobre a ordenação das ocupações em áreas de preservação permanente (APPs) e em encostas urbanas e que tantos prejuízos tem causado às cidades no Brasil.

O senador Luiz Henrique (PMDB-SC) descartou a possibilidade de apresentar seu voto ao projeto de reforma do Código Florestal (PLC 30/11) antes do recesso do Congresso Nacional, previsto para o período de 19 a 31 de julho. Ele é relator da matéria nas comissões de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e de Agricultura e Reforma Agrária (CRA).
Luiz Henrique disse que ainda não tem o projeto em mãos porque aguarda a votação de um requerimento apresentado ao Plenário no dia 21 de junho em que o senador Ricardo Ferraço sugere que também a Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) seja ouvida acerca da matéria, antes da votação final no Plenário. O requerimento vem constando da Ordem do Dia, sem ser votado. Isso impede a distribuição do projeto aos relatores das demais comissões.

- Eu tenho meu voto bem adiantado, mas vamos ter de esperar – adiantou Luiz Henrique à Agência Senado.

O parlamentar havia informado, no final de junho, que gostaria de apresentar seu relatório à CCJ o mais rápido possível. Na mesma ocasião, o senador Jorge Viana (PT-AC) antecipou que o relatório de Luiz Henrique na CCJ se restringirá aos aspectos jurídicos e constitucionais do texto e estimou que ele poderia ser votado naquela comissão ainda no primeiro semestre. Dentro desse cronograma previsto por Viana, a CMA e a CRA começariam o segundo semestre já nas discussões quanto ao mérito do projeto.
Do Jornal da Ciência, SBPC

Usos de Água no Brasil

O Brasil tem vocação eminentemente agropoecuária. O denominado “agribusiness” não encontra outro local com tanta vocação natural de uma nação, dos recursos pedológicos, climáticos e hídricos. Logo, mais do que em qualquer outra área, é nossa função preservar os recursos hídricos em condições de exercerem ações sinérgicas com os demais fatores para a preservação da alta produtividade e competitividade neste setor.

A água tem uso na indústria, mas o Brasil tem vocação agropecuária e o uso na agropecuária, para irrigação de culturas e dessedentação e higiene nas criações extensivas ou intensivas de espécies de pecuária tradicional ou avinocultura e suinocultura, ainda é o principal uso da água. Este uso tem sido ampliado e muito desenvolvidos em grande escala nas últimas décadas no país, que é um dos grandes atores no comércio e oferta mundial de proteínas.

Os maiores riscos nesta área estão na falta de adequado tratamento e disposição de resíduos de várias espécies, principalmente aves e suínos, responsáveis por degradação de mananciais hídricos superficiais e poluição de aqüíferos subterrâneos.

Os dejetos de suínos, por exemplo, produzem índices de DBO (Digestão Biológica de Oxigênio) que chegam a ser dez vezes superiores aos dos excrementos humanos. Vale dizer, 10 vezes mais poluentes ou impactantes.

O uso maciço das águas em irrigação também pode trazer conflitos no gerenciamento de bacias hidrográficas. O uso indiscriminado de pesticidas, herbicidas e fungicidas, polui os solos, sendo solubilizados pela água, que acaba transportando e ampliando a contaminação para as drenagens superficiais e mananciais hídricos subterrâneos.

Por isso, talvez fosse aconselhável, que as ações de licenciamento fossem mais voltadas a atividades pedagógicas e de extensão rural, do que propriamente a ações burocráticas ou punitivas.

Está chegando o momento do país discutir e implantar esta nova concepção de forma efetiva, eficiente e eficaz. Sob pena de comprometer seus recursos e a própria função dos mesmos na obtenção de resultados que favoreçam o país e atinjam sua plena consecução.

Outro uso que merece discussão é a geração de energia elétrica. Primeiro a questão das grandes barragens. Seria ambientalmente muito mais sustentável, a construção de pequenas e médias barragens, em quantidade muito maior. Estas intervenções geram menores lâminas de água nos depósitos de acumulação, atingem menos áreas e menor quantidade de pessoas, produzem impactos ambientais muito mais reduzidos sobre os meios físico e biológico, e eventualmente ainda contam com descargas de fundo, capazes de manter a capacidade de acumulação hídrica com o decorrer do tempo.

O fato é que temos uma tradição em grandes barragens, com todas as conseqüências, e não temos trabalhado suficientemente na mudança conceitual, na alteração de paradigmas e padrões, que mais cedo ou mais tarde serão impostos pelo consenso social.

Os corpos de água são usados também para o lançamento e despejo de esgotos urbanos, tratados ou não e efluentes industriais dos mais diversos tipos, dentro de padrões aceitáveis ou não. O comportamento dos corpos de água com os despejos varia em função de suas características físicas, químicas e biológicas e da natureza das substâncias lançadas.

Outro uso antrópico que deve ser citado é o transporte de cargas e passageiros por via fluvial, lacustre ou marítima. A navegação pode causar perturbações ambientais, ao despejar substâncias poluidoras das embarcações, de modo deliberado ou acidental. Também pode necessitar produzir alterações de morfologia ou velocidade de corrente, com impactos ambientais.

O equilíbrio ecológico do meio aquático deve ser preservado, qualquer que sejam os usos que se faça dos recursos hídricos. Por isso, monitoramentos e sistemas de controle devem ser incentivados e implantados para que a água nunca contenha substâncias tóxicas além das concentrações críticas para os organismos aquáticos.

Por último, merecem ser citados os usos dos recursos hídricos para aqüicultura, ou, seja a criação de organismos aquáticos com finalidade econômica e a utilização para recreação humana.

Atualmente, com o gerenciamento de bacias hidrográficas, cresce a necessidade de compatibilizar todas estas demandas.
Dr. Roberto Naime, colunista do EcoDebate

Os 20 animais de zoológico mais fofos da Terra

Confira abaixo uma seleção com 20 filhotes fofos que foram fotografados direto de zoológicos do mundo inteiro. Não dá vontade de adotar?

1 – Feneco

Essa adorável criatura nasceu no Zoológico Everland, na Coreia, mas seus parentes são do escaldante deserto do Saara.

2 – Jaguatirica

Esse filhote que parece de pelúcia nasceu no Parque Zoológico de Woodland, em Seattle, EUA.

3 – Coala
Três quartos de todos os coalas do sexo feminino sofrem com uma doença que pode resultar em esterilidade. Felizmente a mãe deste filhote que vive no Zoológico Australiano Taronga conseguiu evitar a doença.

4 – Gato-do-deserto

Essa gatinha foi entregue a um resort selvagem nos Emirados Árabes Unidos e é a primeira da espécie a nascer através de fertilização in vitro.

5 – Vombate
Este pequeno filhote da família Vombatidae de nariz rosado saiu da bolsa da mãe marsupial em fevereiro deste ano no zoológico Brookfield, em Chicago. O programa para a reprodução do animal está sendo um sucesso no local.

6 – Leopardo-nebuloso

O pequeno filhote de leopardo na foto nasceu no zoológico francês Jardin des Plantes. Neste vídeo você pode ver uma outra ninhada, nascida no Zoológico de Nashville.

7 – Gálago
Esse pequeno animal é um dos gêmeos nascidos no Zoológico de Edimburgo, na Escócia.

8 – Panda-vermelho
Este é o Mei Mei, um filhote de panda-vermelho de nove meses que nasceu no Zoológico Metropolitano Cleveland.

9 – Panda
Os pequenos Dee Dee e Po são gêmeos nascidos no Zoológico de Madrid.

10 – Macaco de L’Hoest

Esse adorável macaco nasceu no Zoológico Colchester, na Inglaterra, e é cheio de energia. Seu nome, Moto, quer dizer “fogo” em suaíli.

11 – Tigre
Basta olhar para os dentes deste pequeno tigrinho para achar ele o animal mais ameaçador e fofo ao mesmo tempo de todo o Zoológico de Pittsburgh, EUA.

12 – Sagui

Este pequeno sagui do parque zoológico Alma, na Austrália, não é a coisa mais bonitinha que você já viu?

13 – Hipopótamo

Este bebê hipopótamo foi concebido em frente de cerca de 110 visitantes do Zoológico de San Diego, EUA. Quem assistiu o nascimento não vai esquecer esse passeio tão cedo.

14 – Urso polar
Esse bonito urso de três meses de idade pode se divertir com a neve dinamarquesa em março. Assista o vídeo do ursinho aqui.

15 – Diabo-da-tasmânia

Ele não parece nem um pouco com seu homólogo da Looney Tunes e com certeza deixa o Jardim Zoológico de Taronga, na Austrália, mais bonito.

16 – Foca

Ele não parece nem um pouco com seu homólogo da Looney Tunes e com certeza deixa o Jardim Zoológico de Taronga, na Austrália, mais bonito.

16 – Foca

Gouda é o único animal da lista que não nasceu em um zoológico. O filhote foi abandonado e resgatado em apenas alguns dias por trabalhadores no Alasca.

17 – Gato-bravo-de-patas-negras

Apesar do nome, esse gato não parece nem um pouco bravo. Esse filhote foi um dos primeiros de sua espécie a nascer através de fertilização in vitro, e vive em um instituto natural em Nova Orleans, EUA.

18 – Tartaruga de Galápagos
Essa minúscula tartaruga que passa quase desapercebida ao lado de sua mãe foi a primeira da espécie a nascer no Zoológico Taronga Western Plains, na Austrália.

19 – Gorila
Goma é o único da lista que não é um filhote atualmente. Esta é uma foto de quando ela era um adorável bebê. Ela nasceu no zoológico de Basileia, na Suíça, há mais de 50 anos.

20 – Fossa
Esse perigoso filhote de orelhas pontudas e olhos brilhantes nasceu no Zoológico Omaha’s Henry Doorly a mais de um ano atrás. [Oddee]

Florestas mundiais têm um papel maior do que se imaginava no combate à mudança climática

Estudo amplia papel das florestas no combate ao aquecimento – As florestas mundiais têm um papel maior do que se imaginava no combate à mudança climática, disseram cientistas no mais abrangente estudo já realizado a respeito da capacidade de absorção florestal do dióxido de carbono atmosférico.

O estudo deve contribuir para a implementação do Redd (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação), um programa da Organização das Nações Unidas (ONU) para a criação de um mercado global de créditos de carbono, recompensando projetos que protejam as florestas tropicais. Se essas florestas armazenam mais carbono do que se imaginava, os projetos se tornam mais valiosos. Reportagem de David Fogarty, da Reuters.

Já se sabia que as árvores, ao crescerem, capturam grandes quantidades de dióxido de carbono (CO2), o principal dos gases do efeito estufa. Mas até agora não havia sido possível calcular quanto CO2 as árvores absorvem em diferentes partes do planeta, e qual é o total global de gases liberado na derrubada e queima das matas.

O estudo a ser divulgado na sexta-feira na revista Science discrimina a capacidade de absorção nas florestas tropicais, temperadas e boreais, e mostra que as árvores capturam mais de 10 por cento do CO2 gerado por atividades humanas, mesmo quando se leva em conta todas as emissões decorrentes do desmatamento.

“Esta análise coloca as florestas num nível de importância ainda mais elevado na regulamentação do CO2 atmosférico”, disse Pep Canadell, um dos autores do estudo e diretor do Projeto Carbono Global, ligado à Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth, na Austrália.

Com base em dados estatísticos, informações de satélites e modelos computacionais, os cientistas calcularam que as florestas estabelecidas e recém-replantadas nos trópicos absorveram quase 15 bilhões de toneladas de CO2 no último ano – equivalente a cerca de metade das emissões causadas por indústrias, transportes e outras fontes. Por outro lado, o desmatamento gerou 10,7 bilhões de toneladas.

Uma grande surpresa foi o fato de que florestas recém-replantadas nos trópicos são muito mais eficazes do que se pensava na absorção do CO2, totalizando quase 6 bilhões de toneladas de CO2, aproximadamente a emissão total dos EUA em um ano.
Para Canadell, isso mostra que alguns países estão abrindo mão de grandes benefícios do programa Redd ao menosprezarem as oportunidades geradas pela recuperação florestal.
Reportagem da Reuters, no Estadão.com.br

Estudo do Inpa vai avaliar o impacto das mudanças climáticas no bioma amazônico

Estudo avalia adaptação a efeito estufa na Amazônia

Cientistas acreditam que peixes já possuem genes que os ajudariam a suportar um ambiente com alta concentração de carbono

Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) está montando um laboratório para estudar o impacto das mudanças climáticas no bioma amazônico. O Centro de Estudos de Adaptações da Biota Aquática (Adapta) submeterá peixes, plantas e insetos da floresta a um ambiente rigorosamente controlado para simular as previsões para 2100 dos níveis de gás carbônico, de acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês). Reportagem de Alexandre Gonçalves, do O Estado de S.Paulo.

O diretor do Inpa, Adalberto Luis Val, explicou o projeto durante uma palestra sobre mudanças climáticas e peixes de água doce na 63.ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. “Deve começar a funcionar em 30 dias.”

Na experiência, serão analisadas 10 espécies de peixes (entre elas, 1 comercial: o tambaqui), 5 de plantas (4 aquáticas e 1 semiterrestre) e 3 insetos do ambiente amazônico (um deles pode vir a ser o Anopheles, transmissor da malária).

Hipótese
Os cientistas acreditam que os peixes já possuem genes que os ajudariam a suportar um ambiente com alta concentração de carbono. “Os peixes modernos que conhecemos hoje começaram a surgir no fim do Jurássico (cerca de 250 milhões de anos atrás)”, aponta Val. “Uma época com níveis de carbono ainda maiores que as nossas estimativas para o fim do século.”

Naquele período, a evolução já teria forçado o surgimento de adaptações para ambientes ricos em gás carbônico. Com mudanças ambientais posteriores, tais mudanças teriam permanecido adormecidas no genoma das espécies.Os cientistas querem descobrir se elas podem despertar na presença de uma maior disponibilidade de gás carbônico.

“Vamos comparar a expressão dos genes das espécies submetidas a uma maior concentração de gás carbônico com a das espécies do ambiente”, explica Val.
O laboratório e os equipamentos custaram cerca de R$ 2,5 milhões. São quatro salas com cerca de 16 metros quadrados, totalmente controladas para evitar contaminação ou mudança no ambiente interno.
Val afirma que animais e plantas serão confinados por um ano no laboratório. Naturalmente, para algumas espécies – como os insetos –, serão várias gerações.

Não existem fontes renováveis de energia.

O professor de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Arsênio Oswaldo Sevá Filho, especialista em energias e combustíveis, disse nesta quarta-feira (13), em palestra na reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Goiânia, que não existe fonte de energia renovável.

“A ideia de que a hidroeletricidade se renova, sem dissipação ou desperdício, é uma aberração. Mesmo que uma forma se converta em outra, sempre há perda. Nenhum processo garante eficiência de 100%”, afirmou. Segundo o especialista, deveria haver um esforço geral da população para economizar energia, obras de menor porte e uma mistura maior de tecnologias.

A reportagem é de Luna D’Alama e publicada por G1, 13-07-2011.

Na visão de Sevá Filho, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) “não representa a interface entre o governo e a sociedade, apenas os negócios das empresas”. Mais que um projeto ambiental e de engenharia, as usinas são vistas como unidades de negócios, que precisam ser gerenciadas para ser cada vez mais lucrativas, argumentou o professor.

De acordo com o pesquisador da Unicamp, um rio barrado não é mais um rio. “O Tietê, por exemplo, é hoje um conjunto de ecossistemas parcialmente gerenciado”, definiu.

O engenheiro mecânico ressaltou que não é contra a energia elétrica, mas a abordagem das empresas. “Se não trabalharmos com os problemas, não haverá solução. Esse tipo de energia é barato porque expulsa os moradores e não paga essas pessoas”, criticou. “E os absurdos não acontecem porque a administradora é a Eletrobras ou a Tractebel. É porque as usinas são construídas da forma que são”, acrescentou Sevá Filho.

Entre os prejuízos causados por hidrelétricas e barragens, o professor da Unicamp citou o desalojamento da população, a mudança da alimentação pelo desaparecimento de peixes e outros animais, a alteração da agricultura e pecuária em decorrência de nascentes que secam ou brotam. Gases como metano e ácidos orgânicos também poderiam apodrecer a vegetação. “A mecanização, o desmatamento, os esgotos, agroquímicos, infiltrações e o desgaste da estrutura repercutem nos reservatórios e na população”, disse.

O especialista destacou, ainda, que a erosão sobre as barrancas tende a entupir progressivamente as represas, e o volume de água armazenada decresce, até estacionar. “A longo prazo, o custo da energia depende da velocidade desse assoreamento”, explicou.

‘Cirurgia na natureza’

Sevá Filho também disse que, estatisticamente, várias construções se rompem ou colapsam por ano, além de causarem tremores de terra, como em Paraibuna, interior de São Paulo. “Cada vez mais, rios maiores e mais caudalosos são barrados. “Essa ‘cirurgia’ na natureza pode muitas vezes até ser vista do espaço”, disse.

Além do dogma de que as energias podem ser renováveis, outra crença é de que sempre serão feitas mais e maiores barragens, pois em algum momento as possibilidades vão se esgotar. “Um dia, todos os rios barráveis estarão barrados. E aí vão querer colocar Itaipu e as Cataratas do Iguaçu por água abaixo para construir algo maior? Só se a humanidade entrar em um processo de enlouquecimento progressivo”, afirmou.

Atualmente, a Usina Hidrelétrica de Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu (fronteira do Brasil com o Paraguai), tem capacidade de geração de 14 gigawatts. Quando foi inaugurada, em 1982, quase 30 mil brasileiros foram expulsos de suas casas, sem contar o lado paraguaio, segundo o professor. “Em breve, a China vai inaugurar a usina das Três Gargantas, com capacidade para mais de 20 gigawatts. Dois milhões de chineses já foram desalojados”, afirmou.
Belo Monte
Sobre o projeto de construção da usina de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará, o pesquisador disse que acredita que serão construídas pelo menos quatro barragens só no trecho principal. “Sempre são mais barragens do que alardeiam”, disse.

“O que se tem feito é alardear que o Brasil tem energia barata, aí os investidores vêm aqui gastar, e quem paga é o povo brasileiro”, concluiu Sevá Filho.

Estudante de engenharia inventa sistema de tratamento de água com uso de energia solar

O sistema inventado pelo Leonardo Lira, da Universidade Federal de Goiás, não usa energia elétrica nem emite gás carbônico. De baixo custo, ele pode ser utilizado por comunidades carentes sem acesso a saneamento básico

O estudante de engenharia elétrica da Universidade Federal de Goiás (campus de Jatai) Leonardo Lira (20 anos) inventou um sistema para tratamento de água que não usa energia elétrica, não emite gás carbônico e retira material que pode poluir o meio ambiente. De baixo custo, o sistema pode ser utilizado por comunidades carentes sem acesso a saneamento básico.

Com cinco tábuas de compensado revestidas de papel-alumínio, Leonardo fez uma caixa sem tampa de aproximadamente 1 metro quadrado com as paredes abertas e inclinadas, uma espécie de concentrador que recebe luz do sol.

No interior da caixa, o estudante depositou quatro garrafas PET transparentes com capacidade para 2 litros, cada, onde armazena a água para tratamento por três a seis horas. A água chega a atingir uma temperatura de 70 graus Celsius (30 graus a menos do que a temperatura de fervura), e, aquecida, elimina bactérias, vírus e substâncias que fazem mal à saúde humana.

Para testar o concentrador solar, Leonardo fez três séries de amostras de água de cinco residências que não recebem água encanada e tratada. O líquido foi pré-analisado pela Saneamento de Goiás S/A (companhia de saneamento do estado), que descreveu as impurezas e quantificou em tabela a ocorrência de coliformes fecais e de organismos como o rotavírus. Nos testes, após três horas no concentrador, eles foram eliminados. A água pôde ser bebida depois de esfriar naturalmente em jarra própria.

“Nosso foco era gastar o mínimo de energia possível sem passar por fervura, e, assim, não precisar de gás e evitar a emissão de poluentes”, comemora o futuro engenheiro que apresenta o seu trabalho na Expotec, a feira de ciência, tecnologia e inovação que está aberta durante a 63ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ocorre em Goiânia (GO).
Reportagem de Gilberto Costa, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate

A dependência do corpo animal com relação ao da biomassa.

A idéia principal deste modesto trabalho é conscientização dos leitores sobre a necessidade da manutenção e conservação da biomassa, do verde que nos cerca.

Os animais, dos quais fazemos parte, precisa do oxigênio para respirar, para viver. A ausência do oxigênio no ar que respiramos representa a fatalmente a morte.

Nós vivemos em “simbiose” unilateral com o vegetal. Dependemos do vegetal para sobreviver, mas o vegetal não precisa de nós. Muito pelo contrario, se a espécie humana fosse extinta, eliminada da face da Terra, o vegetal passaria a usufruir sua plenitude vital, livre de seu predador principal e implacável, o homem.

O vegetal, utilizando a energia solar, em presença da água, fixa o carbono do gás carbônico e libera o oxigênio, princípio vital da vida animal.

É o que conhecemos como fotossíntese.
A biomassa, o verde, funciona como uma usina geradora de oxigênio.

A vida animal utiliza os pulmões, através dos alvéolos, para receber o oxigênio que queima os alimentos transportados pelo sangue, gerando a energia necessária a manutenção do organismo animal.

Durante a queima dos alimentos, os pulmões eliminam o gás carbônico e absorvem o oxigênio e a água.

O interessante é que o corpo animal é a única máquina capaz de gerar trabalho utilizando baixa energia, sonho do homem ainda não conseguiu em suas máquinas térmicas.

Nos vegetais, o gás carbônico agirá de forma semelhante, fornecendo carbono que, em conjunto com a água, irá formar moléculas complexas como a celulose, semi-celulose, a lignina, os óleos essenciais, etc.

A água fornece o hidrogênio elementar que irá ajudar na saturação das estruturas de carbono nas moléculas que compõem as estruturas vegetais.

A água entra pelas raízes do vegetal, arrastando com ela os sais minerais e nutrientes necessários a vida vegetal, indo até as folhas, principais órgãos respiratórios dos vegetais. As folhas são os pulmões dos vegetais.

A “subida” da água e nutrientes até as folhas acontece devido ao efeito capilar e a evaporação.
A evaporação força a subida da água até as folhas e a saída do excesso da mesma para atmosfera, provocando a amenização do clima, condicionando o ar que respiramos.

O oxigênio que respiramos tem que ser úmido, tem que conter vapor de água para não “queimar” nossos pulmões.

Uma árvore de porte médio, fixa em torno de cinqüenta litros de água na sua estrutura e é capaz de liberar para o meio ambiente, para o ar igual volume de água conforme as necessidades ambientais, havendo permanente entrada e saída de água do corpo do vegetal com transporte de nutrientes.

A vida animal, além de respirar o oxigênio gerado pela biomassa, tem sua alimentação, ou melhor, sua nutrição provida também da biomassa.

Precisamos também do verde para nos nutrir.
Até o bife nosso de cada dia vem do animal que se nutriu da biomassa.

Os animais carnívoros, indiretamente, se alimentam, também, com a biomassa ao devorar animais herbívoros.
Há, portanto, uma dependência total e absoluta da vida animal com relação à vida vegetal e há uma independência radical da vida vegetal com relação a vida animal.

Conclusão:
Toda vez que derrubamos uma arvore, será como se cortássemos um pedaço de nosso corpo, de nossos pulmões.
Por que será que o homem ainda não pensou nisso?

A vida celular, a micro fauna e a micro flora, se extingue quando atinge o auge do progresso e do desenvolvimento.

Será que o homo sapiens que nada mais é que um agregado de células, está se degradando, voltando à lógica dos homens das cavernas?

Estamos cometendo um suicídio coletivo, se a destruição da biomassa continuar no ritmo atual, a vida animal será extinta em menos de cem anos.
Antonio Germano Gomes Pinto, Engenheiro Químico - Ecodebate.

Sudão do Sul: a mais nova e mais cheia de vida selvagem nação do mundo


A mais nova nação do mundo é também a que acolhe algumas das mais incríveis formas de vida selvagem do mundo.

Sudão do Sul, um país sem litoral no leste da África, celebrou sua independência do resto do Sudão recentemente, em 9 de julho. O novo país tem uma riqueza de vida selvagem, incluindo uma das migrações mais longas do mundo animal, que poderia ser uma bênção para sua economia.

A nação sobreviveu décadas de guerra, e vastas áreas de savanas e áreas úmidas permanecem em grande parte intactas.

Para ajudar a garantir que os animais do país continuem a ser um recurso espetacular, a Sociedade de Conservação da Vida Selvagem (WCS, na sigla em inglês) tem colaborado com a gestão do Sudão do Sul para proteger as áreas e organizar o território do país.

O Sudão do Sul possui algumas das populações selvagens mais importantes na África: o Parque Nacional Boma, perto da fronteira com a Etiópia, o pantanal Sudd e o Parque Nacional do Sul, perto da fronteira com o Congo, são o lar de búbalus, cobos-comuns e topis ou damaliscos (espécies de antílope), búfalos, elefantes, girafas e leões.

A parte sudeste do país apoia a segunda maior migração da vida selvagem terrestre do mundo, de cerca de 1,3 milhões de animais como o cobo de orelha branca, tiang, cob-grande-dos-juncais e gazela-albonotata.
Hoje, a exploração de petróleo no Sudão do Sul é responsável por cerca de 98% das receitas da região. Os tesouros da fauna do país podem proporcionar uma oportunidade para uma economia diversificada, baseada em turismo “eco amigo”.
No vizinho Quênia, o turismo contribuiu com cerca de 1,41 bilhões de reais para a economia nacional em 2009. Na Tanzânia, o turismo foi responsável por cerca de 1,69 bilhões de reais no mesmo ano. Se bem gerida, as migrações animais do Sudão do Sul oferecem a oportunidade de criar uma próspera indústria de turismo na mais jovem nação do mundo.[OurAmazingPlanet]

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Bisfenol: você come sem saber e adoece sem querer

Bisfenol-A (BPA) nome estranho, mas que tem aparecido com frequência na imprensa. Na semana passada, foi noticiado que Piracicaba – SP é a primeira cidade do Brasil a aprovar, na Câmara Municipal, uma lei que proíbe a comercialização de mamadeiras, chupetas, alimentos e bebidas que contenham o químico bisfenol A.

Em 2010 a regional de São Paulo da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e metabologia (SBEM-SP) criou a Campanha Contra os Desreguladores Endócrinos, com slogan ”Diga não ao bisfenol-A, a vida não tem plano B” para fomentar a sociedade com informações com objetivo de prevenção. Como primeira ação realizou o Fórum SBEM-SP sobre Desreguladores Endócrinos Bioquímica, Bioética, Clínica e Cidadania na Sede do CREMESP (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo). Para isso criaram um grupo de Trabalho em Desreguladores Endócrinos, para estudar os efeitos de tais disruptores sobre a saúde humana. Tema até então muito negligenciado pelos endocrinologistas brasileiros.

Inúmeros países estão proibindo a comercialização de produtos à base de BPA e a discussão chegou ao Brasil.

Mas afinal, o que é o Bisfenol-A ou BPA?

O Bisfenol-A (BPA) é um composto utilizado na fabricação do policarbonato, um tipo de plástico rígido e transparente. Serve para diluir a resina de poliéster a fim de torná-la mais líquida e facilitar sua laminação.

Onde está presente?

O BPA está presente em recipientes de alimentos e bebidas, como mamadeiras, embalagens plásticas e copos infantis. Além disso, pode ser encontrado no revestimento interno (forro) de enlatados (para evitar a oxidação), garrafas reutilizáveis de água (do tipo squeeze) e garrafões de água mineral.

 Também é encontrado em uma variedade de produtos, incluindo lentes de óculos, CDs e DVDs, computadores, eletrodomésticos, ferramentas pesadas, equipamentos esportivos, equipamentos médicos. As resinas epóxi são facilmente formadas e resistem a químicos, o que fazem delas úteis em produtos tais como placas de circuito impresso, tintas e adesivos, selantes dentais e película de revestimento interno de latas de metal. Os produtos plásticos compostos por BPA, comercialmente produzidos desde a década de 50, tornaram-se onipresentes devido a resistência de seus fragmentos, transparência visual e por ter alta resistência ao calor e à eletricidade.

O BPA pode ser considerado fator de risco para diversas doenças ?

Sim, diversas patologias (inúmeros estudos tem mostrando essa correlação pelo menos in vitro). A questão é que com o tempo ou quando aquecido, a colagem que conecta os blocos feitos com o BPA, deteriora, liberando moléculas de BPA. A quantidade liberada é realmente muito baixa, mas os plásticos estão tão dispersos, presentes nas mamadeiras infantis, nas garrafas d’água, nas latas de metal para alimentos, nas embalagens para estocar alimentos, que a população está constantemente sendo exposta a estas pequenas contaminações. Ou seja, vai acumulando.

Num estudo de 2003-2004, feito pelo CDC/U.S. Centers for Disease Control (Centro de Controle de Doenças dos EUA, equivale ao Ministério da Saúde brasileiro), perto de 93% das pessoas testadas, com idade de 6 anos e acima, tinham BPA detectável em suas urinas; as fêmeas tinham níveis um pouco mais altos do que os machos.

Em num novo estudo (Use of Polycarbonate Bottles and Urinary Bisphenol A Concentrations) da Harvard School of Public Health (HSPH) pesquisadores descobriram que os participantes que, ao longo de uma semana, beberam em garrafas de policarbonato , comumente usado garrafas plásticas e mamadeiras, apresentaram um aumento de dois terços do BPA na urina. O estudo é o primeiro a demonstrar que beber em garrafas de policarbonato (em garrafas plásticas o policarbonato pode ser identificado pelo código de reciclagem número 7) aumenta o nível de BPA na urina. Estudos anteriores já haviam demonstrado que ferver garrafas plásticas acelera a liberação de substâncias tóxicas, mas este novo estudo elaborado por Harvard demonstra que isto também ocorre durante o consumo de líquidos frios. Para acessar o estudo:


Um outro estudo recente e publicado pela Universidade da California, mostrou que 96% das gestantes estudas na California, apresentavam BPA na urina. Para acessar:


Numerosos estudos têm mostrado que o BPA age como um disruptor endócrino, incluindo o início precoce da maturação sexual, desenvolvimento e tecidos alterados na organização da glândula mamária e diminuição da produção espermática. Pode ser mais prejudicial nas etapas de desenvolvimento precoce. Isso que tem chamado a atenção dos endocrinologistas.

Mas afinal o que é um disruptor endócrino ?

O próprio nome já diz, é uma substância química semelhante a um hormônio que promove alterações no sistema endócrino (mimetiza (imita) hormônios, se liga a receptores hormonais, ativa substâncias hormônio-dependentes). Inúmeros são os disruptores endócrinos, para ler mais visite o link: http://www.ecologiamedica.net/2010/06/disruptores-endocrinos-no-meio-ambiente.html

BPA e patologias

Diversos estudos científicos têm encontrado efeitos notáveis da exposição perinatal do BPA, que incluem:
1) Alterações no desenvolvimento da próstata e da glândula mamária;
2) Hiperplasia intraductal e lesões pré-neoplásicas da glândula mamária na idade adulta;
3) Alterações no útero e ovário;
4) Alterações ligadas ao dimorfismo sexual no adulto;
5) Alterações comportamentais, tais como hiperatividade, aumento de agressividade e déficit de atenção;
6) Alterações no comportamento sexual;
7) Aumento da susceptibilidade ao vício de drogas.
8) Alterações tireoideanas

Embora os riscos inerentes à exposição ao BPA sejam no desenvolvimento fetal, bebês, crianças e mulheres grávidas, há também uma grande preocupação com os efeitos dessa substância em adultos.
Tem sido relatado em estudos científicos que o bisfenol-A pode estar relacionado com doença cardiovascular, diabetes, obesidade e disfunção hepática.
Os principais estudos realizados até o momento mostram que o BPA pode se ligar a 3 principais receptores:

1) receptores estrogênicos (levando a produção de estrogênios: estradiol, estriol, estrona),
2) receptores androgênicos (levando a produção de testosterona , dehidroepiandrosterona (DHEA), androstenediona (Andro), dihidrotestosterona (DHT):
3) Receptores dos hormônios tireoideanos (levando a mimetizar a ação dos hormônios tireoideanos que são o Triiodotironina (T3) e a Tetraiodotironina (T4).

Ao se ligar a um receptor pode ter uma maior ou menor afinidade, além de se ligar de forma incompleta e com isso não ocorrer uma ativação semelhante aos hormônios naturais. Tais ativações podem levar ao surgimento de inúmeros distúrbios, principalmente hormonais. Por isso o BPA é considerado um disruptor endócrino (ou desregulador).

Vejamos abaixo alguns estudos:

Distúrbios metabólicos: Em 2008 o American Journal of American Medical Association publicou um artigo sobre os riscos metabólicos do BPA. Para acessar:

Obesidade: Foi mostrado, através de dados do National Health and Nutrition Survey (NHANES) 2003/04 que altas concentrações de BPA estavam associadas com diagnóstico de doenças cardiovasculares e diabetes. Sendo lipofílico, pode ser armazenado no tecido adiposo. Uma vez que a obesidade torna-se epidêmica e que fatores ambientais estão fortemente ligados a esses dados, acredita-se que o BPA possa estar fortemento ligado.

O BPA é comumente descrito pela sua atividade estrogênica. Além de se ligar aos receptores nucleares de estrógeno alfa e beta, ele interage com uma série de outros receptores de estrógenos não clássicos, alguns com alta afinidade. Ele também atua como antagonista de receptor de andrógenos e interage com receptores de hormônios tireoidianos. Alguns estudos em animais já conseguem traçar um caminho para o entendimento da relação do BPA com a obesidade. Doses muito baixas oferecidas a animais durante o desenvolvimento exercem alguns efeitos. Ratos e camundongos mostraram peso corporal aumentado quando expostos a baixas dosagens de BPA no período pré-natal e neonatal. Alguns resultados mostram que esse aumento no peso é relacionado ao gênero, ao passo que outros relatam efeitos em ambos os sexos. Essa diferença pode estar relacionada com o tempo de exposição e com a dose.

Estudos in vitro com BPA fornecem evidências de seu papel no desenvolvimento da obesidade, podendo sugerir alvos específicos. O BPA faz com que as células 3T3-L1 (fibroblastos de camundongos que podem se diferenciar em adipócitos) aumentem sua taxa de diferenciação, e em combinação com a insulina, acelera a formação de adipócitos. Outros trabalhos in vitro mostram que baixas doses de BPA prejudicam a sinalização do cálcio nas células pancreáticas, atrapalham o funcionamento da célula beta e causam resistência à insulina. Baixas dosagens experimentais também podem inibir a síntese de adiponectina e estimular a liberação de adipocinas inflamatórias como interleucina-6 (IL-6) e fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) do tecido adiposo humano, sugerindo seu papel na obesidade e síndrome metabólica.

Entretanto, estudos com humanos ainda são escassos e a amostragem utilizada é pequena. Um estudo com 296 italianos mostrou que a excreção diária de BPA associou-se com aumento de concentração sérica de testosterona total em homens. Porém, outro estudo analisou a relação entre hormônios tireoidianos e reprodutivos e concentração urinária de BPA em 167 homens em uma clínica de infertilidade. Observou-se relação inversa entre concentração de BPA e índices de testosterona livre, estradiol e hormônio tireoestimulante (TSH). Quando os níveis de hormônios androgênicos foram avaliados em mulheres eumenorreicas, mulheres com SOP e homens, observou-se diferenças entre os gêneros, possivelmente devido à diferença nos níveis de atividade da enzima relacionada ao androgênio. Ainda, demonstrou-se que concentrações sérias de BPA estavam associadas com aumento dos andrógenos, o que não ocorreu com níveis de estradiol, hormônios luteinizantes (LH) e folículo estimulante (FSH). Dados parecidos foram encontrados por Takeuchi e colaboradores, em trabalho feito com mulheres com e sem disfunção ovariana.

Diante do conteúdo exposto, pode-se concluir que ainda faltam informações precisas, esclarecendo a relação do bisfenol A na etiologia da obesidade, tanto na exposição pré-natal quanto na vida adulta. Estudos em humanos estão limitados a amostras pequenas e em sua maioria avaliam a excreção urinária de BPA em um único momento do dia.

Diabetes: Um estudo recentemente publicado na (Nature Reviews Endocrinology) associou o BPA ao risco de Diabetes mellitus tipo 2. A conclusão surgiu após a revisão de mais de 90 estudos que envolvem o BPA e outros componentes químicos tóxicos ao organismo. Roedores alimentados com uma dieta acrescida de BPA desenvolveram resistência à insulina e perderam a capacidade de manter níveis normais de glicose (um sinal de alerta para o desenvolvimento do diabetes tipo 2).

Um dos estudos feito em 2010 indicou que ratas prenhas transmitiram esse risco aos filhotes.
Pesquisas similares envolvendo seres humanos apresentaram poucos resultados consistentes. Porém, uma análise feita nos EUA entre 2003 e 2004 com quase 1.500 pessoas mostrou que indivíduos com presença de BPA na urina tinham cerca de três vezes mais risco de ter diabetes tipo 2. Embora os autores digam que são necessários estudos epidemiológicos mais amplos para estabelecer a conexão entre o BPA e a doença, eles argumentam que já existe evidência suficiente para recomendar que a substância seja evitada. Para acessar:

Doenças cardiovasculares: Pesquisadores da Universidade de Exeter e Peninsula Medical School descobriram mais evidências de uma ligação entre a exposição ao BPA e doença cardiovascular. A pesquisa (Association of Urinary Bisphenol A Concentration with Heart Disease: Evidence from NHANES 2003/06) avaliou dados do estudo populacional NHANES 2005-2006, relativo aos EUA e seus resultados foram publicados pela revista online, PlosOne. Para acessar:

Distúrbios psiquiátricos: De acordo com reportagem (BPA in the womb shows link to kids’ behavior) de Janet Raloff, na edição online do Science News, de 06/10/2009, as meninas que tiveram exposição pré-natal ao BPA, no início da gravidez, mostraram-se mais agressivas que os meninos, além de índices maiores de ansiedade. De acordo com o Science News, esta é a primeira pesquisa a associar a exposição a um contaminante ambiental aos problemas de comportamento diferenciado por gênero. Para acessar:

Distúrbios sexuais: Testes conduzidos em uma espécie de camundongo selvagem indicaram novos riscos para o ambiente, e talvez para a saúde, ligados ao BPA. O consumo de níveis supostamente seguros da molécula fez com que camundongos machos ficassem com sua capacidade de localização espacial prejudicada. Além disso, as fêmeas da espécie passaram a esnobá-los, como se soubessem que havia algo de errado com os bichos. Os achados estão na revista “PNAS”, da Academia Nacional de Ciências dos EUA, e foram obtidos por Cheryl Rosenberg e seus colegas da Universidade do Missouri. Os pesquisadores demonstram cautela na hora de relacionar os resultados com possíveis efeitos sobre meninos humanos, mas afirmam que é preciso levá-los em conta e continuar os estudos.
Asma: No estudo (Maternal Bisphenol A Exposure Promotes the Development of Experimental Asthma in Mouse Pups), pesquisadores expuseram ratas prenhas ao BPA, em dosagens proporcionais a uma mulher grávida, ao longo da gestação e do período de amamentação, identificando que a exposição aumentou o risco do desenvolvimento de asma. A pesquisa foi publicada na edição de fevereiro da revista Environmental Health Perspectives. Para acessar:

Efeito neurotóxico: Pesquisadores da Yale School of Medicine comprovaram que o bisfenol-A (BPA) pode afetar primatas, tendo observado que ele produziu danos neurológicos em macacos. É a primeira evidência de que o BPA pode afetar a saúde de primatas e, por consequência, também os humanos. A pesquisa foi publicada na edição online da PNAS, Proceedings of the National Academy of Sciences. O estudo “Bisphenol A prevents the synaptogenic response to estradiol in hippocampus and prefrontal cortex of ovariectomized nonhuman primates“, publicado na revista online PNAS, 10.1073/pnas.0806139105, está disponível para acesso integral no formato HTML. Para acessar o estudo clique aqui. Para acessar: http://www.pnas.org/content/105/37/14187.full

Câncer de mama: Estudo (State of the Evidence The Connection Between Breast Cancer and the Environment) sugere que produtos químicos encontrados em praticamente tudo, de pesticidas aos plásticos para produtos de higiene pessoal, ‘imitam’ ou alteram o hormônio estrógeno. Dentre estes produtos químicos destacam-se os controversos ftalatos e o BPA.

Os pesquisadores analisaram 400 estudos epidemiológicos e experimentais. De acordo com a pesquisa, a exposição a substâncias químicas comuns encontradas em garrafas plásticas de água, mamadeiras e embalagens de alimentos podem ser ligados ao desenvolvimento de câncer de mama, ao longo da expectativa de vida. Para acessar: http://www.ijoeh.com/index.php/ijoeh/article/view/858

Outros tipos de cânceres: Uma outra pesquisa recente (Oral Exposure to Bisphenol A Increases Dimethylbenzanthracene-Induced Mammary Cancer in Rats) realizada na Universidade do Alabama em Birmingham (UA), agrega novas informações e preocupações. O Dr. Coral Lamartiniere, descacado toxicologista e cientista sênior no Comprehensive Cancer Center, da UA, concluiu que os baixos níveis de BPA, quando administrados via oral a roedores, causou tumores e alterações genéticas compatíveis com fases iniciais de câncer. Para acessar:

Alterações cromossomiais: De acordo com pesquisa da Escola de Medicina de Harvard, o BPA causa a infertilidade em vermes podendo matar embriões. A exposição ao químico também danificou a integridade de cromossomos e causou a morte de células. Cromossomos do grupo de controle permaneceram normais, já os cromossomos no grupo exposto ao BPA se apresentaram frágeis e fragmentados. A consequência foi a morte de embriões e vermes menos férteis na pesquisa publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences. Para acessar:

Síndrome do ovário policísticos: Recente estudo feito pela Escola Médica de Athenas e enviado para publicação na edição de Março do Jornal de Endocrinologia clínica e Metabolismo, evidenciou altos níveis de BPA em mulheres com síndrome do ovario policístico (SOP) quando comparado ao grupo de mulheres sadias (grupo controle). Além dos níveis de BPA elevados, também foram detectados altas concentrações de testosterona e androstenediona. O aumento da produção de androgênios, como é vista na SOP interfere na detoxificação do BPA pelo fígado, levando ao acúmulo de BPA no sangue. A conclusão final do estudo foi que o BPA-A pode ser mais prejudicial às mulheres que já apresentam desequilíbrios hormonais e alterações relacionadas à fertilidade, como os encontrados na SOP. O coordenador da pesquisa foi categórico ao firmar que portadoras de SOP devem estar cientes dos riscos potenciais do BPA, evitando o consumo diário de alimentos ou bebidas armazenadas em recipientes de plástico.

Endometriose: Com relação à Endometriose, o principal estudo feito até o momento foi publicado em 2009, nele investigaram as concentrações séricas de BPA-A e BPA-B no sangue de 58 mulheres com endometriose e 11 mulheres férteis sem a doença. O Bifesnol foi encontrado em 63,8% das mulheres com endometriose, porém nenhuma das mulheres do grupo controle tinham BPA no sangue, o que sugere uma importante relação entre a exposição ao bisfenol A ou B e a endometriose.

A interação entre o BPA com o receptor do hormônio estrogênio parece ativar a produção de um tipo de estrogênio, o 17-beta-estradiol e também aumenta a ação de uma enzima chamada aromatase, que leva a formação de mais estrogênios. Por outro lado, como os pesquisadores gregos afirmaram, o BPA também leva ao aumento da produção de androgênios.

Infertilidade masculina e disfunção erétil: Há diversos estudos mostrando que a exposição ao BPA diminui a contagem de espermatozóides de camundongos, além de inteferir na ereção. Uma pesquisa recente feita com 130 operários chineses expostos diariamente a altos níveis BPA e outros 88 trabalhadores livres dessa substância revelou que os primeiros apresentavam baixa contagem de esperma entre duas e quatro vezes mais que o segundo grupo. Já uma pesquisa inédita, realizada por pesquisadores da University of Michigan, Harvard School of Public Health e Massachusetts General Hospital, sugere que o bisfenol-A pode afetar os níveis de hormônios em seres humanos de maneira semelhante às alterações, já comprovadas, em animais.

O estudo mediu a concentração de bisfenol-A na urina de 167 homens recrutados através de uma clínica de infertilidade em Massachusetts e determinou os níveis de hormônio no sangue. Os pesquisadores descobriram que homens com maior taxa de BPA no sangue tinham também uma maior taxa de hormônio estimulante folicular (FHS) e menores taxas de foliculina. Elevadas taxas de FSH e baixas taxas de foliculina já foram associadas a uma menor qualidade de esperma em humanos. A pesquisa ainda mostrou uma redução na proporção entre estrogênio e testosterona, possivelmente, refletindo uma anormalidade na produção ou eliminação desses hormônios. Além disso, uma menor taxa do hormônio estimulante da tiróide foi observada quando os números de múltiplas análises de BPA foram feitas para estudar a exposição, sugerindo uma excessiva produção do hormônio da tiróide (conhecido como efeito hipertireoidite). Os resultados desse estudo são apoiados por estudos feitos com animais que mostram níveis de hormônios alterados pela exposição ao BPA. Para acessar: http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2009/11/10/AR2009111017411.html

Prevenção

Talvez a prevenção seja a principal parte. Muitos dos meus pacientes que acompanham meu blog ficam preocupados com o tema devido a quantidade de artigos que posto sobre. Felizmente quase que semanalmente estão sendo publicados artigos sobre o BPA e com isso os pacientes chegam afoitos ao consultório pra dosar BPA e descobrir maneiras de não se contaminar. Como a dosagem de BPA só se faz em grandes centros de pesquisa, não é usual na prática-clínica, infelizmente.
Portanto a melhor maneira é a prevenção de uma nova contaminação. Como o BPA é um composto utilizado na fabricação do policarbonato, um tipo de plástico, a maioria dos utensílios de plástico o tem na sua composição, visto que quando adicionado ao policarbonato confere transparência e maior rigidez. Ele também é encontrado no forro interno de enlatados (bebidas e alimentos) a fim de se evitar a ferrugem, materiais dentários (selantes dentais) , materiais automotivos e até mesmo no papel de extratos bancários.
Tenho 9 dicas principais para evitar a contaminação:
1) Optar por produtos orgânicos;
2) Limpar (tirar o pó) da casa frequentemente evitando exposição a produtos químicos quem além de terem o BPA podem levar na composição inúmeros contaminantes ambientais que não possuem estudos bem estabelecidos relacionados a nocividade para saúde humana;

3) Lavar bem as mãos antes de comer;
4) Escolher os produtos de higiene que contenham menos ingredientes tóxicos;
5) Substituir talheres e recipientes de plástico (tapware, garrafas) ou alumínio pelos de aço inox (no caso dos talheres) ou vidro;
6) Evitar utilizar plásticos, optanto sempre que possível por utensílios de vidro (são mais ecologicamente corretos, pelo vidro ser 100% reciclável). No fundo dos recipientes há geralmente o número que identifica quais componentes entraram na composição daquele plastico, o número do BPA é o 7 ou as letras PC.
7) Evitar aquecer no fogão ou microondas recipientes de plástico que contenham bebida ou alimento dentro.
8) Mamadeiras, chupetas e copos de plástico que estejam arranhados devem ser descartados pois segundo estudos há maior risco de liberarem o BPA. O plástico quando aquecido libera mais facilmente o BPA. Se a criança utiliza mamadeiras, utilize as versões sem BPA.
9) Evite Congelar alimentos em recipientes de plástico, facilita a liberação do BPA.

Belo Monte e o Governo Brasileiro: Desmandos e Opressão na Amazônia

GOVERNO BRASILEIRO: DESMANDOS E OPRESSÃO NA AMAZÔNIA

Dion Marcio C. Monteiro1

“O rio Xingu vai virar um rio de sangue”. Esta frase, constante de um comunicado enviado ao ex-presidente Lula da Silva, em dezembro de 2009, assinado por diversos povos indígenas da Bacia do Xingu, e de outras regiões, mais do que um presságio foi um apelo ao bom senso de Brasília, pedindo que a Usina Hidrelétrica (UHE) de Belo Monte não seja construída. Como resposta o governo federal emitiu, em fevereiro de 2010, a Licença Prévia nº 342/2010 de Belo Monte.

No final de novembro de 2009, um mês antes do comunicado indígena, os analistas ambientais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), avaliando o processo de licenciamento de Belo Monte, apontaram no Parecer Técnico nº114/2009 o seguinte: “tendo em vista o prazo estipulado pela Presidência [do IBAMA], esta equipe não concluiu sua analise a contento. Algumas questões não puderam ser analisadas na profundidade apropriada, dentre elas as questões indígenas e as contribuições das audiências públicas”.

No parecer 114/2009 os analistas também destacaram a existência de um dimensionamento insuficiente dos impactos decorrentes do afluxo populacional para a região, tendo como consequência a proposição de medidas inadequadas visando à preparação local, além de uma indefinição sobre o papel de cada um dos agentes públicos na implementação das ações necessárias. Outro elemento apresentado neste parecer se refere a um elevado grau de incerteza em relação ao prognóstico da qualidade da água, em especial no reservatório dos canais da hidrelétrica.

Por fim, foi observado que “o estudo sobre o hidrograma de consenso não apresenta informações que concluam acerca da manutenção da biodiversidade, a navegabilidade e as condições de vida das populações do TVR [Trecho de Vazão Reduzida]”.

Tanto o Parecer Técnico nº06/2010, quanto a Nota Técnica nº04/2010, ambos emitidos no mês de janeiro/2010, reforçaram e confirmaram as pendências em relação à avaliação ambiental de Belo Monte. Porém, mesmo sendo os pareceres e notas técnicas peças fundamentais no processo de licenciamento, o governo simplesmente os ignorou, e concedeu a Licença Prévia no mês seguinte, como anteriormente observado.

Tal como fez com os técnicos do IBAMA, o governo federal também ignorou o parecer dos técnicos da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), que consultados sobre a emissão da Licença de Instalação (LI) de Belo Monte, afirmaram, através da Informação nº565 de novembro de 2010, que “devido aos atrasos, aparente falta de priorização no cumprimento das condicionantes, incluindo aí aquelas que foram eleitas como prioritárias, não existem elementos técnicos para um posicionamento da FUNAI em relação à solicitação de LI de obras iniciais. Em relação à LI “total”, a FUNAI só poderá se manifestar tecnicamente após o cumprimento integral e irrestrito de todas as condicionantes do empreendedor, além da aprovação do PBA [Projeto Básico Ambiental] do componente indígena”.

Na Informação nº22, de janeiro de 2011, os técnicos da FUNAI afirmaram que “Segundo informações da Frente de Proteção do Médio Xingu, não há o cumprimento das obrigações da NESA [Norte Energia S.A.] na região”. Afirmaram ainda que “As atividades de segurança alimentar e etnodesenvolvimento tem causado mais impactos na região (…). Essa ação da NESA tem, inclusive, estimulado a presença dos índios na cidade de Altamira, saindo de suas aldeias”.

Nesta mesma Informação os técnicos disseram que “Não foi executada praticamente nenhuma ação de fortalecimento institucional, sendo que a Funai local tem, sistematicamente desviado suas funções principais – Frente de Proteção – para atendimento das demandas criadas pela presença da NESA na região”. Quanto às ações desenvolvidas pela Norte Energia, o parecer dos analistas disse que “Não há ainda equipe do empreendedor para tratar especificamente da questão indígena, nem mesmo a criação, dentro da NESA, de instância específica para acompanhamento do componente indígena”.

Os servidores da FUNAI alertaram que “A simples assinatura do Termo de Compromisso não garante que ações efetivas e estruturantes para as comunidades estão sendo executadas”. Concluindo que “não houve, desde setembro de 2009, (…), ou desde março de 2010, (…), ações efetivas e estruturantes para as comunidades indígenas”. Nesse período apenas “Foram executadas ações preparatórias e ações paliativas, que em alguns casos tem se mostrado mais impactantes e nocivas do que a situação que havia anteriormente”.

Avançando nestas reflexões observaram que “não houve nenhuma ação significativa para as comunidades indígenas, em especial para a TI Paquiçamba. Ou seja, ainda restam condicionantes e ações emergenciais cujo objetivo era a preparação da região para o empreendimento, cujo não atendimento, caso o IBAMA emita a Licença de Instalação de Obras Iniciais, compromete claramente a segurança da condução do processo e da integridade das comunidades indígenas na região”.

Finalizando a Informação nº22/2011, os técnicos explicitaram que “uma vez que as condicionantes indígenas ainda não apresentaram resultados concretos positivos para as comunidades indígenas, não recomendamos que a Funai manifeste-se favoravelmente à emissão de qualquer licença de instalação”.

A resposta da presidência da FUNAI, constante do Ofício nº13/GAB-FUNAI de janeiro de 2011, foi “A Funai não tem óbice para a emissão da Licença de Instalação – LI das obras iniciais do canteiro de obras da UHE Belo Monte, considerando a garantia de cumprimento das condicionantes”. Sustentado por esta manifestação, o governo federal emitiu imediatamente a Licença de Instalação parcial nº770, de 01/2011.

Aos técnicos e servidores do IBAMA e da FUNAI, que exerceram suas atividades com seriedade e honradez, recusando-se a servir a interesses escusos de superiores hierárquicos, restou demissão, coação, assédio moral e remanejamento para outras áreas onde não “atrapalhassem” os planos já traçados no conluio firmado entre presidentes da república, donos de empreiteiras, mineradoras, e outras empresas nacionais e transnacionais.

Em meio a tantos desmandos e opressão, nunca é demais lembrar que Belo Monte, caso seja construída, vai entregar no mínimo R$30 bilhões para as empreiteiras e amigos do governo federal, sendo que a maior parte deste recurso vai ser retirada da saúde, educação, segurança pública, habitação, saneamento, etc.; vai expulsar mais de 40 mil pessoas de suas casas e de suas terras, até hoje não foi informado para onde elas irão; vai secar um trecho de 100 km da Volta Grande do Rio Xingu, acabando com toda a biodiversidade local; não vai gerar energia para a população da Amazônia, nem diminuir o valor da conta de quem já tem luz em casa, pois 80% de sua energia será para as indústrias do centro-sul do Brasil, e 20% para empresas como VALE, ALCOA, ALBRAS e ALUNORTE.

Belo Monte vai atingir a aldeia indígena Paquiçamba, Arara da Volta Grande, Juruna do Quilômetro 17 e Trincheira Bacajá, direta ou indiretamente mais de 15 mil indígenas sofrerão as consequências das barragens construídas no rio Xingu; vai impactar 11 municípios, totalizando uma população de mais de 360 mil pessoas, porém somente foram realizadas audiências públicas em 03 desses municípios; vai gerar, em média, somente 39% de sua capacidade máxima de produção de energia, e os técnicos informam que é necessário produzir no mínimo 55% para que uma usina seja viável economicamente; vai ser construída com recursos públicos, pois o BNDES vai financiar 80% da obra, cobrando juros de 4% a.a, com 05 anos de carência e 25 de amortização. Quem construir Belo Monte terá 75% de desconto na sua declaração de Imposto de Renda.

Belo monte vai elevar as taxas de desemprego, aumentando as dificuldades e o caos social na região. O próprio EIA/RIMA do governo, documento elaborado em parceria com as empreiteiras Andrade Gutierrez, Camargo Correa e Norberto Odebrecht, informa que 100 mil pessoas migrarão para Altamira, e que no pico da obra, durante dois anos, serão gerados 18 mil empregos diretos e 23 mil indiretos, ou seja, um pouco de mais de 40 mil empregos. Conclusão, 60 mil pessoas que migrarão para a região não terão emprego em nenhum momento, juntando-se aos milhares de desempregados que já se encontram no local.

Como as condicionantes definidas na Licença Prévia 342/2010 não foram cumpridas até hoje, o deslocamento de aproximadamente 20 mil trabalhadores, que já chegaram a Altamira, tem causado graves problemas, expressos na elevação dos índices de criminalidade, assaltos, arrombamentos e outros delitos; trânsito intenso, com aumento na quantidade de atropelamentos e colisões entre veículos; e pressão sobre os serviços de saúde pública, que mesmo antes não conseguiam atender a demanda.

Outro problema verificado é a alta nos preços dos alugueis de prédios comerciais e residenciais, causando o fechamento de pequenos empreendimentos locais (que não conseguem mais pagar o que está sendo cobrado), além de fazer florescer um grupo social ainda desconhecido na região, os Sem-Teto urbanos. Recentemente um grupo com quase 300 famílias ocupou dois terrenos na periferia da cidade, sendo violentamente despejados pela polícia militar, mesmo não havendo mandado judicial. Também vinculado a este fator observa-se uma grande pressão ambiental na cidade, com aumento no desmatamento de áreas que ficam nos arredores de Altamira, isto para a construção de pequenos barracos, caracterizando novos “bairros”, sem nenhuma estrutura urbana. É o desenvolvimento chegando.

Segundo os dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (IMAZON) o município de Altamira foi o campeão de desmatamento na Amazônia no mês de maio de 2011, desmatando 22 quilômetros quadrados de floresta, o dobro do registrado nesta cidade em abril. Os técnicos deste Instituto avaliam que uma das explicações é a expectativa sobre a construção da UHE Belo Monte. A mesma coisa aconteceu com Porto Velho, em Rondônia, que ficou em segundo lugar entre os maiores desmatadores do mês de maio. Não coincidentemente é em Porto Velho que estão sendo construídas as Hidrelétricas de Santo Antonio e Jirau.

Professores, juristas e pesquisadores das mais renomadas universidades e associações científicas têm afirmado que a UHE Belo Monte não tem viabilidade econômica, social, ambiental, cultural, política, e nem mesmo Jurídica. Mesmo assim o governo federal insiste em construir esta hidrelétrica.

Aos povos do Xingu só resta resistir. Lutar até o ultimo suspiro pela vida dos rios, da floresta, pelas suas próprias vidas, de seus pais, de seus filhos. Indígenas, pescadores, ribeirinhos, camponeses, quilombolas, extrativistas, povos do campo e da cidade vão continuar se contrapondo a este projeto de destruição e morte, implementado pelo grande capital e seus aliados. O rio Xingu pode virar um rio de sangue, e o governo brasileiro será o único responsável.


1 Economista do Instituto Amazônia Solidária e sustentável (IAMAS), Mestre em Planejamento do Desenvolvimento (NAEA/UFPA), componente do Fórum Social Pan-Amazônico (FSPA), e do Movimento Xingu Vivo – Comitê Metropolitano.

EcoDebate, 07/07/2011

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